Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
A preto e branco.

 

«Quando via ou previa algum naufrágio, indiferente ao estado do mar ou do tempo, “Cego do Maio”, acompanhado pelos seus dois filhos Manuel e Francisco, atirava a sua pequena catraia mar dentro, perante o olhar atónito dos seus camaradas e gritos de dor dos familiares. Salvar os náufragos era a sua “cegueira”. Uma aventura à qual mais nenhum da sua classe se atrevia já que o “mar cão” era prenúncio de morte certa.».

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



publicado por cachinare às 08:47
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
A preto e branco.

 

 

 

Uma das poucas cenas do filme que me permitiram estudar os detalhes de construção interior das catraias. Não me parece correcto que todos os tripulantes de um barco se pusessem a dormir ao mesmo tempo. O realizador, provavelmente pouco entendedor de pescarias, idealizou esta etno-ficção e são vários os detalhes diferentes da realidade desta comunidade, “trabalhados” para agradar mais às audiências e dar sentido a um enredo. Não é no entanto por esses factores que a obra perde a importância que tem no seu todo para a etnografia portuguesa.

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



publicado por cachinare às 09:39
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
A preto e branco.

 

Uma cena de interior numa casa de pescadores poveiros onde se pode reparar nalguns objectos do quotidiano piscatório, como a “polé” encostada ao canto direito. Servia para alar as redes ou linhas de trol, conforme o barco e as artes, dependendo disso o seu tamanho e peso.

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
A preto e branco.

 

«Entre os pescadores da Póvoa de Varzim existia a crença de que “rede regada é afortunada” e por isso, um dos homens salpicava a rede com vinho e depois bebia-se o restante do garrafão. Inclusivé alguns, traziam as suas mulheres e atiravam-se abraçados a elas para cima das redes (Santos Graça, 1932, 164). Na costa nordeste da Escócia fazia-se uma pequena festa quando era para estrear uma rede. Devia-se beber muito whisky para desejar muita sorte à rede nova. O primeiro trago era sempre para a rede, sobre a qual se vertia um copo inteiro de whisky (Macleod, B. 1939, 344). Era também nessa costa da Escócia onde a confecção de uma rede se iniciava sempre quando a maré começava a subir e procurava-se não interromper a sua manufactura até estar terminada.»

 

in Actas do Simpósio Internacional de Antropoloxia - Galiza 1997

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
A preto e branco.

 

Um dos mais marcantes momentos do filme, este no qual barco (diria uma lancha pequena) e companha passam em frente ao areal a toda a força de remos. Note-se que o governo do barco está a ser feito com um remo, pois o casco está muito junto à areia e o leme não podia ser aqui usado.

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
A preto e branco.

 

Por entre barcos no areal, as mulheres da pescaria. Em grande plano, a “Julha”, de seu nome verdadeiro Elsa Bela-Flor e principal protagonista feminina do filme. Nunca descobri qualquer dado sobre Elsa Bela-Flor, ou sequer se era natural da Póvoa de Varzim, uma vez que muitos dos intervenientes eram locais e não actores. Será que alguém sabe quem ela era realmente?

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



publicado por cachinare às 08:06
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010
A preto e branco.

 

 
 
Não será preciso muito para perceber a situação deste momento, comum à memória de comunidades piscatórias desde sempre. Estar na expectativa entre a vida e a morte de familiares ou conhecidos, quantas vezes a vê-los a batalhar já perto da costa, mas acabando por naufragar... eram traumas que ficavam vestidos de negro para sempre nas mulheres, e na voz dos velhos pescadores que os narravam.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:04
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010
A preto e branco.

 
Nesta imagem do filme é possível notar à esquerda um operador de camera e seu auxiliar, o que denota outro exemplo da natureza etnográfica e documental desta obra. Leitão de Barros foi também um dos pioneiros a nível mundial deste tipo de cinema e felizmente escolheu a Póvoa para um dos seus filmes. A imponente embarcação tem registo em Vila do Conde, o que era habitual.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:14
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2010
A preto e branco.

 

 
Lá vai uma pequena catraia, desta vez em missão de salvamento. Para os interessados em descobrir como se desenrolou a acção... nada melhor que adquirir o filme.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:25
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Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010
A preto e branco.

