Sábado, 4 de Outubro de 2014
“Balclutha”.

Para além de serem navios extraordinários da Era da vela, são duas as razões principais pelas quais escrevo sobre o “Balclutha”: o facto de Alan Villiers estar ligado a ele e o modelismo naval, pois existem os planos disponíveis para quem o queira construír. Ainda assim, como modelista, prefiro que se ponham projectos de navios / barcos Portugueses na frente da lista.

Este grande veleiro de transporte mercante foi construído e lançado à água em 1886 nos estaleiros de Charles Connel & Company, próximo de Glasgow na Escócia. A sua rota principal seria constantemente dobrar o Cabo Horn, na América do Sul. A 15 de Janeiro de 1887, com uma tripulação de 26 homens, o “Balclutha” partia sob bandeira Britânica do porto de Cardiff, no País de Gales, para a sua viagem inaugural, com destino a São Francisco, E.U.A.. O navio entrava nessa cidade em Golden State depois de 140 dias de mar, descarregando a carga de 2.650 tons. de carvão que trazia e carregando trigo da Califórnia. Devido às viagens oceânicas de meses, o “Balclutha” fazia uma só viagem anual de ida e volta enquanto esteve envolvido no comércio de cereal. Veio 3 vezes a São Francisco, trazendo também porcelanas, whisky e metais em bruto. Por meados dos 1890s passou a dirigir-se a outros portos como na Nova Zelândia onde carregava lã destinada a Londres.
Em 1899 o navio foi transferido para bandeira do Hawaii e juntou-se ao concorrido transporte de madeira do Pacífico. Durante 3 anos o “Balclutha” velejou para Norte até à Sonda de Puget, Washington e de lá para a Austrália. A maioria dos “pés de madeira” (medida usada na altura) que transportou acabariam no subsolo, usados nas minas de Broken Hill, na Austrália. Este navio foi o último a arvorar bandeira do Reino do Hawaii. Em 1901 passou para registo dos E.U.A. com destino ao comércio costeiro entre portos Americanos. Pouco depois a Alaska Packers Association, dedicada à pesca e processamento de salmão, adquiriu-o para transportar homens e bens para o Alaska.
Após um encalhe em 1904, mudou de nome para “Star of Alaska” até 1930, quando já era o único navio a transportar cerca de 200 trabalhadores para o Norte e nesta altura já o navio mostrava “cansaço”. Frank Kissinger comprou o “Star of Alaska” em 1933 por 5.000 dólares e mudou-lhe o nome para “Pacific Queen”. Levando o navio para Sul, Kissinger ancorou ao largo da Ilha de Catalina, onde apareceu no filme “A Revolta na Bounty”. Pouco depois passou a ir de porto em porto na costa Oeste, exibido como “navio pirata”, deteriorando-se e escapando por pouco a depósito de sucata na II Guerra Mundial.
Em 1954 o Museu Marítimo de São Francisco, detentor de dois ex-bacalhoeiros, o “Wawona” e o “C.A. Thayer”, adquiriu o “Pacific Queen” e através de donativos, materiais e trabalho das gentes locais, restaurou o navio e atribuiu-lhe o nome original. O navio foi transferido para o National Park Service em 1978 e designado Monumento Nacional em 1985. Hoje em dia é um dos vários navios originais atracados em exposição do Museu. Mensalmente organiza por exemplo um festival de “Shanties”, músicas tradicionais de marinheiros.
Alan Villiers, o capitão Australiano que fez uma campanha ao bacalhau durante 6 meses a bordo do lugre-motor Português “Argus” em 1950, escreveu em 1955 um livro sobre o “Balclutha” intitulado “Duas Histórias na Vida do Navio Balclutha”.
 
Uma vez que o navio existe hoje em dia e são inúmeras as fotos do mesmo (basta procurar), é possível construír um modelo excelente e para isso cá fica o link para os planos do navio. Os planos são excelentes e encontram-se no site da Biblioteca do Congresso Americano. Pode-se fazer o download em duas resoluções, sendo a maior verdadeiramente "gigante".
Todos os detalhes possíveis estão lá publicados e bastará aliá-los às fotos.
 
Biblioteca do Congresso Americano - "Balclutha"


publicado por cachinare às 02:22
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1 comentário:
De safety vest a 30 de Março de 2016 às 05:49
Obrigado por compartilhar. Eu realmente aprecio isso que você compartilhou conosco esse posto informativo, ótimas dicas e muito fácil de entender.


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