Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
A preto e branco.

 

Num periódico de 1975, escrevia-se assim sobre o estado das pescas... «Tentacularmente envolvido pelo “monopólio Tenreiro” também ex-ministro de uma estranha organização paramilitar (a pesca do bacalhau), o sector das pescas, como temos estado a tentar insinuar, já pela sua diversidade já pelo seu aspecto de organização fechada, é um sector vital para o abastecimento do País, mas pouco permeável à informação da população que se vê obrigada a pagar preços escandalosos por peixe tantas vezes duvidosamente fresco, e isto sem se poder aperceber das verdadeiras razões por que o tem de fazer.

Do lado dos pescadores, a situação também não é brilhante, embora o mesmo não possa ser dito em relação aos mestres e armadores: ganhos insuficientes e irregulares, tendo em conta a perigosidade da profissão. No capítulo da assistência e previdência, a maré está longe de ser favorável, atingindo os velhos pescadores não abrangidos pela Previdência que recebem de facto, mas não de direito, o subsídio (esmola) de 200$00.(...)

Com a liquidação definitiva da era salazarista, terminou para a indústria da pesca portuguesa a ditadura tenrista. E note-se que, entre uma e outra figura, se reconhece a existência de uma distância estelar. Jamais se registou na história económica do Ocidente um caso análogo ao do almirante Tenreiro, sem cuja licença foi impossível mexer uma palha durante quatro decénios, em matéria de pesca. Isto num país precursor da pesca longínqua ao bacalhau e que afrontou os maiores riscos da História, desde que os irmãos Corte-Real e Cabot se deslocaram aos bancos da Terranova.

Portugal, pela sua posição atlântica e pela estratégia pesqueira que podia desenvolver, desde bases instaladas no país e nas suas províncias ultramarinas, desde os Açores até Moçambique, podia e devia converter-se sem grande esforço numa das grandes potências pesqueiras mundiais... .»

 

Não foi por a era salazarista ter terminado que as pescas melhoraram a nível nacional. Na verdade, a política do abate imperou especialmente desde 1986 e os pescadores continuam a ganhar consoante o estado do tempo, o que o mar dá e o que o mercado paga, o que tantas vezes continua a significar fome ou emigração. Até 1974, era ainda natural para os portugueses ter os pés sobre a água, fosse nas pescas, nos transportes, na cabotagem, militarmente, etc. Após isso tudo se abateu, em prol sabe-se lá de quê.



publicado por cachinare às 01:17
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1 comentário:
De augusto chavarria a 18 de Junho de 2014 às 18:30
Seja bem aparecido António, pois tens andado arredado do blog certamente também devido a contingencias da vida profissional. Concordo inteiramente com as tuas ideias, pois sem dúvida que as políticas do abate foram desastrosas, não conduziram a coisa nenhuma. Tanto mar e, perspetivas futuras de uma ZEE alargada sem um projeto abrangente e aplicado a tempo, com novas unidades modernas e preparadas, é mais um rotundo desastre. Um abraço


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