Sábado, 22 de Fevereiro de 2014
A Aiola – Sesimbra.

Desde há bastante tempo que ao perscutando pelos barcos tradicionais de Portugal e Europa, as aiolas de Sesimbra são uma das minhas embarcações favoritas. Este pequeno barco (não mais de 4 metros de comprido) é hoje ainda muito visto em Sesimbra e para um barco destas dimensões, as linhas de curvatura são excepcionais, demonstrando óptima navegabilidade. De seguida apresento uma breve descrição da aiola, do excelente site de j.aldeia (cujo link se encontra no fim deste texto) sobre barcos tradicionais (e não só). Vale a pena explorar.

 
«A aiola é um dos barcos mais característicos de Sesimbra, e actualmente o mais numeroso naquela praia. É de sólida construção, mas as suas linhas proporcionam uma excelente navegação. Antigamente era movida a remos ou à vela, hoje quase todas as aiolas estão equipadas com um pequeno motor fora-de-borda.
Um curioso método de propulsão das aiolas, designado como “zingar” consiste em colocar um remo na água pela popa, apoiando-o numa reentrância do painel; de pé e virado para a ré, o pescador movimenta o remo com uma mão, segurando-o com o punho, de tal forma que a pá do remo desenha na água um complexo movimento helicoidal, com efeito eventualmente semelhante ao que faria uma hélice accionada por motor. Este método, além de difícil de aprender, exige um grande esforço muscular na zona do punho, e era utilizado apenas para pequenas deslocações no interior do porto de abrigo, ou em situações em que os remos se tornam menos eficientes, como em passagens estreitas. Em águas calmas permite dar um forte impulso à aiola. Usava-se em Sesimbra uma expressão popular em que se perguntava a outra pessoa: "Éh pá, vais à zinga?", querendo significar, com alguma ironia: "onde é que vais com essa pressa toda?"».
 
Lembro-me de ver em miúdo o mesmo acto de zingar quando as denominadas “chatas” vinham do barco acabado de chegar da faina e ancorado na baía, até ao areal carregadas com o peixe que seria levado para cima pelas mulheres até à lota: isto na antiga lota da Póvoa de Varzim.
A folha de plano da aiola aqui apresentada é uma de três que completam todos os detalhes de construção deste barco e são originárias do Museu de Marinha. Foram desenhados em 1928 por Francisco Dias, tendo a aiola original 3,9 m de comprimento e 1,52 m de boca. Trata-se da aiola auxiliar da Canoa da Picada, outro barco típico de Sesimbra. Este plano completo em maior dimensão, pode ser encontrado também no site de J.ALDEIA, uma mais-valia para qualquer modelista naval.
As duas fotos acima apresentadas podem ser encontradas no informativo site “SESIMBRA”, o qual contém outras fotos de aiolas e vários barcos típicos da bonita Sesimbra. A 1ª foto embora pareça uma aiola real, é apenas um belo modelo em construção, da autoria de Manuel André.


publicado por cachinare às 19:01
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2 comentários:
De barcos para venda a 24 de Fevereiro de 2014 às 21:55
grande patrimoneo nacional


De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2014 às 17:26
Tal como diz a famosa canção dos «Amigos maiores que o Pensamento», seja bem vindo quem vier por bem.
E ainda, como diz o povo português : mais vale tarde do que nunca...
È que depois de tanto e tão bem aqui nos divulgar através desta página, assim como que de repente o
amigo Fangueiro fez-nos recear que quase sumia.
Por aquilo que nos apercebemos, nomeadamente através do anúncio então aqui inserido, primeiro está a fonte de alimentação das nossas vidas, que espero esteja mais ou menos resolvida a contento.
Posto esta já demasiado longa introdução, mais uma vez quero aqui reiterar os meus parabéns por mais este magnífico naco de cultura marítima que aqui nos proporciona.
Como achega, permito-me aqui evocar que a maior frota de Aiolas será, eventualmente, aquela que se encontra na doca de pesca de Setúbal, onde há cerca de uma dúzia de anos falhei a tentativa de adquirir uma.
Cumprimentos e a continuação de tão magnífico trabalho de divulgação.

Al bino Gomes


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Salvo melhor opinião, julgo que esta imagem do gra...
Queria saber Quem deu o nome ao barco
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