Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
A preto e branco.

pvz APastor 1953 0049_M

Dia de nevoeiro na praia dos pescadores da Póvoa de Varzim. Afastadas, é possível notar as mulheres na apanha do sargaço. Dias estes de uma atmosfera bastante característica, de que tão bem me recordo, pois o nevoeiro transforma os sons da beira-mar tornando-os em algo abafado, que ecoa na humidade. Foto de Artur Pastor, 1953.



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Domingo, 23 de Julho de 2017
Um pouco do folclore poveiro.

SOMBRA MALDITA

 
«O Zacarias Come-Ranho era um pescador cinquentão do bairro Sul. Primeira linha do bacalhau, durante o defeso fazia uma perninha na catraia "Senhor dos Aflitos". Sempre ganhava algum. No fim de "beber a companha" numa loja conhecida do Ramalhão, regressava sozinho a casa pelo areal da Avenida dos Banhos. Só a lua lhe fazia companhia. Antes de chegar à Igreja da Lapa repara que uma sombra gigante o persegue. Dá uma corrida e a sombra faz o mesmo. Pára, e a sombra também. Alma do outro mundo? Demónio? Corredor? Avantesma? Coisa Ruim? - interrogava-se ele enquanto se benzia um milhão de vezes. Chegado à sua rua, dá uma corrida parra afastar a "sombra" que o perseguia e põe a chave à porta. Não se lembra de mais nada. Só se lembra que a sombra o agarra, dá-lhe dois murros e atira-o para a soleira da porta. De manhã, a mulher vendo-o naquele estado, camisa rota e ferido, pergunta-lhe:
- O que foi isso, homem? O que te fizeram?
- Ó mulher, fui perseguido por uma "coisa ruim". O demónio transformado em sombra, uma coisa do outro mundo! ... responde o Carias, mostrando o olho negro.
- Qual coisa do outro mundo, qual diabo! - mete-se na conversa a sua vizinha Maria das Dores que, entretanto, se aproximara.
- Quem o pôs nesse estado foi o meu homem. De madrugada sentimos uma chave na porta e uma voz avinhada a gritar desesperada: abre a porta que eu quero ir prá cama... abre a porta... Para acabar com aquela gritaria o meu homem levantou-se e, no escuro, deu dois murros ao atrevido intruso. Sem luz na rua nunca suspeitou que fosse o teu homem! Para a próxima o teu Carias que beba menos e que veja lá onde mete a chave!
Estava descoberto o mistério da sombra fantasma.»


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Sexta-feira, 24 de Março de 2017
A preto e branco.

pvz APastor 1953 0057_M

Na parte de fora do cais norte da Póvoa de Varzim, pequenos apreciam o bater das ondas contra o paredão e o enorme spray que assusta e atrái ao mesmo tempo. Foto de Artur Pastor, 1953.



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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2016
Os Braços da Lancha.

os braços da lancha povoa de varzim

 



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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016
Comemorações dos 25 anos da Lancha Poveira "Fé em Deus".

25 anos lancha_cartaz_net

2º SEMINÁRIO “MAR, EDUCAÇÃO E PATRIMÓNIO”

Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, 30 de Setembro de 2016, entre as 14h00 e as 17h30

«Este seminário, que está integrado nas comemorações dos 25 anos da Lancha Poveira Fé em Deus, visa partilhar conhecimentos e experiências de bibliotecas, arquivos, museus e escolas e centros de investigação sobre património marítimo e cultura do mar.

Os temas desta edição são a memória, as literacias, a conservação e o acesso à informação na era digital, bem como o papel das escolas na formação de competências ligadas à preservação do património marítimo. Contaremos com os contributos de José Bastos Saldanha (Sociedade de Geografia de Lisboa), Manuela Barreto Nunes (Universidade Portucalense), Luís Martins (IELT/Universidade Nova de Lisboa), Fátima Claudino (Escolas Associadas da UNESCO), Ivone Magalhães (Museu de Esposende e Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios), Luísa Salgado (Professora), Ana Simão (Profª Bibliotecária/Escola E.B. 2-3 Dr. Flávio Gonçalves), Albina Maia (Profª Bibliotecária/Escola Secundária Rocha Peixoto) e Manuel Costa (Biblioteca Municipal Rocha Peixoto e projecto da Lancha Poveira).

Para aceder ao programa/lista dos oradores e registar a sua inscrição gratuita, consulte a página da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto

Manuel Costa

cartaz seminario lancha_net final (1)

cartaz expo mestre agonia_net (1)



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Sábado, 20 de Agosto de 2016
A preto e branco.

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Casas de pescadores da antiga Póvoa de Varzim e as crianças locais no seu meio natural, a praia, entre aprestos de pesca. Foto de Artur Pastor, 1953.



