Quarta-feira, 22 de Julho de 2015
Alan Villiers – “Tausend bunte Segel”.

 

“Tausend bunte Segel – Die Doryfischer vom Schoner Argus”, é a designação da tradução para alemão d´ “A Campanha do Argus”, de Alan Villiers. Sendo lançada em Portugal no ano seguinte à campanha bacalhoeira na qual foi escrito, 1951, a primeira edição alemã é de 1952.
Como se pode ver pela imagem (da edição já de 1953), foi uma edição de capa dura cuja capa frontal tem o maior interesse e ilustra bem o título escolhido pela editora alemã para o livro: “Mil Velas Coloridas”.
É curioso o contraste para o lançamento do livro em Portugal, que foi com capa a preto e branco.
Agradeço ao amigo M. Stein ter-me enviado imagem da capa de introdução.
 
Para quem ainda não o sabe, é este o navio a que se refere – A Nova Campanha do Argus.


publicado por cachinare às 20:50
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Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010
Os verdadeiros super-homens.
«Na passada segunda-feira, dia 6 de Abril (de 2009), uma chuva mansa e silenciosa trouxe do mar o mais mítico navio português do século XX. Regressou ao País quase anónimo, puxado por um rebocador espanhol que o resgatou das latitudes do Sul e de um tribunal que por arresto o leiloou em Aruba.
Diz quem sabe que ao partir, vendido, em 1975, levou as lágrimas de milhares de homens do mar e virou a última página da maior aventura portuguesa do século passado: a faina do bacalhau nos mares do Norte. Vestiu-se depois de madeiras que nunca tinha conhecido. Camarotes com casas de banho, que nunca houvera visto, bares e música para servir e animar nas Caraíbas os turistas maravilhados por este lugre de quatro mastros de novo baptizado como Polynesia.
Quando rumei à Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, avisaram-me que iria encontrar um navio desfigurado, transformado profundamente pela sua segunda vida, talvez perdido e estragado para sempre. Regressei com a ideia contrária. Foi quem o pôs a navegar do outro lado do mundo que o salvou, mesmo que hoje pareça um destroço. Foi quem lhe deu destino, que sem intenção, preservou uma peça insusbstituível da história portuguesa que muitos desconhecem e alguns desprezam. Como não compreender quem advoga que a dimensão e a grandeza de um povo e de um país tem na sua essência o modo como vive e promove a sua cultura. Somos um país de uma riqueza marítima incomensurável, com um traço destintivo e identitário ligado ao oceano, caminho para construir um posicionamento de modernidade e de diferenciação. Somos a maior nação oceânica da Europa e uma das maiores do mundo. E somos também capazes de não saber o que fazer com isso. Utilizamos timidamente os recursos do mar e os nossos portos. Temos uma das mais baixas taxas de navegação de recreio da europa ocidental. Um país onde quem tem um barco, por mais pequeno que seja ou é rico ou é considerado como tal. Não temos nas nossas escolas básicas e secundárias disciplinas ou actividades que nos liguem ao mar. E até a ideia da nossa Expo 98 e dos seus Clubes do Mar, bem como todo o investimento que aí foi feito, desapareceu e não voltou a dar à costa. Dizemo-nos um país de marinheiros, mas não é verdade. Os portugueses não vão ao mar, vão à praia.
E é por isso, e por ser tão evidente que a economia do mar é a nossa maior oportunidade e vocação, que quase não se estranha que dois empresários, Aníbal Paião e João Vieira, donos da empresa Pascoal, desde sempre ligados à pesca e ao comércio do Bacalhau, tenham nas mesmas semanas em que amarguradamente discutíamos a crise e o eventual afastamento da selecção portuguesa da fase final do Mundial da África do Sul, rumaram ao Caribe e do seu bolso resgataram o Argus de todos nós.

 

 

Talvez também não se saiba que estes mesmos empresários, no próximo mês de Outubro (de 2009) e após anos de luta e alguns milhões de euros de investimento privado, irão concretizar um outro sonho: colocar a navegar, totalmente recuperado o navio Santa Maria Manuela, navio gémeo do navio Creoula da Marinha Portuguesa, ambos construídos em Lisboa em 62 dias no ano de 1937. De repente Portugal, desanimado, distraído e desfocado, ganha uma frota única no mundo. Três veleiros de quatro mastros. E que são mais do que três navios. São a expressão de que nada acontece por acaso e que só com trabalho, visão e paixão, nos tornamos melhores e actuamos na nossa predestinação.
A meio do século passado alguns milhares de portugueses enfrentavam nos mares do Norte uma das mais difíceis jornadas de trabalho e de sobrevivência que a humanidade conheceu. Os verdadeiros super-homens não são os da Marvel ou de Hollywood. Foram os pescadores portugueses que pescando à linha e em pequenas embarcações de madeira, passavam seis meses sozinhos no meio do mar. Uma jornada tão dura que quem a fizesse ficava livre do serviço militar obrigatório e dos seus quatros anos de duração.
Somos, no entanto, já filhos de outro tempo e é por isso que a inspiração de homens como Anibal Paião e João Vieira nos podem fazer acreditar que afinal, a crise somos nós. Naquele dia cinzento de Abril algumas centenas de pessoas e familias inteiras e bloguistas correram a Ílhavo para ver que o navio não era fantasma. A notícia correu célere. Ainda bem que não sou editor televisivo. Arriscar-me-ia a ter uma fraca audiência, abrindo as notícias com este navio chegado da bruma.»


