Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016
“Tempos de Pesca em Tempos de Guerra” - Vila do Conde.

maria da gloria capa livro

Há cerca de 8 anos atrás, publiquei neste blogue um artigo sobre o lugre “Maria da Glória”, um dos muitos da Pesca do Bacalhau portuguesa. A história do naufrágio deste lugre foi uma das mais impressionantes que já investiguei e até hoje nunca esqueci a busca que fiz pelas fotos possíveis e existentes dos pescadores vítimas desse naufrágio. Jamais consegui esquecer essas fotos.

É com agrado que vejo um livro sobre esse episódio surgir, intitulado “Tempos de Pesca em Tempos de Guerra”, da autoria de Licínio Ferreira Amador.

Será apresentado já no próximo sábado, 1 de Outubro pelas 15 horas, no Centro de Memória de Vila do Conde. A não perder a oportunidade de poder aprender sobre este episódio dramático, onde humildes pescadores em tempo de guerra, de um país neutral, foram cruelmente enviados para um horrendo fim.

Agradeço ao amigo Reinaldo Delgado a notícia deste livro e sua apresentação em Vila do Conde.



publicado por cachinare às 22:07
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016
Trio “Terre Neuvas”.

«A história narra uma campanha nos Bancos da Terra Nova de Jean-Baptiste Lamy, marinheiro natural de Cancale (Bretanha-França), embarcado em Saint-Malo num dia de Março de 1907. À partida atrasada em dois dias, os marinheiros aproveitaram para formalizar os seus pedidos a Deus por tempo clemente durante o seu rumo. No momento dessa partida, surgem os adeus dífíceis às mulheres, às crianças e aos seus que ficarão no cais. Precisarão de várias semanas para alcançar os Bancos da Terra Nova, viagem antes da qual começaram a preparar as linhas, a apanhar molusco para o isco e assim evitarem o uso da carne de cavalo e o seu cheiro terrível. Chegados aos Bancos, começa a pesca nos dóris, as condições difíceis de trabalho, o frio, a bruma, as poucas horas de sono, mas também o café, o benvindo que melhora o ordinário, o copo de aguardente que reaviva a coragem, os camaradas com os quais se pode competir, as “marés do paraíso”, quando se canta em alegria e se contam histórias.

Campanha terminada sete meses após a partida, está o porão cheio de bacalhaus bem conservados no sal, sem se perder nenhum dóri ou homem e a escuna parte, deixa os Bancos e toma rumo para Saint-Malo. Dois dias mais tarde, são surpreendidos por um temporal que destrói completamente o navio. Cinco sobreviventes são resgatados vários dias mais tarde num dóri, por um navio Português que os desembarca em Lisboa. Depois de alguns dias no hospital, regressam à Bretanha, a pé até Bordéus onde embarcam num navio de transporte de vinho com destino a La Rochelle e a Nantes. De Nantes a Rennes, Dinan, Vallée des Singes... .
Jean-Baptiste não voltaria a ver a sua mulher, falecida no leito que lhe deixa um pequeno rapaz que um dia crescerá e se tornará marinheiro... mas que viria a morrer com a idade de seis anos. Voltará então a casar-se e terá duas filhas... uma delas a minha avó.»
Por Bernard Subert.
 
Este pequeno texto pertence a um dos elementos do trio “Terre Neuvas”, designação antiga em França para os pescadores que debandaram para a pesca na Terra Nova durante séculos. O motivo da música deste trio é precisamente todo o universo em redor destes pescadores e famílias, tragédias e alegrias.
No que respeita a Portugal, até hoje não tenho encontrado grande menção a música ou cantares relativos a estes pescadores, a não ser em St. John´s, Terra Nova, onde os pescadores Portugueses eram afamados a cantar o fado e não só, com viola ou concertina. Hoje em dia existem bandas locais de St. John´s que reproduzem estas músicas dos pescadores, pela beleza que tinham e um dos expoentes máximos ainda hoje é Art Stoyles, com as suas famosas “Valsas Portuguesas”.

 



publicado por cachinare às 18:19
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015
Alan Villiers – “Tausend bunte Segel”.