 
Este é precisamente o momento que dá nome ao filme, o alar-arriba do barco, onde para além da companha, também mulheres, crianças, novos e velhos ajudavam na pesada tarefa, a troco de algum possível “peixito”. Dois dos pescadores apressam-se a trazer os rolos de madeira ensebados de baixo para cima, onde deslizava a quilha do barco, e sobre os quais mais tarde o mesmo “descansaria” no areal até à próxima saída para o mar.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:43
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
A preto e branco.

 
Poveirinhos! Meus velhos pescadores!
Na Àgoa quizera com vocês morar:
Trazer o lindo gorro de trez cores,
Mestre da lancha, Deixem-nos passar!

Far-me-ia outro, que os vossos interiores
De há tantos tempos, devem já estar
Calafetados pelo breu das dores,
Como esses pongos em que andaes no mar!

Ó meu Pae, não ser eu dos poveirinhos!
Não seres tu, para eu o ser, poveiro,
Mail-Irmão do “Senhor de Mattozinhos”!

No alto mar, às trovoadas, entre gritos,
Prometermos, si o barco fôri inteiro,
Nossa bela à Sinhora dos Afflictos!
 
por António Nobre - “Só” --- Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:10
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Terça-feira, 13 de Julho de 2010
A preto e branco.

 
Situações como esta foram porventura a principal razão para o barco de tipologia poveira ter adquirido proas mais alongadas, que facilitassem contra a ondulação, mais forte na costa atlântica oeste portuguesa, que nas regiões da Galiza ou do Cantábrico. Nota-se pois que tal não aconteceu com os barcos “irmãos” da Galiza, região bem mais protegida do mar aberto pelas suas inúmeras “Rias”. O auge dessa característica deu-se na comunidade de Vila Chã, em Vila do Conde, onde os seus pequenos barcos de proa bem lançada, as catraias fanequeiras, eram famosos pela velocidade que atingiam.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 09:18
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2010
A preto e branco.

 
Estendidos no areal poveiro, podem-se ver alguns exemplos da palamenta usual dos barcos, como remos, ou 3 “poitas”. A poita era o equivalente a uma âncora, mas manufacturada com um bloco de pedra preso entre três peças de madeira devidamente unidas. Exactamente este tipo de âncora “primitiva” (e sem custos) pode ser encontrado nos antigos pescadores da Galiza, País Basco, Bretanha, Escandinávia ou Mar Báltico, o que revela uma das origens das tradições piscatórias do Norte de Portugal. Mas o que não consigo decifrar na imagem são as muitas “varas”, algumas delas aparentemente perfuradas. A ver se os habituais comentadores mas sabem explicar.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:11
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010
A preto e branco.

 
Numa das muitas imagens marcantes deste filme sobre a Póvoa e os seus pescadores, uma lancha pequena, de nome “Ao Gosto dos Filhos” navega à força de remos paralela ao areal. Pela proximidade à costa, era por isso usado um remo a governar o barco, pois um leme normal tinha cerca de 2 vezes o comprimento do cadaste (altura da ré / popa).
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:34
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010
A preto e branco.

 
Aqui é possível notar parte da disposição a bordo de uma lancha poveira numa altura sem vento e em que os remos eram a força motriz. Ao centro do barco era deitado o mastro, a verga e pode-se ver aqui também um leme, o que faz perguntar como era governado então o barco. Os barcos de maior porte costumavam ter 2 lemes, um (bem) grande para o mar alto e outro mais pequeno quase ao nível da quilha para as zonas de baixios ou possível penedia submersa. Mas também se podia fazer o governo da embarcação... com outro remo, o que será porventura aqui o caso.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:23
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
A preto e branco.

 
Mais um exemplo da ligeireza de navegabilidade destes barcos. Aqui, a catraia “Novo Triunfo” mostra-nos parte do seu velame e nota-se que leva um ramo à proa, será de loureiro? Também não parece estar a chegar da faina, mais com os pescadores em pose de respeito, eventualmente durante as festas de N.ª Sr.ª da Assunção, presumo.
 
Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942


publicado por cachinare às 08:12
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