por David Azevedo Lopes, Diário de Notícias, 26 Abril 2009

 

Um excelente texto já com ano e meio, carregado de verdades, virtudes e maleitas do Portugal marítimo de desde há 30 anos. Gente de dinheiro em Portugal há muita, mas muito poucos sabem o que lhe fazer quando se fala de mar, não passando de habitantes de marinas em puro exibicionismo, mais a sua banheira branca de 400 cavalos. Que tal Uma Aventura na Pesca do Bacalhau?



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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
À Pesca do Passado, em Roterdão - Holanda.

Este é o título de uma exposição que tem vindo a decorrer (quase a terminar) no Museu Marítimo de Roterdão, Holanda, entre 4.7.2009 – 11.10.2009, num trabalho de parceria com o Museu Marítimo de Ílhavo. Compõe-se de fotografias de Alan Villiers durante a sua campanha a bordo do bacalhoeiro português “Argus”, no início da década de 50,. De seguida, uma adaptação / tradução do texto de apresentação na página oficial do museu de Roterdão:

 
«Um bacalhau de dimensões colossais, um cozinheiro do navio com uma galinha por animal de estimação, ou uma foto de um frágil e pequeno bote que dança no gigantesco oceano. A partir de 4 de Julho, os visitantes da exposição no Museu Marítimo “À Pesca do Passado” poderão ver o trabalho do jornalista britânico-australiano e aventureiro Alan Villiers, numa série de atmosféricas e expressivas fotos da pesca portuguesa ao bacalhau, no ano de 1950, para que a revivamos.
Através da campanha de Alan Villiers no “Argus”, retivemos no tempo uma imagem da pesca portuguesa. Enquanto outros países mudavam para a pesca com arrastões, equipados com grandes redes, Portugal mantém-se até 1974 -(em parte)- com o método tradicional de pesca. Os pescadores portugueses várias vezes trabalhavam sob duras condições de tempo nas águas geladas da Terranova e Groenlândia. Apanhavam o bacalhau com isco e à linha a partir de pequenos botes, denominados “dóris”, que saiam do navio-mãe para a água.
Os portugueses na pesca do bacalhau dormiam em média 4 horas por dia. De manhã, saíam do navio-mãe “Argus” no seu dóri, desconhecendo os perigos que poderiam enfrentar nesse dia. Podiam perder-se no nevoeiro, ser surpreendidos por um temporal repentino, sofrer de enjoo-de-mar, ser arrastado por correntes fortes, ser abalroado por um navio em fraca visibilidade ou mesmo ser esmagado pelo próprio navio-mãe junto à amurada. Por vezes viam até baleias a emergir debaixo do dóri. Apesar de todos estes perigos, as precauções eram poucas. Bastando alguma reserva de água, o pescador do bacalhau entregava a sua vida nas mãos de Deus, dos elementos e do seu dóri.
Alan Villiers (1903-1982) era um marinheiro experiente, autor e jornalista com um forte interesse na vida marítima. Escreveu principalmente sobre os inícios do séc. XX, quando os grandes veleiros começavam a desaparecer rapidamente. As suas esperiências através de artigos e livros chegaram a leitores de todo o mundo. A sua experiência a bordo do lugre-motor “Argus” está descrita no livro “A Campanha do Argus”. Durante os anos 50 e 60 do século passado, fotos e relatos das suas aventuras no mar, são publicados na revista National Geographic.
As fotos presentes nesta exposição são a empréstimo temporário ao museu de Roterdão, por parte do Museu Marítimo de Ílhavo.»
 
in maritiemmuseum.nl
 
Uma presença de alta importância para a memória bacalhoeira portuguesa, num dos museus marítimos de referência em toda a Europa, e com um público que por natureza, sempre lidou e se mostrou empreendedor com o mar. Um público que certamente aprecia estas exposições.
Que belo artigo escreveria Alan Villiers, se soubesse que o também seu "Argus" está de novo em Portugal, para um futuro que esperemos, de sucesso e bem vivo.


publicado por cachinare às 08:15
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
O que significa o lugre-motor “Argus”... .