 

“Tausend bunte Segel – Die Doryfischer vom Schoner Argus”, é a designação da tradução para alemão d´ “A Campanha do Argus”, de Alan Villiers. Sendo lançada em Portugal no ano seguinte à campanha bacalhoeira na qual foi escrito, 1951, a primeira edição alemã é de 1952.
Como se pode ver pela imagem (da edição já de 1953), foi uma edição de capa dura cuja capa frontal tem o maior interesse e ilustra bem o título escolhido pela editora alemã para o livro: “Mil Velas Coloridas”.
É curioso o contraste para o lançamento do livro em Portugal, que foi com capa a preto e branco.
Agradeço ao amigo M. Stein ter-me enviado imagem da capa de introdução.
 
Para quem ainda não o sabe, é este o navio a que se refere – A Nova Campanha do Argus.


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Sábado, 13 de Junho de 2015
Livro "A Masseira Ancorense".

convite MASSEIRA

 

 



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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015
O bote polveiro – Galiza.

 

 

«Junto com a dorna, a gamela, a lancha de relinga e outras embarcações, o bote polveiro é um dos barcos tradicionais emblemáticos da costa da Galiza. O bote polveiro de Bueu é uma embarcação muito estável, forte e pesada, de casco redondo, a boca é metade do seu comprimento, baseando-se a sua morfologia, segundo S. Morling, na lancha de relinga. Representa pois bem o que eram as embarcações antigas daquela zona da Galiza. O seu comprimento ronda os quatro metros, é coberto em cerca de 1/3 e quase todos têm um viveiro ao centro. Também se faziam uns mais pequenos de três metros e meio e outros maiores que chegavam aos cinco metros e meio.

Existem registos que atestam a grande importância da apanha do polvo na Ría de Pontevedra desde meados do século XVI até meados do século XVIII, regulando-se as épocas de venda e as artes permitidas, demonstrando este bote total superioridade nas águas rochosas da ria.

Construía-se em madeira de carvalho (quilha, roda de proa, cadaste e cavernas) e pinho para o forro, bancos, cobertas e mastro. Os remos são como os da dorna, de duas peças e que se cruzam ao remar.»

 

via Modelismo Naval

 

O pequeno documentário acima mostra-nos o bote polveiro da Associação Amigos das Embarcacións Tradicionais "Os Galos", de Bueu. O seu presidente, Victor M. Domínguez Antas, mostra-nos na 1.ª pessoa o manobrar deste bote, quer a remos, quer à vela.

E as nossas catraias das Caxinas e Favita... onde andam?



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Segunda-feira, 16 de Março de 2015
O navio-hospital "Gil Eannes" na Terra Nova, em 1928.

«No século XX existiram duas embarcações de bandeira portuguesa com a designação de “Gil Eannes” e a função de navio-hospital, ambas tendo prestado apoio às atividades de pesca do bacalhau, nas águas da Terra Nova, no Grande Banco e na Gronelândia. A sua função justificava-se uma vez que as embarcações pesqueiras portuguesas encontravam-se rotineiramente isoladas por vários meses naquelas águas. O primeiro navio a receber este nome foi o “Lahneck”, um navio do Império Alemão aprendido na sequência da entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial (1916), então transformado em cruzador auxiliar da Marinha Portuguesa. Posteriormente, em 1927 zarpou pela primeira vez para a Terra Nova, após ter sido adaptado para navio hospital em estaleiros nos Países Baixos.»

in Wikipédia

Este filme mostra pois o primeiro “Gil Eannes” no seu segundo ano de apoio à frota bacalhoeira portuguesa. Um documento de enorme valor, na história das pescas de Portugal.



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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015
Revista Oceanos n.º45, “Terra Nova – A Epopeia do Bacalhau”.

Desde pequeno que sempre tentei imaginar o que fora a pesca do bacalhau, pois conhecia-o de quando o meu pai se referia a ela dos 8 anos que andou na Terra Nova. No entanto o que realmente sabia sobre ela era ínfimo, pois o meu pai também pouco a descrevia. Por alturas de 2001 vi numa montra de livraria esta revista, de enormes dimensões, peso e preço (para uma “revista”) e decidi comprá-la uns dias depois, pois seria um documento sobre o passado de pesca do meu pai a ter lá por casa.

