Sexta-feira, 18 de Julho de 2014
Áreas de pesca da Terra Nova e Labrador.
Este mapa ilustra bem a riqueza das pescas até meados do séc. XX na Terra Nova e Labrador, nomeadamente das suas extensões, três formas de pesca do bacalhau e outros tipos de safra. Hoje em dia devido aos malefícios da pesca massiva e industrial (o “moderno” problema da ganância aliada à tecnologia), já nada é assim. Foi-se o bacalhau, foi-se o arenque, foi-se o alabote... e a lista não pára. Ressaltam no mapa sem dúvida os Grandes Bancos da Terra Nova, velhos conhecidos dos Portugueses e de enorme extensão, sendo considerados o “reino” do melhor bacalhau. Abaixo pela esquerda o também conhecido Georges Bank, bastante frequentado pelas escunas Canadianas e Americanas.

Por motivos que não são novos ou específicos do Canadá, como interesses politico-económicos, dúvidas científicas e preferir remediar do que prevenir, em cerca de 50 anos esta nação perdeu tão vasto e rico recurso assistindo sem actuar ou acreditar em males maiores, a enormes frotas de navios estrangeiros a varrerem os fundos à vontade. Nos inícios dos anos 90 “descobriram” que o peixe acabara.

Costumo referir que o método de pesca à linha, em que Portugal muito se baseava, não era “destruidor” dos recursos. Na frenética busca de lucro, a pesca à linha teve o seu fim também em Portugal em 1974, quando um par de navios ainda a realizava. Sem querer dar a utópica imagem de que certos tipos de pesca deviam ser o máximo possível à linha (pois o super-produtivo mundo de hoje não vive dessas “artes retrógradas”), a infeliz imagem que tenho do futuro das pescas é a de uns poucos mega armadores com os seus gigantescos navios que mesmo com restrições, tratam de pescar a quota de cada ano num abrir e fechar de olhos. Acabaram os portos cheios de bonitos navios e de gente, o enorme número de pescadores que deixava o país, a ânsia da espera. Não gosto de ver a arte do mar mecanizada em excesso, pescadores que nem vêm o mar, tão grande e industrial é o navio. Goste-se ou não, todo o universo da real união entre o mar e o homem desaparece com a grande pesca industrial. Mesmo em menor escala o comprovo. Hoje em dia os pescadores da minha terra e por Portugal fora, cada vez mais transformam os seus barcos de 10 e 20 metros em “aberrações” visuais em nome da maquinaria e entendo, melhores condições de trabalho para os pescadores. Tem de se aceitar, mas ninguém lhes tira fotos ou escreve livros sobre eles ou ficarão imortalizados na memória. São apenas objectos de trabalho para desmantelar (ou afundar) um dia. Tenho visto novos barcos de pesca, já em alumínio ou fibra que são uma autêntica “banheira” ou em forma de caixote e sem acreditar naquilo pergunto para onde foi o barco de longas e bonitas linhas e curvas. No que se tornou a construção naval em Portugal? Bem sei que os novos são mais baratos e fazem-se mais rápidamente (e com menos pessoal), mas é preciso manter algum gosto.

Terminando com o “devaneio”, impressiona-me o fim da riqueza cultural que se nos advinha, do trabalho e seus instrumentos. Ainda não sei se cada vez mais a vamos recuperar, altiva como era, ou se nos deixamos afundar no marasmo da vida fácil e consumista.

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publicado por cachinare às 09:40
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