“A Campanha do Argus” - Alan Villiers, 1951 - síntese

 
«Em 1929 Alan Villiers, estava a bordo do “Grace Harwar”. Um dos oficiais tinha enlouquecido, outros tripulantes tinham morrido, os restantes tinham escorbuto e estavam ainda a mil milhas do destino. No entanto, quando avistaram um bacalhoeiro português um dos marinheiros terá dito: «as coisas estão mal pela Europa toda, hoje em dia, mas vocês nunca se metam num barco com eles. Aqueles portugueses usam dóris de um homem só. Afastem-se deles!» Mas isso foi coisa que Villers não fez. Em 1950 meteu-se a bordo do “Argus” e seguiu para os bancos da Terra Nova com a tripulação. O seu relato, que faz recordar os textos mais aliciantes do National Geographic, do qual foi um dos colaboradores mais conhecidos, faz justiça ao aviso: a loucura / bravura dos pescadores portugueses, aqui descrita de forma tão clara que mesmo os mais leigos na matéria se sentem imediatamente por dentro do assunto, torna-se tão evidente que não espanta que a obra tenha sido bem tratada pelo regime do Estado Novo como peça de propaganda. Talvez tenha sido o caso, (e foi) mas não é certamente, por isso, que «A Campanha do Argus» perde o valor histórico e literário que, indubitavelmente, tem. Nas histórias dos pescadores vemos reflexos claros dos descobridores intrépidos do século XVI e sentimo-nos parte desse mundo. A reedição desta obra (o original é de 1951) é mais que uma aposta ganha, é um serviço que fazia falta».
Filipe d'Avillez (Outubro 2005, Os meus livros)
Agradecimentos a Paulo Trincão pela indicação da origem desta síntese.
 
Pois bem, é em grande parte este o significado que o navio “Polynesia II” (ex-“Argus”) tem para Portugal. Em breve, mais esta “peça histórica” da grande nação naval que fomos até 1974, vai voltar ao seu nome e aspecto original de 1939, “ARGUS”, segundo a vontade da Pascoal & Filhos, sua detentora. Chegou finalmente à Gafanha da Nazaré a 06.04 passado e nos próximos tempos, quando receber os muitos trabalhos de recuperação, estará, espera-se, semelhante à foto que vemos de 1950. Tais trabalhos só terão início após a conclusão do "Santa Maria Manuela".
Importa salientar que a maior parte dos muitos lugres e navios que constituiram a nossa frota bacalhoeira no séc. XX, todos eles tiveram as suas semelhanças com o “Argus” no significado maior da Epopeia onde estavam inseridos. Pescava-se o bacalhau de formas diferentes, alguns navios faziam-no por arrasto, outros por redes, mas a maior parte e os mais lembrados eram os que o faziam à linha, nos tais dóris que “aqueles portugueses usam. Afastem-se deles!”, como se só um louco o pudesse fazer em oceano aberto.
Sem desprimor ao belo “Santa Maria Manuela” em reconstrução, ou ao activo ”Creoula” ou a qualquer outro dos lugres / navios antigos da frota, o ainda “Polynesia II” é a bandeira maior e mais afamada daquela Epopeia por ter sido o escolhido por Alan Villiers. O que ele registou em 3 formatos diferentes, prova que ainda até há 35 anos atrás, “os reflexos claros dos descobridores intrépidos do séc. XVI” eram abundantes nas nossas comunidades marítimas, fosse na costa ou em mar alto.
Note-se que apregoamos, justamente, os grandes homens de há 500 anos, que por Portugal começaram a unir hemisférios por mar. Pois o “Argus” e seus pares, são parte das ferramentas de futuro para mostrar aos portugueses que os homens de há 500 anos, pelos quais alcançamos glórias eternas na sua Epopeia dos Descobrimentos, têm a seu lado na História, os homens da Epopeia do Bacalhau. A diferença é que a do bacalhau só terminou “recentemente” e o seu real significado só agora começa a ser realmente exposto aos portugueses. Afinal, Portugal teve duas grandes Epopeias.
 
Foto – blog oficial do “SANTA MARIA MANUELA


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Quinta-feira, 23 de Abril de 2009
O rebocador “Sella”.

Quando a Pascoal & Filhos adquiriu o ex -“Argus” no leilão em Aruba em Janeiro último, teve de seguida de mandar ir buscar o navio, pois as suas condições de paragem prolongada não ofereciam garantias quanto a uma viagem tão grande até Portugal. A rifa saíu ao rebocador “Sella”, registado em Gijón, Espanha. Devido à importância do navio que trouxe até Portugal, julgo que também o seu nome ficará para a posteridade e embora o seu historial não esteja em grande parte disponível (é assim a vida de um rebocador), aqui ficam alguns detalhes sobre o “Sella”, sendo Sella o nome de um rio das Astúrias:

 
História - ''RUBIN'' [1992-1993], ''SELLA'' [1993- ]
Ano de Construção - Maio 1992
Construtor - Astilleros Ardeaga, Erandio, Bilbao
Bandeira - Espanha
Número IMO - 9036167
Porto de Registo - Gijón
Sinal de Chamada - EAGO
Arqueação Bruta - 256 t
Arqueação Líquida - 77 t
Porte Bruto - 133 t
Comprimento fora a fora - 28,9 m
Comprimento entre perpendiculares - 25,6 m
Boca - 8,7 m
Pontal - 4,8 m
Calado - 4,1 m
Armador - Remolques Gijoneses
Operador - Remolques Gijoneses

 
Foto e dados – Pedro Baptista – TRANSPORTES-XXI

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Segunda-feira, 20 de Abril de 2009
O “Argus” nas Caxinas... .