Esta obra de 157 páginas vale bem pelas suas dimensões e conteúdos, pois toda ela é “uma história” da Grande Epopeia que foi a pesca do bacalhau por Portugueses e não só. Inúmeras fotos de grandes dimensões, a cores e preto e branco vão completando os textos de diversos autores e são fotos que de modo algum as vi noutras publicações, como por exemplo diversos lugres no rio Tejo. Treze anos passados, esta revista foi o início de um enorme gosto pela investigação desta Epopeia, pela sua evolução, dureza, pescadores, navios e mais navios de grande beleza e todo um país virado para ela durante décadas. Hoje penso no que sabia antes desta revista e o “gigantesco” desenrolar de factos que se foi mostrando durante estes anos. Várias vezes exclamei “Então foi nisto que o meu pai andou!”.
Curiosamente, a maior parte da aprendizagem e recolha de materiais foi feita via internet, sem dúvida via fundamental para o conhecimento. Há ainda um outro tanto a descobrir em inúmeras obras publicadas nos últimos anos em Portugal, obras que vou descrevendo aqui em artigos. Existem arquivos em museus, gavetas e baús em casa de antigos pescadores que estão cheios de “tesouros” sobre o universo do bacalhau e todos os dias surgem histórias novas, memórias num blog, fotos que decidiram passar pelo scanner. Há sempre mais e mais a esperar.
Este é o índice desta revista:
 
- O Atlântico noroeste e a Terra Nova (Terra dos Côrte-Reais).
- O controle das rotas do bacalhau nos sécs. XV e XVI.
- Reflexos carto-geográficos das navegações no Atlântico noroeste no séc. XVI.
- O confronto pelo domínio do Atlântico Norte.
- A pesca do bacalhau nos sécs. XVII e XVIII – Franceses, Ingleses e Americanos disputam a Terra Nova.
- O regresso à Terra Nova dos bacalhaus, de navios armados em Aveiro e Ílhavo.
- O Estado Novo e a frota bacalhoeira – Economia e política da pesca à linha.
- Os primeiros passos na modernização da frota bacalhoeira Portuguesa, 1935-1945.
- Aspectos da construção naval.
- O Estado Novo e a pesca do bacalhau – Encenação épica e representações ideológicas.
- A pesca do bacalhau.
- Navios com história – Lugres do gelo, cisnes dos oceanos.
 
Tal como disse Eça de Queiroz, “Um só livro é capaz de fazer a eternidade de um povo”.
Toda a Epopeia do Bacalhau, foi Um desses livros.


publicado por cachinare às 19:10
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014
George Sluizer, 1932-2014. Morreu o realizador de “Os Solitários Homens-dos-Dóris”.

george sluizer solitarios homens dos doris portuga

«Para os portugueses, o realizador holandês George Sluizer, falecido no passado dia 20 de Setembro em Amesterdão aos 82 anos de idade, será mais recordado como realizador da adaptação ao cinema de Jangada de Pedra de José Saramago (2002).

Fora de Portugal, a memória de Sluizer está indelevelmente ligada àquele que foi o último filme protagonizado por River Phoenix, Dark Blood, inacabado durante 20 anos devido à trágica morte do actor em Los Angeles em 1993, e que o cineasta holandês finalmente completou em 2013, “enquanto ainda podia fazê-lo”, como disse ao apresentá-lo no Festival de Berlim nesse ano.

O ponto alto da carreira de George Sluizer, nascido em Paris em 1932, reside contudo num dos mais aclamados filmes europeus da década de 1980: O Homem que Queria Saber (1988), adaptação do romance policial de Tim Krabbé sobre um homem cuja noiva desaparece durante uma viagem e que, três anos depois, é contactado pelo responsável. Um conto macabro com uma notável interpretação do actor francês Bernard-Pierre Donnadieu no papel do vilão, O Homem que Queria Saber tornou-se num êxito crítico e público internacional que levou Sluizer a Hollywood, onde dirigiu em 1993 uma mal recebida remake com Jeff Bridges, Kiefer Sutherland e Sandra Bullock, A Desaparecida.

