Quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019
A preto e branco.

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Em 1940, foi elaborada em Portugal uma exposição sobre o mundo português da altura, contendo alguns dos mais relevantes locais, tradições e figuras nacionais.

O pescador poveiro foi também uma das figuras escolhidas. Seria interessante saber quem é este "lanchão" nas fotos.

in "A Exposição do Mundo Português de 1940 sob a objetiva do fotógrafo Casimiro dos Santos Vinagre."

 


publicado por cachinare às 18:35
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2019
As companhas poveiras de Lourenço Marques - Moçambique.

«A maioria desses lobos do mar reside e trabalha em Lourenço Marques. Durante os breves dias que estive na grandiosa capital de Moçambique procurei, por isso, encontrá-los e trocar com eles algumas impressões.

Na cidade toda a gente conhece a “casa dos poveiros”, à rua Engenheiro Lapa, atrás da Capitania. Os meus conterrâneos são populares e o edifício, por seu turno, é dos mais antigos da povoação. Trata-se duma velha moradia, alta e de paredes caiadas de amarelo, colocada próximo da imponente sede do jornal “Notícias”.
Felizmente que se encontravam em casa bastantes poveiros quando lá fui. Seria meio-dia. No cimo da escada, um pescador fazia a barba ao outro, já idoso. Declarei a minha identidade e o fim ao que vinha – para os cumprimentar e conversarmos um bocado. Logo a “operação” terminou e se aproximaram mais caras sorridentes, que reflectiam almas francas em corpos fortes e rudes.
Cerca duma hora estivemos em alegre convívio, e estes sessenta minutos representam, sem dúvida, um dos mais perduráveis momentos da minha sugestiva excursão.
Vivem em Lourenço Marques perto de 60 pescadores poveiros, distribuídos igualmente por três “companhas”, cada uma com a sua traineira: a “Luz Divina”, a “Esperança” e a “Gabriel Teixeira” (nome do actual e querido Governador Geral da Colónia), de que são os verdadeiros donos, labutam eles quase diáriamente. E após três ou quatro anos de ausência vão até à Póvoa descansar os corpos, ver as famílias, enquanto os navios sofrem as indispensáveis reparações. Por tal motivo, uma companha tinha partido para o Continente havia dias, no “Pátria”. Mas em breve outra chegaria para a substituir.
Remonta a 1921 o ano em que os poveiros começaram a vir pescar para as costas de Lourenço Marques, e alguns lobos do mar desse primeiro grupo ainda por cá mourejam, tendo ido, no entanto, várias ocasiões à terra natal.
Como marítimos, os poveiros gozam na cidade de grande consideração, conforme me disseram várias pessoas. São os únicos pescadores que se atrevem a saír a barra e a colher, no mar alto, o pargo e outros peixes. Depois dos poveiros estão os gregos, os quais porém, nunca se aventuram a ultrapassar a baía.
A sua vida decorre ordinariamente nas traineiras. Quando as demoras em terra têm maior duração, vão até casa, autêntica república democrática, onde não existem distinções e onde, durante um mês, cada um se encarrega, sucessivamente, duma tarefa: este, das compras, aquele, da cozinha, outro, do peixe, etc.. O mestre comanda a faina de bordo e toma a seu cargo as contas. É igual para todos a simplicidade dos quartos, apenas com as camas, as arcas, uma mesa, e mil objectos pendurados nas paredes, de vigas a descoberto. Uns aos outros de ajudam nos seus trabalhos e dificuldades. Segundo contaram, o “Porquinho”, conhecido fígaro do bairro da Lapa da Póvoa de Varzim, pensou um dia em establecer-se em Lourenço Marques, a fim de pôr o seu ofício à disposição dos pescadores residentes na capital. Desistiu, contudo, ao saber que eles estavam habituados a cortar o cabelo e a fazer a barba recíprocamente, conforme, aliás, eu observei!
Perguntei-lhes se não gostariam de ter em Lourenço Marques um bairro só para pescadores da Póvoa, uma vez que eram tantos. Tal oferta já lhes havia sido feita – responderam – com a condição de trazerem as famílias para a África. Mas eles parece preferirem viver sózinhos, em camaradagem. “A vida passa-se quase toda a bordo; não vale a pena”. Além disso “a mulher está velha...” – disseram-me, explicando-se. Os novos, porém, acalentam esse sonho, como depreendi de algumas das suas frases. Seria na verdade interessante e compensadora uma realização desse género.
Para já os meus conterrâneos contam com o carinho do público, que os admira e respeita, e com a gentileza das autoridades da Capitania, muito suas amigas e atenciosas. E a assistência médica, gratuíta, agrada completamente.
Quanto ao amor pela terra-mãe, conserva-se bem vivo nos seus espíritos, o mesmo sucedendo no que respeita às tradições folclóricas da Póvoa. O traje usado na praia de Varzim mantem-se no porto de Lourenço Marques; a mesma camisa axadrezada, o boné de pala e a boina, as calças enfiadas nas botas de borracha ou descidas até aos socos. Nas paredes dos quartos, ao lado de fotografias de entes queridos, vi igualmente gravuras das imagens veneradas na igreja da Lapa. Por coincidência, no dia seguinte ao da minha visita, 25 de Setembro, festejava-se na Póvoa o Senhor dos Aflitos. Pois a data não foi esquecida entre os pescadores varzinenses de Lourenço Marques, realizando na traineira “Esperança” um almoço de arromba, precedido de cerimónias religiosas num dos templos da capital.
 