Há uns dias recebi este comentário do Sr. Rui Amaro, outro bloguista entendedor e apaixonado pela vida do mar:

 
«Ora o Windjammer POLYNESIA ou seja o lugre "pródigo" ARGUS, já está entre nós no porto bacalhoeiro da Gafanha da Nazaré, onde cabou de aportar hoje (06.03.2009) pela primeira vez, que como lugre bacalhoeiro ou de cruzeiros, alguma vez julguei viesse a ocorrer. Como Portuense muito gostava que o renovado ARGUS venha um dia a escalar o porto do Douro, mas mais desejava que a intrépida empresa Pascoal , o faça ancorar um dia diante das Caxinas, como motivo de homenagem aos Caxineiros das pescas, nomeadamente dos bacalhaus. A Pascoal há-de certamente levar este desejo em conta! Agora continuo na minha, do Governo "Nickles" nem uma palavra de incentivo à Pascoal pelo empreendimentp do SMM e do ARGUS. Devem estar ocupados a estudar a maneira de "sacar" mais uns milhares de Euros de Impostos ou coisa parecida à Pascoal. É uma falta Triste e Ridícula! E a comunicção social anda arredada destes casos de sucesso, só sabem badalar coisas tristonhas como as Freeports & Cias. Valha-nos a comunicação social local e sobretudo os bloguistas interessados nos assuntos ligados a navios e navegação e aos temas marítimos. Saudações maritimo-entusiásticas Rui Amaro - Blogue Navios à Vista
 
Agradeço-lhe imenso o comentário e sobre a parte “política” ou o papel dos “mass media”... nem vale a pena gastar espaço, pelo menos neste blogue, pois aqui como noutros blogues, queremos é saber de coisas de mar e de gente que pelas coisas dele se deslumbra.
Como caxineiro que sou, tendo pai, avô e tio que foram pescadores bacalhoeiros durante muitos anos e tendo crescido numa comunidade cuja maioria dos homens passou pela Grande Epopeia até cerca de 1974, quando o Rui Amaro propõe a visita do “Argus” ao largo das Caxinas, acredite que esse dia ficaria na história da comunidade.
Não sabemos ainda concretamente os planos da Pascoal para com o navio, se realmente vai navegar num futuro próximo, (tal é pouco provável) mas a ser uma visão real, tanto o “Argus” como o “Manuela” seriam imensamente benvindos aos muitos portos da costa de Portugal e região autónoma dos Açores, acima de tudo quando ainda muitos pescadores se encontram entre nós e merecem a maior das dedicatórias por terem sido a força de trabalho real da Grande Faina.
Nas Caxinas seria ainda mais especial, pois Caxinas não tem porto de mar, não tem sequer estatuto de freguesia, como apregoa o título deste blogue e no entanto fartou-se de fornecer em massa homens para a pesca do bacalhau. A concretizar-se um dia tamanha dedicatória aos pescadores das Caxinas, imagino a robusta silhueta branca do “Argus” ou do “Manuela” durante umas horas parado, bem ao largo do portinho das Caxinas, a tocar bem alto a sirene (ronca), como que a chamar os dóris a si em horas de nevoeiro... a chamar de novo muitos dos seus antigos pescadores que hoje passam o tempo e a velhice a jogar às cartas, em frente ao mar.
 
As Caxinas e muitas outras comunidades piscatórias merecem essa dedicatória. Acima de tudo, eu e muitos outros têm enormes expectativas na visão da Pascoal, para com o mar e para com os homens que nele andaram. Aguardemos.
 
O trabalho em bronze da foto, é numa casa das Caxinas.

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publicado por cachinare às 10:27
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Terça-feira, 7 de Abril de 2009
E o “Argus” chegou a casa.

 

Após 3 semanas de viagem desde a ilha de Aruba, próxima à Venezuela, o nosso icónico lugre bacalhoeiro “Argus” chegou finalmente a casa, Portugal, e a um ancoradouro novo na sua vida de 70 anos, a Gafanha da Nazaré. Tendo vindo a reboque do “Sella”, de Gijón, o seu blogue oficial ia-nos informando das posições e avanço na viagem, mas uma viagem destas e com o navio nas condições que se encontra, o risco era presença certa na contenda. Após escala nas ilhas Canárias... ei-lo chegado ontem cerca das 10:30 da manhã ao porto da Gafanha.
Várias fotos nos são oferecidas no seu blogue, onde é possível verificar a dureza da viagem mas acima de tudo o abandono a que esteve sujeito durante tanto tempo em Aruba. Está a precisar de um enorme trabalho de limpeza, restauro, re-estruturação, enfim, ainda não sabemos qual será o próximo passo, nem quais os planos que a Pascoal tem para ele. Serão idênticos ao do “Santa Maria Manuela”? Aguardemos pelos próximos capítulos, pois prometem.
 