Foi nessa altura que o cineasta encetou Dark Blood, rodado nos EUA com um elenco que incluia igualmente Jonathan Pryce e Judy Davis, mas que ficaria por terminar devido à morte de River Phoenix a meio da rodagem. Com o material filmado bloqueado por questões de direitos durante as duas décadas que se seguiriam – e com Sluizer a entrar em posse das bobines de modo mais ou menos esquivo para impedir que fossem destruídas –, foi só em 2013 que o cineasta apresentou a montagem possível do filme, numa altura em que já se encontrava fisicamente muito frágil na sequência de um aneurisma sofrido em 2007. A interrupção do filme acabaria por efectivamente travar a carreira americana do cineasta.

Aluno de cinema em Paris, onde estudou com Jean Renoir e Alain Resnais, Sluizer alternou inicialmente documentários e encomendas para a televisão holandesa antes de se estrear na longa-metragem de ficção em 1972 com João e a Faca, rodado no Brasil. Deve-se-lhe igualmente a adaptação para cinema do romance de Bruce Chatwin Utz.

Durante a II Guerra Mundial a família saiu da Holanda, vivendo durante algum tempo em Portugal – país onde captou imagens para vários documentários para a televisão holandesa e rodaria dois filmes, a comédia Mortinho por Chegar a Casa (1996), co-dirigida com Carlos da Silva, e A Jangada de Pedra (2002). Envolvido desde sempre na defesa da causa palestiniana - o que o levou inclusive a ser acusado pelo governo israelita de “libelo de sangue” por ter acusado Ariel Sharon de matar palestinianos à queima-roupa em 1982 – Sluizer realizou igualmente uma série de documentários sobre famílias palestinianas impossibilitadas de regressar à sua terra natal, o último dos quais, Homeland, foi estreado em 2010.»

 

por Jorge Mourinha - PUBLICO

foto - MOVIESCENE

 

Foi de igual modo George Sluizer quem realizou o mais conhecido internacionalmente documentário sobre a pesca do bacalhau pelos Portugueses. Essa obra seria exibida pela conceituada National Geographic Society – CBS, em 1967, intitulando-se “The Lonely Dorymen” – “Os Solitários Homens-dos-Dóris”. Aqui fica, mais uma vez, esse documentário, legendado em português.

 



publicado por cachinare às 22:47
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Domingo, 30 de Novembro de 2014
Revista ARGOS, nr.2 - Museu Marítimo de Ílhavo.

argos revista museu ilhavo 2014

   

«Este segundo número da Argos, revista do Museu Marítimo Ílhavo, é dedicado à museologia marítima e à herança cultural que os museus que assim se definem procuram preservar e transmitir. Foi nossa intenção construir um volume capaz de questionar os sentidos da museologia marítima que se pratica em diversos países e em museus que, pelo facto de serem marítimos, têm afinidades próprias de uma comunidade de gentes do mar. A inclusão de vários artigos dedicados ao projecto de admiráveis museus marítimos da Europa, África e Ásia, bem como as reflexões aqui partilhadas por investigadores e responsáveis por museus portugueses, permitirão que a Argos agite as águas mornas da museologia portuguesa, até hoje pouco sensível à realidade dos museus do mar.»

 

Índice

 

Editorial | Álvaro Garrido


O lugar dos museus marítimos no panorama museológico português | ICOM Portugal – José Picas do Vale

 

a museologia marítima em debate

 

Maritime museums in an Asian context and a globalized world | Stephen Davies

 

Museos, patrimonio marítimo e investigación científica | Juan-Luis Alegret

 

A centralidade do projeto cultural para museus de temática marítima | José Picas do Vale

 

perfis de museus marítimos

 

Entrevista a Frits Loomeijer

 

Le Musée de la Marine dans le paysage culturel maritime français | Denis-Michel Boëll

 

Museus com temática marítima: a relação com as comunidades e a inovação em práticas museais | Graça Filipe

 

Maritime craft heritage - Reflections from the Viking Ship Museum in Roskilde | Tinna Damgård-Sørensen e Morten Ravn

 

projetos e instituições

 

A missão do Museu de Marinha | António Costa Canas

 

O Inventário do Património Baleeiro Imóvel dos Açores (IPBIA) | Márcia Dutra

 