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Terça-feira, 21 de Junho de 2016
A preto e branco.

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Em cima do cais, por entre a penumbra de um dia de nevoeiro, os rapazaes pescam à cana na Póvoa de Varzim de 1953. Foto de Artur Pastor.



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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016
A preto e branco.

pvz APastor 1953 0002_M

Junto à fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Póvoa de Varzim, Artur Pastor imortalizava em 1953 a tradicional seca do peixe, com inúmeras raias e um cação, tão apreciados localmente. Ainda hoje este tipo de seca vai sobrevivendo entre Póvoa e Caxinas.



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Sábado, 7 de Novembro de 2015
A preto e branco.

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Festa de Nossa Senhora da Assunção em 1953, na Póvoa de Varzim. Eis os foguetes a serem lançados por entre os barcos dos pescadores. Uma preciosidade de Artur Pastor.



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Segunda-feira, 25 de Maio de 2015
As companhas poveiras de Porto Alexandre - Angola.

“No cais, lá estavam os escaleres dos poveiros, com um pouco de água a estremecer no fundo e encharcadinhos de sol.” - in CASTRO, Ferreira de. A Selva, Livraria Editora Guimarães & Cª , Lisboa, 1957 (18ª edição), p. 75

Estes poveiros, de Ferreira de Castro, arribariam a Porto Alexandre em 1921.

“A ida dos pescadores da Póvoa de Varzim para Angola e Moçambique está relacionada com a emigração dos poveiros para o Brasil. Em 1920 as autoridades brasileiras determinaram que os pescadores estrangeiros só poderiam continuar a actuar nas águas do Brasil desde que: se naturalizassem brasileiros até 12 de Outubro do referido ano; nacionalizassem as suas embarcações; organizassem “companhas” de modo que dois terços da tripulação de cada barco fosse brasileira.
Os pescadores da Póvoa de Varzim obedeceram às duas últimas condições arvorando nos seus barcos a bandeira do Brasil e pedindo, através de editais, a colaboração de tripulantes brasileiros. Mas como, na sua quase totalidade, se escusaram à naturalização, tiveram de regressar à Póvoa, em número de cerca de mil. Em 30 de Outubro de 1920 chegou a Lisboa o primeiro contingente de 250 pescadores, seguindo-se-lhes outro grupo, de 302, desembarcados em Leixões em 5 de Novembro…
Embora com os marítimos da Póvoa de Varzim tivessem regressado do Brasil - e pelos mesmos motivos - pescadores de outros lugares da nossa costa, o conjunto poveiro sobrelevou, em amplíssima escala, os pequenos contingentes dos restantes centros. Daí o facto de na Póvoa de Varzim se virem a sentir de um modo mais dramático os problemas sociais e económicos derivados do retorno de tão grande massa de indivíduos, para cuja utilização nada estava preparado. Extintos os ecos da recepção calorosa e romântica, cedo se verificou que uma crua miséria enlaçara bastantes dos que haviam voltado, e ameaçava muitos mais, tornando-se urgente a tomada de medidas que evitassem tamanha e injusta desgraça…”

Por outro lado, Norton de Matos que queria “assentar no litoral do sul de Angola as bases de uma indústria piscatória voltada para o futuro, lançou a ideia da instalação de uma colónia de poveiros em Porto Alexandre, facilitando a solução de todos os pormenores decorrentes da sua proposta.

“Em 24 de Fevereiro de 1921, no paquete “África”, partiam de Lisboa para Porto Alexandre 62 dos pescadores poveiros regressados do Brasil, que chegaram ao seu destino em 14 de Março; à frente tinham sido enviados os seus barcos e aprestos, que às praias africanas levavam, pela primeira vez, elementos típicos do areal e da enseada da Póvoa. Entretanto o General Norton de Matos mandara construir em Porto Alexandre um bairro destinado às famílias dos pescadores poveiros, a fim de as atrair e fixar ao solo de Angola.” – in GONÇALVES, Flávio. Os pescadores poveiros em Angola e Moçambique , Póvoa de Varzim Boletim Cultural, volume VI nº 2, C.M. da Póvoa de Varzim, 1967. pp. 286/288

“Um dos pescadores poveiros idos para Porto Alexandre, Manuel Francisco Trocado , dizia em carta dos finais de 1921: “Acrescentarei ainda que o sistema de pesca que adoptamos é muito fácil: fizemos uma sacada, como uma nassa, que nos importou em 2 contos. Lança-se ao mar, seguras as extremidades por 2 barcos, e em um, ou, no máximo em dous lanços, carregamos o barco de peixe”. – in “O Comércio da Póvoa de Varzim”, 11/10/1921

 
Pesquisa e texto complementar de Admário Costa Lindo – blogue GeoHistHaria.
 