Mais uma vez um enorme obrigado à Pascoal e a todos os que tiveram mão no regresso deste mítico navio a Portugal. Na verdade, “obrigado” parece não ser palavra suficiente para quem pôs mão a estes dois lugres bacalhoeiros. É muito raro ver exemplos destes acontecerem em prol da nossa memória marítima e acima de tudo, dos inúmeros pescadores que deram parte da sua vida a este lugre, vários deles ainda entre nós. São eles as principais figuras deste passado.
 
Eis mais uma vez o link para seguirmos as próximas páginas desta bonita história:
 
http://www.polynesia2.blogspot.com
 
foto – blogue oficial


publicado por cachinare às 09:04
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Pelas coordenadas.

 

Pelas coordenadas fornecidas pela página oficial do “Argus”, no passado dia 18 estaria o navio a 16º 50’ 5’ ’ N por 60º 22’ W. Pela média de velocidade referida de 7 nós, hoje estará mais ou menos pela posição da imagem. Há ainda uma longa travessia de mar aberto até, presumo, passar junto aos Açores, mas ele vem aí... ele vem aí.

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publicado por cachinare às 08:07
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Ei-lo a caminho de Portugal.

 

 

No passado dia 13 de Março, teve início a viagem de regresso desde a ilha de Aruba do ex-bacalhoeiro português “Polynesia II”, o nosso “Argus”.
Pelas 8 da manhã, com o piloto a bordo, teve início a manobra de reboque (o navio virá a reboque toda a viagem) para saída da ilha e pelas 8:50 oficialmente começou a viagem, estimada em 21 dias até à chegada a Portugal. O rebocador tem o nome de “Sella” e registo em Gijón, cidade das Astúrias no Norte de Espanha.
O filme aqui apresentado faz parte do blogue oficial do ex-“Argus”, onde várias fotos das manobras estão de igual modo publicadas.
 
Blogue -  A Nova Campanha do “Argus”.

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publicado por cachinare às 08:43
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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
E o sonho (outro) cumpriu-se – O “Argus” É NOSSO.

Isto de se ter sonhos e de os ver realizar-se não acontece todos os dias, nem todos os anos e para a maioria de nós, acabam por nunca se realizar. Alguns desses meus (e doutros) sonhos têm a ver com navios, navios especiais, navios brancos em aço da mítica pesca ao bacalhau que impressionavam todos os que por eles passavam. Desses 3 navios únicos nesta classe, o “Creoula” há vários anos que encanta como navio da Marinha Portuguesa. O “Santa Maria Manuela” estará pronto no final deste ano de velas ao vento e faltava o 3º, o imponente e famoso “Argus”, (“Polynesia II”) encostado e apresado numa pequena ilha das Caraíbas com fim negro à vista e substancialmente alterado do aspecto que tinha como bacalhoeiro.

Desde Agosto de 2007 que sigo a sua situação através de fóruns e o que li há um mês atrás sobre uma “entidade portuguesa” ter adquirido o navio noutro leilão em Aruba, fez-me suspeitar de quem poderia ser tal “entidade”. Pois ontem e hoje confirma-se nos media que o “Argus” é de novo NOSSO!  e essa entidade só podia ser a Pascoal & Filhos, dos poucos que sabem o que estes navios significam para Portugal e para os humildes que neles pescavam durante 6 meses, aos milhares de todo o Portugal. A Pascoal e Ílhavo estão a trazer vida a essa memória melhor que ninguém.
Portugal era único país no mundo que possuía uma escuna de 4 mastros no activo, o “Creoula”. Agora possúi 3, gémeas e com um passado e beleza que lhes vai trazer de novo a fama mundial.
 