do Boletim Geral das Colónias nº 301 – Vol. XXVI, 1950, pags. 177,178
publicado no Diário do Norte, Porto, por Flávio Gonçalves.
 
As fotos que coloquei a ilustrar foram o primeiro passo para ter chegado a este artigo de Flávio Gonçalves. Curiosamente, estes barcos são da Ilha de Moçambique, muito longe de Maputo, onde este texto se centra. Imediatamente estes barcos revelam o passado poveiro em Moçambique, na forma como alguns deles estão pintados. O nome pintado ao centro de uma larga lista, bordeada por duas linhas finas de outra côr a todo o comprimento do barco, e o restante do barco ainda noutra côr, é tipicamente poveiro, desde pelo menos inícios do séc. XX.
A não ser que poveiros também se tenham fixado na Ilha de Moçambique, que fica a 600 km de Maputo, (o texto de facto inicia-se com “A maioria desses lobos do mar reside e trabalha em Lourenço Marques.”) este modo de decoração poveira denota a profunda influência (e seu modo de pescar) que os poveiros da antiga Lourenço Marques terão deixado na população piscatória nativa.
Sendo as costas de Moçambique influenciadas por comerciantes árabes longo tempo antes da presença portuguesa no séc. XVI, essa vertente está também muito presente na maioria dos barcos moçambicanos de hoje e nas suas velas, puramente latinas, mas repare-se no detalhe da vela da primeira foto... ligeiramente cortada junto da proa. Algo também típico dos barcos poveiros e suas velas de pendão de amurar à proa.
Mais uma vez se comprova que através dos barcos, sua tipologia e características também se chega às andanças dos homens, neste caso nas ex-colónias portuguesas e Brasil, Goa, Angola, etc, têm ainda muito desse passado a navegar.


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Domingo, 17 de Novembro de 2019
Aquele Portugal.

 

Na Nazaré e no Portugal da altura, desde tenra idade que se “tratava de vida”, pois a vida não se construía a crédito e era preciso dominar o modo de sobrevivência local o mais cedo possível. Assim se constituíam famílias, se erguiam casas e se tornavam empreendedores.



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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2019
Arte marítima.

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 As grandes chaminés das motoras de pesca a vapor das primeiras décadas do século XX.

“Gare Marítima de Alcântara, painel” - Almada Negreiros



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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2019
A preto e branco.

Benção 1938

O ano é 1938 e os navios… lugres bacalhoeiros no rio Tejo a aguardar a partida para a Atlântico norte. Sempre de admirar os detalhes de decoração que todo o tipo de embarcações destes tempos recebia. O cuidado e brio de quem as construía e manobrava, muito diferente dos grosseiros gostos modernos onde praticamente nada se decora.



