Terça-feira, 12 de Agosto de 2014
Um dóri novo para o “Gazela”.

 

«O veleiro “Gazela Primeiro” (antigo bacalhoeiro português), o veleiro oficial de Filadelfia, E.U.A., transportava 30 dóris quando pescava nos Grandes Bancos do oceano Atlântico.

 

 

Um dóri, é um pequeno bote de madeira usado por um único pescador, que estendia uma longa linha com inúmeros anzóis em busca do bacalhau. Quando o “Gazela” veio para Filadelfia no final dos seus quase 70 anos de vida na pesca, existiam ainda 6 dóris a bordo. Nestes últimos 43 anos, esses dóris deterioraram-se ao ponto de só restar um único dóri original e em péssimo estado.

De modo a evidenciar o papel do “Gazela” como um museu vivo de 113 anos que ensina ecologia e a preservação dos recursos naturais, é importante mostrar como se fazia a pesca à moda das longas linhas, onde somente o peixe grande era apanhado, um de cada vez, método esse que preservava as espécies.

 

 

Assim, em 2011, Tony Souza (na 1.ª foto), de Ottsville, Pensilvânia, E.U.A., um membro voluntário da tripulação do “Gazela”, deciciu construir um novo dóri na oficina de sua casa. O dóri ´37´ juntou-se ao navio em Maio de 2011 e acompanha-o nas suas visitas a portos da costa leste desde Norfolk, Virgínia até à Nova Escócia.

No final de cada dia de pesca, os 30 dóris eram retirados da água e empilhados uns dentro dos outros no deque do “Gazela”. Com o agora novo dóri da oficina de Tony, passam a existir dois dóris que permitem exibir o exemplo do empilhar, e dois dóris para a tripulação do navio usar na prática de os largar e içar a bordo, bem como de neles remar. Como é óbvio, quando existe um par seja do que for, haverá competição!

 

 

 

O “Gazela” largava todos os anos do seu porto em Lisboa, Portugal, para os Grandes Bancos da Terranova. Nos seus últimos anos de faina, o “Gazela” aventurava-se até ao Círculo Polar Ártico em busca do bacalhau. Em 1970 o “Gazela” foi comprado e adicionado ao Museu Marítimo de Filadelfia. Desde então, este grande e antigo lugre-patacho de madeira, tem sido manobrado e mantido pelo Fundo para a Preservação dos Navios de Filadelfia (Philadelphia Ship Preservation Guild), uma organização totalmente voluntária.

 

 

O novo dóri é feito em cipreste da Nova Escócia e carvalho branco da Pensilvânia. Está pintado no tradicional ´sangue de boi´, cor da antiga empresa de pesca do “Gazela”. Grandes números brancos pintados junto à proa identificavam cada dóri. O novo dóri ostenta o número ´29´, escolhido pela pessoa que mais contribuiu para a compra dos materiais de construção. Este dóri ficou pronto a tempo de participar na regata ´Walnut 2 Walnut´, patrocinada pelo Museu Portuário de Filadelfia, a 31 de Maio de 2014.

O dóri ´29´ une-se pois ao dóri ´37´, também construído por mim, no deque do “Gazela”, como parte do museu vivo que é este navio de pesca Português com 113 anos.»

 

traduzido-adaptado do texto original de Tony Souza.

fotos – Tony Souza.

 

O “Gazela” está de momento à procura de uma doca-seca para a há muito necessária tarefa de o tirar da água. Não tem sido fácil encontrar as instalações com o tempo necessário e um preço aceitável. O “Gazela” não tem dinheiro para uma grande recuperação e assim a doca-seca seria somente para inspecção e reparações. O Tony Souza continua a sua campanha em prol de uma extensa reconstrução das obras vivas do casco do navio, mas sem dinheiro não é possível. Só o custo da doca-seca é de 50.000 dólares.

Fica lançado o apelo a algum filantropo ou organização filantrópica que possa ajudar.

 

O Tony Souza pode ser contactado em tjsouz@frontiernet.net ou no 610-847-5017.



publicado por cachinare às 11:55
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2 comentários:
De Anónimo a 18 de Agosto de 2014 às 12:22
Parabéns ao A. Fangueiro.
De vez em quando emerge e brinda-nos com excelentes trabalhos como este, sobre os doris da pesca de bacalhau, onde milhares de vilacondenses , sobretudo dos bairros piscatórios das Caxinas e Poça da Barca, tanto lutaram sofreram, choraram e até amaram.
Pena é que as várias entidades culturais da nossa terra não saibam aproveitar tais valores e continuem a dispender falsas energias com tanta coisa de somenos importância.
Ainda na última semana participei uns no 77º aniversário do Museu Marítimo de Ílhavo e mais uma vez, com tristeza, pude constatar a diferença abismal com aquilo que se passa na nossa terra, onde nem aquele Museu do Mar que a família Vila Cova nos legou, escapou.
Isto, sem esquecer o «lançamento da Primeira Pedra», pelo nosso saudoso conterrâneo e então Ministro do Mar, Com. Azevedo Soares, por ocasião do grande melhoramento das obras da barra, e ainda hoje por concluir.
Saudações marinheiras, e continue.

Albino Gomes


De José Luis a 20 de Maio de 2015 às 22:40
Quer o artigo quer o dori são excelentes trabalhos!
Esperemos que o Gazela seja reparado em breve.
Só uma pequena nota. A palavra portuguesa para deck " é "convés" não "deque".


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