«Irmão do “Creoula” e do “Santa Maria Manuela”, este lugre ficou imortalizado no documentário “A Campanha do Argus”, realizado em 1950 por Allan Villiers.
Aquele que foi um dos mais emblemáticos navios bacalhoeiros portugueses, o “Argus”, deverá, em breve, regressar a Portugal, depois de ter estado cerca de 30 anos nas Caraíbas a cumprir cruzeiros turísticos. O veleiro que ficou imortalizado no documentário “A Campanha do Argus”, da autoria de Alan Villiers, acaba de ser comprado pela empresa Pascoal & Filhos, que já tem em mãos o projecto de recuperação de um outro veleiro histórico nacional, o “Santa Maria Manuela”.
Apesar da administração da empresa Pascoal & Filhos SA "não confirmar nem desmentir" a aquisição do “Argus”, o PÚBLICO sabe que o navio, que ultimamente recebia o nome de “Polynesia II”, foi adquirido pela firma de Ílhavo em Aruba, estimando-se que regresse a Portugal nos próximos meses. Resta, agora, saber que projectos terá o armador de Aveiro para aquele que foi um dos lugres mais imponentes da que ficou conhecida como The Portuguese White Fleet (Frota Branca) e que acabou por vir a ser projectado internacionalmente por força da reportagem realizada por Alan Villiers - que acompanhou, em 1950, uma viagem do “Argus” aos bancos da Terra Nova (e Gronelândia).
Este veleiro histórico é também reconhecido por ser "irmão" dos lugres “Creoula” e “Santa Maria Manuela”, tendo sido construído na Holanda, em 1939. Muito embora o seu desenho seja em tudo idêntico ao dos seus irmãos, o projecto do “Argus” já compreendeu algumas alterações e melhoramentos. Andou na pesca do bacalhau até 1970, acabando por ser vendido para o estrangeiro em 1974, tal como aconteceu, em 1971, com o “Gazela Primeiro”, outro dos veleiros emblemáticos da frota portuguesa - este último encontra-se em Filadélfia, nos Estados Unidos da América.
Com esta aquisição do “Argus” por uma firma nacional, a memória da epopeia dos portugueses na pesca do bacalhau - em especial, a da faina maior, feita nos pequenos dóris por um só homem - poderá, a médio prazo, ganhar um novo testemunho vivo. Além do “Creoula”, que está entregue à Marinha portuguesa, e do “Argus”, brevemente o país passará a contar com o “Santa Maria Manuela”, que está já a ser recuperado pela Pascoal e Filhos SA, depois de ter sido adquirido à fundação que detinha o casco do navio e que nunca chegou a conseguir arranjar verbas para a sua requalificação.
As últimas estimativas apontam para que o navio fique totalmente reconstruído em Outubro deste ano, sendo que a aposta passa por transformá-lo num navio de treino de mar, promotor da cultura científica, e promotor da história e vocação marítima dos portugueses. A esta altura, a recuperação do “Santa Maria Manuela” avança já a passos largos num estaleiro da Galiza, depois de ter sido alvo dos primeiros trabalhos em Aveiro, desconhecendo-se ainda os números que estão envolvidos nesta operação.»
in Público, 26.02.2009 – adaptado.

 

 

O "Argus" já tem um blogue, tal como o "Manuela", e o nome é perfeito:

 

The NEW Quest of the Schooner "Argus"

(A NOVA Campanha do "Argus")



publicado por cachinare às 08:34
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
A ver passar o “Argus”.

 

Ocasionalmente tenho o privilégio de receber neste blog vários comentários e entre eles, os de antigos pescadores do bacalhau. Ultimamente, vários desses comentários vêem de um antigo pescador que conhece muito bem a minha terra, Caxinas e fez um par de campanhas junto com o meu pai a bordo do n-m “Novos Mares”, em finais dos anos 60.
Acerca do imponente lugre-motor “Argus”, construído em aço em 1939 na Holanda, escreveu há dias o Sr. Jaime Pontes o seguinte:
 
«Que beleza o “Argus”, soberbo lugre-motor, príncipe dos lugres dos anos -50, até 70 salvo erro, grande veleiro, que com ventos favoráveis não havia quem o batesse em velocidade, mesmo aqueles navios como o “Neptuno” e outros com palheta, era um regalo ver esses veleiros que não só o “Argus”, mais o “Creoula” e o “Manuela”. Lembro-me uma certa viagem de regresso a Portugal perto dos Açores, nós no “Aviz” com ventos rijos e favoráveis, julgavamos que vinhamos na maior com as velas todas içadas até o redondo feito, em pleno dia logo de manhã, quando surge a oeste dois veleiros, eram o “Argus” e o “Creoula”, que em pouco tempo nos alcançou como quem passou um lugre parado. Que diferença! Então ouvi comentários dos mais velhos de bordo que os dois veleiros iam a pôr -16 ou 18 milhas à hora!
Se alguns pescadores que ainda estão entre nós, soubessem o que se passa com o “Argus”, de certeza que ficavam com um nó na garganta, em especial os que por lá passaram!» - Jaime Pontes.
 
Como tenho escrito, o “Argus” chama-se hoje “Polynesia II” e após décadas a fazer cruzeiros turísticos nas Caraíbas está hoje apresado na ilha de Aruba e em muito mau estado, sem navegar há bastante tempo. No passado dia 21 de Janeiro de 2009 foi mais uma vez a leilão. O resultado desse leilão ainda não o sei. O que sei é que por alguma razão extraordinária, alguém em Aruba tem visitado este blogue com frequência... desde o dia 17 de Janeiro... e em português.
 

Foto da autoria de Tim.


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publicado por cachinare às 08:37
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Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
Mais um “round” pelo ex-Argus.

 

