Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015
Dóris de bronze.

 

No ainda “Lugar” das Caxinas existem muitas casas e muitas dessas casas são de pescadores, que o foram, que o são, ou que o voltarão a ser. Há quem tenha o bom gosto de mandar pintar em azulejo, à boa maneira portuguesa, o barco que pertenceu à família, o que lhes trouxe uma vida melhor. São muitos deles pinturas coloridas e outros, apenas no tradicional azul cobalto em memória dos tempos mais recuados ainda sem barcos a motor, o tempo da vela nas “cascas de noz” dos avós e bisavós.
O que não é comum é representar esse passado marítimo da família... em bronze. A imagem mostra uma dessas casas nas Caxinas, a 3 minutos do mar, onde preferiram guardar a memória não dos barcos locais mas sim dos “simples e frágeis” dóris da Grande Faina, a pesca do bacalhau. Por certo a memória nesta casa será muito grande, como o é pela comunidade fora (mas não exibido) e o apego destas gentes ao mar, misturado com o necessário sentido sacro-profano está bem representado no número do dóri, o 13.
Nos inícios de cada campanha bacalhoeira, a cada pescador era sorteado o seu dóri e respectivo número, acto que para muitos era da maior importância, pois a superstição faz parte da vida do mar, mesmo ainda hoje em dia quando achamos que “sabemos tudo”. Números que para uns seriam sinal de desastre, para outros eram tomados já como forte sinal de vitória contra as agruras daqueles mares e azares que viessem. A confiança era total e o “simples número” era comentado no decorrer dos dias conforme as surpresas que o mar, o capitão ou os camaradas traziam.


publicado por cachinare às 18:50
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4 comentários:
De Jaime Pião a 8 de Outubro de 2015 às 11:31
Pois é ,o bote 13 na pesca do bacalhau ,para uns era numero de azar ,para outros era numero de sorte ,eu por exemplo alinho na sorte ,porque acredito nas aparições de Fátima e 13 é um dia muito lembrado nas aparições de nossa Senhora em Fátima ,mas cada um é como cada qual .
Das 7 viagens que dei ao bacalhau em uma delas me calhou o numero 13 ,então logo me disseram para eu acrescentar para alem do 13 um (A) ,como não sou supersticioso fiquei com o bote e sou capaz de jurar que foi o ano que mais bacalhau pesquei ,claro que calhou e ainda bem .
Foram tempos que o tempo não apaga !!!


De Anónimo a 15 de Outubro de 2015 às 19:05
Depois da monumental obra d'arte dedicada ao Pescador, da autoria dos Irmãos Bompastor, este também magnífico bronze, dedicado ao pescador bacalhoeiro é uma das mais belas obras do género, implantado ali no progressivo lugar das Caxinas/Poça da Barca.
Obra de arte, digna da nossa admiração.
Visita recomendada.

Al bino Gomes


De Anónimo a 29 de Outubro de 2015 às 13:01
os irmãos Bompastor são também filhos do Patrão do salva-vidas de Caxinas , Vila do Conde e Póvoa de Varzim e também Professor da Escola de Pesca da Póvoa de Varzim - João Bompastor.
Quem não se lembra dele???? tantos alunos que ele teve, tanta gente que ele ajudou a fazer a tropa no salva-vidas, tantas cartas de arrais que ele ensinou e ajudou muitos pescadores a tirarem para governarem os barcos e por fim tantas vidas que ajudou a salvar e ninguém fala nele.....!!! É triste!!!!
Esquecem depressa o "Mestre João Bompastor", mas deveriam lembrar-se, quando pegam no leme do barco que se ali estão,´foi graças a ele que era um bom Instrutor da escola de pesca e da vida do mar. Também foi um dos melhores pescadores de bacalhau, que com 14 anos foi para a Escola de Pesca para Lisboa e foi 1ª. linha de bacalhau.
O Sr. Jaime concerteza que o conhecia muito bem, assim como muitos outros, mas ninguém fala dele, só se lembram do cego do Maio mas não se lembram que o Mestre Bompastor lançava-se muitas vezes com o salva-vidas á água para salvar vidas quando os outros não podiam ir com a força do mar e a barra negada.
Há uma frase que nunca mais me esquece que ele dizia muitas vezes " NÂO QUERO QUE ME DÊM NADA, SÓ NÂO QUERO SER ESQUECIDO".
Mas meu querido pai estará sempre no meu coração e no meu pensamento, devo-lhe o que hoje sou. Sua filha



De Jaime Pião a 30 de Outubro de 2015 às 12:11
Bom dia amigo Albino ,na verdade não é fácil esquecer o Sr João Bompastor ,por tudo que ele foi nas Caxinas ,um exemplo a seguir ,diria mesmo que foi um Senhor como Pescador Bacalhoeiro , Patrão de salva vidas e,professor na escola de pesca ,eu que o diga ,meu professor na minha carta de Arrais ,por isso um abraço de saudade !!!


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