Bind’ó Peixe, memória das Caxinas ao jeito de pregão | Abel Coentrão

 

Museu Marítimo de Ílhavo – Investigação

 

A Cultura Material das Comunidades Marítimas | Nuno Miguel Costa

 

Serviços Educativos em Museus Marítimos: a ponte entre margens | Ana Catarina Nunes

 

Museu Marítimo de Ílhavo – Documentação

 

O Porto de Aveiro e o seu arquivo histórico | Nuno Silva Costa

 

Museu Marítimo de Ílhavo – Exposição

 

La Ílhava portuguesa, belleza ancestral sobre el agua | Mercedes Peláez

 

Um Kayak Groenlandês: Artefacto «esquisito» no Museu Marítimo de Ílhavo | Rui Mello Freitag

 

O barco moliceiro, ex-libris lagunar | Ana Maria Lopes

 

O Aquário de Bacalhau do Atlântico do MMI | Rui Rocha e João Bastião

 

Experiência Museológica Internacional

 

O Museu das Pescas de Moçambique: um projeto em construção | Larsen Vales

 

Dossier Visual

 

O Museu Marítimo de Ílhavo, Concurso para Reabilitação e Ampliação | Nuno Mateusz

 

A revista encontra-se disponível na livraria do Museu Marítimo de Ílhavo | € 15,00

 

in Museu Marítimo de Ílhavo



publicado por cachinare às 19:13
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014
Charles Napier Hemy – 1841-1917.

Charles Napier Hemy nasceu em Newcastle-Upon-Tyne, Inglaterra no seio de uma família nas artes da música. Estudando pintura e design em várias escolas, regressou a Londres nos anos 1870s e em 1881 mudou-se para as costas da Cornualha onde se tornaria célebre pelas suas pinturas relacionadas com o mar e os pescadores locais. Foi considerado o melhor artista em arte marítima da sua geração e o seu conhecimento íntimo do mar foi fulcral na sua expressão. O movimento do mar, o seu poder, força e perigos estão todos capturados com um brilho raramente igualado e jamais ultrapassado.

Margareth Powell, neta de Hemy usou os anotamentos do artista para narrar com cor a sua vida, desde a infância até aos 30 anos que viveu na Cornualha.
Já tenho apresentado algumas das obras deste artista e na imagem está o livro publicado em 2005 pela sua neta.


publicado por cachinare às 22:28
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014
“Pesca do Bacalhau – Diário de Bordo de João Carlos Caetano – De S. Miguel à Gronelândia – Ano de 1953”.

lagoa açores pesca bacalhau livro 2013

A Câmara Municipal de Lagoa, nos Açores, editou o livro “Pesca do Bacalhau – Diário de Bordo de João Carlos Caetano – De S. Miguel à Gronelândia – Ano de 1953”, co-financiado pelo Governo Regional dos Açores. Foi lançado no dia 21 de Junho de 2013 no Porto dos Carneiros, e inseriu-se nas Festas de São Pedro Gonçalves que decorreram naquele local.

Esta é a segunda parte de um relato em livro da primeira viagem aos Bancos da Terra Nova e Gronelândia de João Carlos Caetano realizada no ano de 1952 a bordo do navio “Oliveirense” e que foi lançado em 2011. (Autarquia Lagoense apoia edição em livro sobre a Pesca do Bacalhau.) O segundo diário refere-se ao ano de 1953 e retrata os principais acontecimentos que marcaram esta sua viagem na aventura da pesca do bacalhau, num registo verídico de um pescador lagoense que exalta a superação do medo, em prol da valorização da ousadia e coragem humanas, personificadas na figura de um inexperiente pescador, que vai ganhando cada vez mais força, coragem e confiança a cada experiência que enfrenta.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, João Ponte, este livro assume-se como um testemunho real, escrito de forma tão simples e genuína por um jovem pescador lagoense de 19 anos que, corajosamente, rumou mar fora, para a difícil labuta da pesca do bacalhau, durante 5 longos meses, a bordo do “Oliveirense”, no ano de 1953.