«Nos meses sombrios do Outono de 1951, as montras dos principais livreiros de Londres e Nova Iorque exibiam um novo livro do mais afamado “escritor marítimo” da época: The Quest of the Schooner Argus (A Campanha do Argus), de Alan Villiers. Através do título, só os leitores mais afeiçoados às relíquias da vela podiam supor que a narrativa fosse dedicada a um navio bacalhoeiro português. Já o subtítulo tornava mais precisos o tema e o género: A Voyage to the Banks and Greenland (Uma Viagem aos Bancos e Gronelândia) e remetia para uma crónica de viagem, um género clássico da literatura marítima universal.
O Argus era um lugre belo e imponente, de quatro mastros, à semelhança dos veleiros que o autor australiano mais apreciava. Navio de casco de aço, provido de motor auxiliar, podia carregar oitocentas toneladas de bacalhau. O novo Argus – porque antes dele outro houvera, que fizera a sua última viagem em 1938, sendo depois convertido no Ana Maria pela firma portuense Veloso, Pinheiro e C.ª Lda. – foi construído na Holanda em 1939 e armado nesse mesmo ano pela Parceria Geral de Pescarias, do Barreiro, propriedade da família Bensaúde.
Ano após ano, o Argus fez-se ao Atlântico para “trazer à pátria o pão dos mares”. Cumpriria a sua derradeira campanha de pesca nos bancos da Terra Nova e da Gronelândia em 1970. Devido à crónica de Alan Villiers, o Argus tornou-se o mais conhecido navio bacalhoeiro português no estrangeiro. Com carinho e retórica, o autor chamava-lhe o “Queen Elisabeth” da frota bacalhoeira portuguesa.
Em 1974, ano em que caiu a ditadura e findou a pesca do bacalhau por “navios de linha”, o Argus foi comprado pela empresa canadiana White Fleet Cruise Ships, que acabou por vendê-lo a uma companhia de “navios históricos” para fins turísticos, com sede em Miami nos E.U.A.. Reconstruído e adaptado a navio de passageiros, passava a chamar-se Polynesia II.»
 
por Álvaro Garrido – Historiador e Director do Museu Marítimo de Ílhavo – Ílhavo, Abril de 2005.
excerto da introdução d´”A Campanha do Argus” – 2ª edição Cavalo de Ferro, 2006.
 
 
Em 1950, nos preparativos para a largada da frota de Belém, escrevia assim Alan Villiers:
 
«Era uma luminosa manhã de Março e o Argus estava ancorado com um grupo de lugres em Belém, nesse ancoradouro ao pé da torre de onde haviam partido tantos navegadores portugueses notáveis. Era um navio lindo, gracioso, de aço, com quatro mastros de linhas gloriosas e belas.
Imponente, de casco firme e aparelho robusto, proa veloz como um veleiro de regatas oceânicas. Aquele belo lugre branco, um bacalhoeiro? Parecia difícil de acreditar. Estava parado com cerca de uma dúzia de navios semelhantes em volta, de três e quatro nastros, alguns de madeira, outros de aço. As colinas verdes de Lisboa formavam um belo pano de fundo para a frota, pousada levemente sobre as águas douradas do Tejo nessa manhã luminosa em que o paquete Andes me trouxe de Inglaterra.»
 
excerto d´”A Campanha do Argus” – 2ª edição Cavalo de Ferro, 2006.
 
As fotos acima apresentadas (da autoria de Tim), mostram o estado actual deste mítico navio em 03.12.2008, apresado em Aruba por dificuldades financeiras do armador. Os leilões repetem-se e o próximo será agora em Janeiro. Segundo o apurado, o montante inicial de licitação são agora de 405.000$ dólares, cerca de 60.000 contos.
As oportunidades como esta irão acabar-se e o fim do ex-Argus adivinha-se ser o desmantelamento.
É história e fama portuguesa em demasia para acabar desmantelada... .
 
Álbum completo do ex-Argus (Polynesia II) em Aruba – 03.12.2008


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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Fim à vista para o ex-bacalhoeiro “Argus”.

O mítico navio bacalhoeiro da frota portuguesa, “Argus”, imortalizado por Alan Villiers na viagem de pesca que fez nele no princípio dos anos 50, encontra-se desde há vários meses apresado num porto da ilha de Aruba, próximo da costa da Venezuela.

Utilizado para fins turísticos nas caraíbas desde há cerca de 30 anos, longos problemas financeiros do proprietário levaram em 2007 à paragem dos seus navios e o “Polynesia II”, registado em Grenada esteve a leilão em Aruba pela 3ª vez desde Setembro último. Ao que parece, ninguém tem interesse no navio devido ao seu avançado estado de degradação de inúmeros anos sem manutenção. Quando o navio deixou a pesca e começou a ser totalmente transformado para cruzeiros, todo o aparelho vélico foi alterado, interiores e o casco enchido com cimento, como forma de lastro. Como é sabido no meio náutico, a junção de cimento a um casco em aço mais a água do mar são extremamente corrosivos com o passar dos anos e daí o mau estado do navio. Para mais, a falta de manutenção fez hoje do ex-”Argus” um navio com o fim anunciado, com problemas e desgaste a vários níveis, incluindo infestações de insectos e ratos. Está assim há meses atracado no porto de Aruba à espera de uma decisão.
Sendo um navio bastante conhecido no meio turístico da região, o seu destino vai sendo seguido por um grupo de admiradores e de ex-trabalhadores que não recebem pagamento de vários meses. No primeiro leilão foi estimado um preço inicial entre 250.000 e 300.000 dólares e ninguém lhe pegou, pois o custo da recuperação necessária é enorme. Fala-se que será adquirido pelo governo de Aruba para ser afundado e servir de recife artificial, como turismo subaquático.
Este é o relato de uma passageira: “O meu marido e eu embarcamos no último cruzeiro do “Poly” no ano passado, em Setembro de 2007. Depois de o deixarmos, navegou na tarde seguinte para o seu último destino actual e por experiência própria posso afirmar que não se encontrava no melhor estado já naquela atura. Tínhamos embarcado nele em Agosto de 1998 e ficamos muito surpreendidos por ver como o seu estado se deteriorara comparado com aqueles anos. O convés estava numa condição terrível, mole e esponjoso em muitas partes e coberto com fita isolante a tapar buracos e pontos desgastados. Tudo apresentava um certo estado de envelhecimento, comparado com o que era 9 anos antes e lembro-me de comentar com o meu marido o facto de parecer que ninguém se importava em cuidar do navio desde há muito tempo. Não sendo conhecedora de navios, não poderei comentar o estado do seu casco ou detalhes técnicos, mas do ponto de vista das aparências, o navio necessitava de muito trabalho para o fazer voltar ao que era antes”.
 