«Estava-se em 1931, quando foi publicado o seu pri­meiro relatório de serviço (Carneiro, Carlos (1931) – A indústria da Pesca no Distrito de Moçâmedes. Anais Serv. de Veter., pág. 19-20). Nesse tra­balho começa por evocar o ano de 1921, quando no Brasil uma lei idêntica à que dera origem à primeira colonização de Moçâmedes voltou a ser publicada exigindo que os pescadores portugueses, que exerciam a sua actividade nas águas do Brasil adoptassem a nacionalidade brasileira. Carlos Carneiro escreve que: “Em massa repudiam tal violência e regressam ao seu país”. Essa lei acabou por ser revogada e o Brasil vol­tou a permitir a entrada de todos os pescadores poveiros que em águas brasileiras quisessem pescar. Era então Alto-Comissário em Angola o General Norton de Ma­tos que logo determinou que todos os repatriados que quisessem poderiam organizar-se em colónia piscató­ria na baía de “Porto Alexandre”. Imediatamente co­meçaram as construções de habitações e de instalações modelares para a preparação do peixe. Os poveiros en­contraram bom acolhimento mas a demissão de Norton levou ao abandono da colónia, ainda em implantação e acolhimento. Alguns desses poveiros voltaram para as suas terras de origem ou deslocaram-se para outros pontos de Angola e Carlos Carneiro conclui: “Não fracassou esta tentativa de colonização porque muitos desses poveiros estão trabalhando em Angola, por sua conta ou ao serviço das indústrias de pesca e são, sem receio de confronto, os melhores que no sul se encon­tram. Ficou também de pé o elegante bairro poveiro que embeleza a mansa baía de Porto Alexandre e que constitui um dos muitos padrões de glórias do governo, formidavelmente grandioso do Excelentíssimo Gene­ral Norton de Matos”.
 
Por A. M. Mendes -  Pescas em Portugal: Ultramar – um apontamento histórico – Revista Portuguesa de Ciências Veterinárias

 

A rara imagem neste texto mostra, como se pode ler, uma dessas primeiras catraias poveiras que chegaram a Angola a partir de 1921. Ouvi várias vezes falar da diáspora poveira por terras do Brasil, onde as suas lanchas de pesca ganharam fama, mas a diáspora africana só agora a começo a descobrir. Poderia estar mais divulgada essa página da história poveira.



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Terça-feira, 12 de Maio de 2015
A preto e branco.

pvz APastor 1953 0072_M

Duas pequenas catraias saem para a pesca na Póvoa de Varzim em 1953, muito possivelmente catraias de pescadores da “Favita”, o areal fronteiriço da Poça da Barca, já em administração de Vila do Conde. Foto de Artur Pastor.



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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015
A preto e branco.

ala arriba fe pvz APastor1953

Há dias tive a agradável surpresa de descobrir algum do espólio fotográfico de Artur Pastor na internet. Já conhecia algum do seu trabalho de fotografia junto das comunidades piscatórias portuguesas de há mais de 60 anos atrás, mas não sabia que tinha chegado à Póvoa de Varzim. As imagens são da maior beleza e enquadramento, tesouros do passado das gentes do mar poveiras. Aqui, é possível ver o sargaço a secar, sargaço esse que também se recolhia precisamente aqui na praia do peixe. Além disso lá estão as últimas 4 lanchas do alto, a mais visível a “Ala Arriba”. Foto de Artur Pastor, 1953.



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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014
Da minha terra.

 

Outra das grandes figuras do mar poveiro, o Patrão Sérgio (João Martins Areias), 1846-1911. «Pescador heróico, Patrão do salva-vidas, filho de mestres lanchões, herdou do pai, sucessor do Cego do Maio, as qualidades de mestria e coragem que haveriam de tornar conhecido em todo o país este Lobo do Mar. Mais de cem vidas foram salvas graças à sua teimosia e destemor.»

 

via Câmara Municipal da Póvoa de Varzim online

 



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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014
Da minha terra.

 

Um dos heróis de maior destaque do mar poveiro, o Patrão Lagoa (Manuel António Ferreira), 1866-1919, imortalizado pelo seu papel nos salvamentos dos naufrágios do “S. Raphael” da armada portuguesa em 1911 na foz do rio Ave e do vapor de passageiros inglês “Veronese” em 1913. Interviu e colaborou também em centenas de salvamentos na enseada poveira.

 



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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
3º Encontro da Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios.




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Terça-feira, 20 de Maio de 2014
Da minha terra.

 

Mais uma imagem da tradicional venda de peixe na Póvoa de Varzim, a qual foi “limpa” dali por não se adequar sabe-se lá a quê. Se isto estava completamente errado, pergunto porquê que era colocado em postais turísticos.

 



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