Quarta-feira, 19 de Março de 2014
O “Saint-Simon” – França.

O “Saint-Simon” foi um lugre construído em 1899 em Saint-Malo, Bretanha para o armador Simon Duhamel Père de Fécamp, com 42,33 metros de comprimento e 9,16 de largura, em tudo semelhante ao da 1ª foto. Aparelhado para a Grande Faina do bacalhau (o “ouro branco”) somente em 1914, o lugre figurava entre a grande frota de navios armados em Fécamp para a Terra Nova. Entre 1915-1918, é comissionado para a cabotagem internacional devido à I Guerra Mundial e voltando mais tarde à pesca do bacalhau, faria a última campanha em 1925 junto com o conhecido “Marité” (que fazia a sua 2ª), lugre esse sobre o qual escrevi anteriormente um artigo e que ainda hoje navega totalmente restaurado. O “Saint-Simon” era practicamente igual ao “Marité”, diferindo apenas no mastro central. O ano de 1926 seria trágico para o “Saint-Simon”. Em Abril desse ano enfrenta um forte temporal e sofre danos consideráveis e à chegada a Cherbourg, o veleiro é rebocado por um vapor Inglês. Outubro desse mesmo ano seria fatal para a embarcação. Transportando cerca de 500 toneladas de sal vindo de Sevilha, Espanha com rumo a Fécamp, para a indústria da conserva de peixe, à chegada a 11 de Outubro verifica-se a ausência de piloto na barra e ventos de grande força impedem-no de entrar. O vento aumenta para cerca de 100 km/h e o navio iça velas rumo a Dungueness para se abrigar. Devido à força de mar, o veleiro cede, começando a meter cada vez mais água e o Capitão apercebe-se que na impossibilidade de alcançar Fécamp, terá de rumar a Dieppe, em condição de excesso de carga, pouco manobrável e com tripulação reduzida. Pelas 13:30 ao largo de Sant-Valéry-en-Caux tenta chegar a Ailly, mas pelas 17:00 as condições a bordo tornam-se insuportáveis e inicia-se então o abandono do navio. O Capitão incendeia o lugre de modo a não causar danos à navegação local e a tripulação, dentro de um dóri e de uma chalupa é recolhida por um navio de Dieppe, o “Roco 803”. Perdia-se assim o “Saint-Simon” a 11 de Outubro de 1926, sem se perder nenhuma vida dos 13 membros da tripulação.

Um grupo de mergulhadores amadores pertencentes à associação de pesquisa de naufrágios na Mancha Este, GRIEME (Groupe de Recherche et d´Identification des Épaves de Manche-est) localizava em 2004 o local do naufrágio deste antigo lugre da pesca do bacalhau. A descoberta teve grande repercussão nos media, o que ajudaria a descobrir muita da história da embarcação. Tendo sido destruído totalmente acima da linha de água pelo fogo, poucos eram os objectos a recuperar, mas entre eles, talvez o mais simbólico foi descoberto “disfarçado” pela crosta de 78 anos no fundo do mar: o sino de sinalização do navio, com 48 kg, altura de 52 cm e diâmetro de boca de 38 cm.
Todos os objectos recolhidos encontram-se hoje no Museu dos Pescadores da Terra Nova em Fécamp.
Este lugre assemelhava-se bastante ao lugre-patacho Português “Gazela Primeiro”, hoje pertença do Museu Marítimo se Philadelphia, E.U.A., que pescou na Terra Nova ao bacalhau cerca de 70 anos sem interrupção.
 
Site oficial do GRIEME (em Francês). – Inclúi fotos e vídeos sobre o “Saint-Simon”.


publicado por cachinare às 12:33
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1 comentário:
De Jaime Pião a 20 de Abril de 2014 às 08:27
Bom dia ,venho desejar a todos uma feliz Páscoa ,com continuação de bons dias em Paz !


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