Oliveirense Leixões

Através desta publicação, em seu entender, reconhece-se o valor destes homens que, voltam costas à terra firme, prontos a enfrentar os perigos do imenso oceano, movidos de ousadia e coragem, em busca do seu ganha-pão, acrescentando que “um diário é um registo, geralmente de carácter íntimo, que contém a narrativa diária de experiências contadas na primeira pessoa, na maior parte das vezes repleta de emoções experienciadas, reveladoras de segredos partilhados unicamente em folhas de papel, preenchidas em momentos vagos, sob a forma de desabafo ou de interiorização profunda”.

adaptado dos artigos via Câmara Municipal de Lagoa e Rádio Atlântida.



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Sábado, 18 de Outubro de 2014
“Viana e a Pesca do Bacalhau”.

viana pesca bacalhau livro 2013

«O Centro de Estudos Regionais apresentou no passado dia 16 de Agosto (de 2013) o livro “Viana e a pesca do bacalhau”, de Manuel de Oliveira Martins. A sessão de apresentação decorreu no Museu de Artes Decorativas e antecedeu a abertura da exposição “Viana, fiel amiga do Mar. Memórias da Empresa de Pesca de Viana”, promovida pelo Centro de Estudos Regionais, Junta de Freguesia de Monserrate, Câmara Municipal de Viana do Castelo e Comissão Social da Freguesia de Monserrate.

O livro, composto por 420 páginas e profusamente ilustrado, integra a coleção “Seiva” das edições do Centro de Estudos Regionais e reúne informação histórica e antropológica sobre a relação da região com a pesca do bacalhau. A publicação aborda os principais momentos da história daquela atividade, apresenta as empresas e os navios que estiveram ao seu serviço, reúne vários depoimentos e menciona as personalidades que se evidenciaram na cidade de Viana do Castelo na promoção do desenvolvimento desta atividade económica. O livro destaca a Empresa de Pesca de Viana e as figuras que foram responsáveis pela sua administração, entre as quais sobressai João Alves Cerqueira. A apresentação ocorre precisamente no dia em que se cumpre o centenário da fundação da firma que esteve na génese da Empresa de Pesca de Viana.

Manuel de Oliveira Martins, natural de Vale de Cambra, é um apaixonado pelo mar. Tendo seguido a carreira de Oficial da Marinha Mercante, fixou-se em Viana do Castelo onde exerceu, durante quase 20 anos, a função de Piloto da Barra. Durante vários anos, o autor do livro dedicou-se à pesca do bacalhau, experienciando as suas diversas modalidades – pesca à linha, pesca com redes de emalhar e pesca de arrasto clássico e de popa –, embarcado em diversos navios, alguns dos quais inscritos no porto de Viana do Castelo. É autor do livro “Pilotos da Barra de Viana do Castelo. 100 Anos de História (1858-1958)”, editado pelo Centro de Estudos Regionais.»

 

via CER – Centro de Estudos Regionais.



publicado por cachinare às 00:17
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014
“A Kid´s Book on Boatbuilding”.

Esta pequena obra de 32 páginas editada em 2001 com o título “Um Livro para Crianças sobre Construção Naval”, explica de uma forma fácil como se constrói um barco em madeira e o que uma criança experimentaria ao construír um, desde as ferramentas básicas, as diferentes partes do barco e seus desenhos, sons e mesmo cheiros inerentes a esta arte em madeira.

A ilustração da capa só por si representa muito bem o conceito básico da construção naval, com os devidos “suportes” e equilíbrio. É um bom exemplo para mostrar a uma criança o que o mar significa, como os homens se movimentam nele e como a partir de árvores se produz tão “diferente objecto”. Além disso, independentemente da idade, a construção naval em madeira (a “carpintaria de ribeira”) é uma arte de grande mestria e ensinamentos para muita gente.
Deveria ser recuperada, mantida e fomentada, pois perdeu-se muito dela por “evolução” dos tempos, das vilas e das cidades. Tudo em redor da construção dum barco cria um universo de etapas que mantinham as populações locais sempre atentas aos movimentos dos trabalhadores, ao levantamento das cavernas, ao serrar, furar, içar, calafetar e ao auge da obra que era o dia do bota-abaixo, uma autêntica romaria.
Tendo nascido e crescido entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim, a construção naval nas duas comunidades sempre esteve muito presente, grande número e variedade de barcos Poveiros num lado, caravelas, naus, lugres e traineiras do outro. Por isso este pequeno livro e sua arte é-me muito familiar.