Este lugre bacalhoeiro construído em 1939 na Holanda é em tudo semelhante ao “Creoula” e “Santa Maria Manuela”, embora com mais capacidade de porão e outros detalhes técnicos mais refinados e evoluídos nas suas dimensões. É o “terceiro cisne branco”, como ficaram conhecidos estes navios e custa de certo modo ver que o seu fim se aproxima desta forma em nada respeitando o seu passado e dos homens que nele árduamente pescaram. Imortalizado mundialmente em livro, revistas, fotos e filme, é um pedaço da história de Portugal e do que representou a Pesca do Bacalhau que desaparece. É talvez o navio bacalhoeiro português mais famoso de sempre, juntamente com o “Gazela Primeiro”.
Custa ainda mais que seja um navio esquecido em Portugal e que tal como a Pascoal & Filhos fez ao adquirir o casco do “Santa Maria Manuela” para recuperação total, não surja nenhum mecenas em Portugal que o recupere para os mais variados fins. O “Creoula” e o “Santa Maria Manuela” são duas provas de que tal é possível e Portugal agradece muito.
Num país desde sempre ligado ao Mar, seus navios e barcos, não há ninguém ou instituição, grupo empresarial, Fundação ou demais que possa utilizar este pedaço de história em prol próprio e do seu país?
 
A 1ª imagem mostra o já “Polynesia II” numa edição postal comemorativa da ilha de Nevis, no Sul das caraíbas, em 08.10.1980, provavelmente a sua viagem inaugural em cruzeiros. Na imagem 2, o “Argus” fundeado em Belém, para a cerimónia de Bênção dos Bacalhoeiros em princípios dos anos 40.
 
Links de interesse:
Revista da Armada, Março de 2005 – A história do “Argus”.
O “Argus em Lisboa” - lmc-creoula.blogspot.com.


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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
... ainda Alan Villiers e Portugal.

por Alan Villiers in “Eu Velejei com os Corajosos dos Capitães de Portugal” - The National Geographic Magazine, Maio de 1952.

 

Em meados de Setembro, a frota apressa-se em direcção a casa fugindo aos ciclones do Atlântico. Na foto, os homens lavam os dóris para ficarem guardados no Inverno, enquanto o “Argus” ruma em direcção a Sul com o porão carregado de bacalhau. As “barbas Árcticas” dos homens serão rapadas dentro de alguns dias.



publicado por cachinare às 18:47
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Domingo, 11 de Maio de 2008
O "Argus” nas bocas do mundo.
Esta obra escrita pela mão do marinheiro Australiano Alan Villiers a bordo do bacalhoeiro de Portugal “Argus” entre Abril e Outubro de 1950, teve a sua primeira edição no início dos anos 50 pela Livraria Clássica Editora com o título “A Campanha do Argus – Uma Viagem aos Bancos da Terra Nova e Gronelândia”.
Foram várias as edições noutros idiomas e nesta imagem está a edição em Castelhano, “La Campaña de la Goleta Argus”.
Recentemente surgiu a notícia de que a companhia proprietária do lugre, (de nome "Polynesia II" desde que saíu de Portugal), foi recentemente à falência e os quatro ou cinco navios de cruzeiros estarão à venda por ordem do tribunal para o pagamento das muitas dívidas.
Aqui fica o link (em Inglês) para a descrição da situação com a companhia Windjammer Cruises.


publicado por cachinare às 15:44
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
... ainda Alan Villiers e Portugal.
por Alan Villiers in “Eu Velejei com os Corajosos dos Capitães de Portugal” - The National Geographic Magazine, Maio de 1952.
 
Ao contrário dos pescadores da maioria dos outros países, os Portugueses usam só anzóis – nunca redes – para apanhar bacalhau. Para conseguir apanhar a enorme quantidade que permite fazer vida, o homem-dos-dóris usam uma única linha com 400a 1000 anzóis iscados. Quando ele ala a linha para dentro, com sorte pode ter meia tonelada ou mais de bacalhau.

Depois do veterano João Botelho ter preparado a sua linha, arrumou-a por baixo do pau de carga principal do “Argus” aí aguardando.



publicado por cachinare às 16:35
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