Domingo, 22 de Novembro de 2015
O simbolismo piscatório, por Domingos Rebelo.

«A colecção de arte do Museu Marítimo de Ílhavo foi enriquecida com a entrega de um imponente óleo sobre tela do pintor Domingos Rebelo, alusivo às comunidades piscatórias e à pesca do bacalhau.

A obra do pintor açoriano (1891-1971), propriedade do Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas, foi entregue ao Museu Marítimo de Ílhavo, a título de depósito, pelo ministro da Agricultura, Costa Neves, no âmbito da VI Capítulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau, que teve lugar no auditório do Museu no dia 23 de Janeiro. Consumou-se assim um projecto antigo da Associação dos Amigos do Museu.
Domingos Maria Xavier Rebelo foi discípulo de Jean-Paul Laurens, de Albert Laurens e de Naudin, em Paris. Viveu cerca de trinta anos nos Açores, onde se dedicou às composições de temas populares e religiosos. E foi como pintor de temas sacros e de murais que mais se evidenciou. Entre as suas obras evocativas do sagrado destacam-se o tríptico “Natal” e “S. Francisco de Assis”, além do painel (votivo) da capela do navio-hospital da frota bacalhoeira, “Gil Eannes”, com data de 1955.
Entre as pinturas murais de Domingos Rebelo destacam-se os seus grandes frescos do Salão Nobre do Palácio Nacional de S. Bento, relativos à época dos descobrimentos.
Nos anos cinquenta e sessenta a obra de Domingos Rebelo é marcadamente realista, de ostensiva monumentalidade no traço e no modo como retrata tipos humanos e sociais representativos de uma certa “identidade nacional”, ancorada na história. Desta faceta de pintor de regime, que afeiçoou a iconografia da sua obra ao discurso ideológico do Estado Novo, constitui exemplo maior a tela que agora se junta às colecções do MMI, denominada “Família Piscatória”, com data de 1955.
Além da sua exuberância estética e imponência de tons realistas, a obra que agora se expõe na Sala da Faina/Capitão Francisco Marques do MMI é a mais forte representação pictórica do período salazarista sobre um mundo marítimo harmonioso e protegido pela obra de assistência que o Estado terá proporcionado às comunidades piscatórias.
Numa expressão pictórica cromatizada, Domingos Rebelo sintetiza a obra de “ressurgimento” das pescas conduzida por Salazar e Tenreiro. A tela sugere a proximidade física do iceberg (metáfora de todos os perigos) às comunidades litorâneas, insinua a comunhão das famílias e das gerações. Não por acaso, este quadro foi o principal ícone da propaganda sobre a organização corporativa das pescas, em Portugal e no estrangeiro.
A sua integração e exposição no MMI permite enriquecer a colecção da Faina Maior e acrescentar ao actual discurso expositivo elementos de interpretação sobre a relação interessada do Estado Novo com a pesca do bacalhau.»

Álvaro Garrido - Director do MMI.
 
in Ílhavo | 25-JAN-2005 – Diário de Aveiro online.

 



publicado por cachinare às 22:39
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