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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
O Navio Branco... com legendas.

 

São já vários os locais na internet onde se pode encontrar este filme, sobre os heróicos pescadores bacalhoeiros portugueses, mas julgo que ainda nenhum legendado em português. Pois aqui está ele finalmente legendado, para quem não percebe inglês.



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Sábado, 12 de Outubro de 2013
Os Solitários Homens-dos-Dóris... com legendas.

 

"The Lonely Dorymen", documentário da conceituada National Geographic, realizado em 1967 por George Sluizer, a bordo do imponente lugre-motor de 4 mastros "José Alberto", da praça da Figueira da Foz, um navio originalmente construído na Dinamarca com casco de aço décadas antes.

 

Um documentário no verdadeiro sentido da palavra, de cerca de 50 minutos, que nos revela sabiamente toda uma campanha bacalhoeira portuguesa, desde os preparativos em Portugal, ao drama da despedida, a viagem de ida para os Bancos e azáfama a bordo, passagem por São João da Terranova, as agruras da Groenlândia (assim a denominam dos pescadores) e a ânsia do regresso a Portugal. Mostra-nos também que o pescador bacalhoeiro passava os restantes seis meses na pesca costeira, normalmente na sua terra natal.

 

 

Momentos marcantes, são exemplo o de um homem desaparecido no nevoeiro e os altifalantes do navio a soar bem alto... fado, na esperança de que o náufrago o escute e recupere a sua rota, ou uma doença súbita que leva um tripulante a terra... na Groenlândia, onde se vê sozinho num meio totalmente desconhecido e não consegue perceber o seu futuro próximo.

 

Portugal e os Portugueses, têm por sua maior bandeira histórica, os Descobrimentos. No entanto, ao presenciarem estes filmes sobre a nossa pesca e frota de navios do Atlântico Norte, de imediato a conotam de bárbara e triste vida de homens, num “século vinte de navios à vela”, quando outras nações se “modernizavam”. Foi graças ao facto de termos mantido navios à vela até aos anos 70 do séc. XX, que hoje em dia podemos orgulhar-nos de ter ainda 4 navios daquele tempo, o mais especial deles bem guardado nos E.U.A., o “Gazela Primeiro”, veleiro mais antigo do mundoem actividade. Nenhuma outra nação bacalhoeira se nos equipara nesta riqueza histórica e de memória.

Esquecem-se muitos, que a epopeia dos Descobrimentos, essa sim, era verdadeiramente bárbara, pois iam 50 na caravela e com sorte, voltavam muitas vezes 15, caso não naufragassem todos.

Graças à persistência do aparelho das pescas do Estado Novo em manter a pesca à linha com dóris, Portugal continuou no séc. XX a ser considerado uma nação de grandes homens do mar, mestres da vela e orientação à antiga.

 

  

Este filme, está com legendas em português, para que os muitos que não o entendem, possam desfrutá-lo no seu todo e tirar as suas ilações da nossa história recente, do ser português, e dos valores que orientavam aqueles homens.



publicado por cachinare às 19:45
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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2013
1966 - Pescadores Portugueses nos Grandes Bancos da Terranova... com legendas.

 

Documentário emitido pelo Canal 3 da Terranova, e elaborado pela CBC de St. John´s. Curiosamente narrado em inglês por um pescador oriundo da Póvoa de Varzim, este filme tem por "base" o navio-motor "Vila do Conde", e descreve em pormenor a relação dos pescadores portugueses com a cidade de St. John´s. É filmado no ano de 1966, data essa de fácil conclusão, visto o narrador mencionar que o seu navio "Vila do Conde" tem 11 anos, ou mesmo pelas dramáticas cenas do "Dom Denis" incendiado para afundar.

No ínicio, é abordada a partida de Lisboa e essas imagens parecem ser do mesmo grupo das que fariam o mítico "The Lonely Dorymen" ("Os Solitários Homens-dos-Dóris), da National Geographic, possivelmente um aproveitamento de imagens que não entraram naquele documentário.

 

Mais um documento de enorme valia, com legendas em português.



publicado por cachinare às 20:00
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