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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
Setúbal, nascida do rio e do mar.

 

Este selo comemorativo da cidade de Setúbal, estatuto recebido de D. Pedro V em 1860, inclúi todos os elementos do seu brasão de armas, e nele se denota o papel central do mar na sua existência. É um dos portos de pesca portugueses onde julgo ainda ser possível olhar para o passado, com vários barcos de pesca de pequeno porte e característicos das décadas de 60, 70 e 80. As águas de Setúbal estão pintadas por muitas e vivas cores dos seus barcos, algo que muitos outros portos perderam.


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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019
Aquele Portugal.

 

 

«A "seca do peixe" é realizada diariamente por um grupo de peixeiras da Nazaré, num "estindarte" (estendal) localizado na praia, ao Sul. Tradicionalmente, assegurava o sustento das famílias quando o peixe escasseava, mas também permitia conservá-lo para ser vendido nos mercados da região, o que ainda hoje acontece. Antigamente, as peixeiras recorriam a esta prática quando o pescado era em excesso mas, actualmente, realizam-na ao longo de todo o ano, comprando o peixe miúdo directamente na lota ou aos intermediários. Na Nazaré, distinguem-se duas formas de secagem, com preparação e consumo diferente: o peixe seco e o peixe enjoado. Depois de amanhado e salgado, o peixe é “estendido" em paneiros, tabuleiros rectangulares de rede e vigas de madeira, onde permanece cerca de dois a três dias ou apenas três a quatro horas (para o peixe enjoado). As espécies mais utilizadas são o carapau, os batuques ("verdinhos"), a petinga, o cação e ainda o polvo.»

 

via MATRIZNET



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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
Arte marítima.

Arthur E. Grimshaw - Hull Docks by Night

O porto de Hull à noite, em Inglaterra.

“Hull Docks by Night” - Arthur E. Grimshaw



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Segunda-feira, 27 de Maio de 2019
"Terra Nova", com fotografia de Luís Branquinho.

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«"Terra Nova" é um filme escrito e dirigido por Artur Ribeiro inspirado livremente  em dois contos de Bernardo Santareno; “O Lugre” e “Nos Mares do Fim do Mundo”.

O enredo segue uma viagem de um Lugre, o Terra Nova por mares do Canada e da Gronelândia na pesca do bacalhau e passa-se em 1937.  

O drama desenvolve-se quando o Capitão se apercebe que a pesca é miúda nos mares do Canada e resolve dirigir-se em direção à Groelândia onde nunca antes os Portugueses tinham pescado. Começa um conflito entre a sabedoria do Capitão e os mitos dos pescadores que acham que na Gronelândia serão tramados pelo mar Artico desencadeando um motim a bordo.

Filmamos a bordo do Lugre Santa Maria Manuela, quinze dias em mares da Noruega mais 3 em Portugal a simular o Artico, outros quatro dias em estúdio onde a direção de arte construiu de forma brilhante o “rancho” (onde os pescadores comiam e dormiam) em cima de um sistema de pêndulo para simular o balanço do navio e três dias no interior do Lugre Creoula para fazer os interiores da Messe dos Oficiais.

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A Câmara usada foi uma Alexa Mini. Foi quase tudo filmado com câmara à mão com objetivas Cooke S4i no formato 2.39 esférico captado em Arri Raw.

A bordo do Lugre só numa cena usamos luz artificial, de resto filmamos sempre com luz natural, e fomos abençoados pela bela luz do hemisfério norte.

A chefia da equipa técnica coube a David Vasquez como Focus Puller, Pedro Paiva como Gaffer e Tiago Caires como maquinista. Muito colaboraram para o sucesso da empreitada que foi fisicamente muito exigente, pois filmar em barcos obriga a uma capacidade de adaptação às circunstancias náuticas e climáticas fora do normal.

A estreia está prevista para meados de 2019»

texto e fotos – Associação de Imagem Portuguesa.



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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
Apresentações.

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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
A preto e branco.

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A pesca do bacalhau pelos portugueses foi dura, mas muito bela em certos aspectos. Esta foto mostra o lugre “Hortense” e um pescador a aproximar-se do seu navio para descarregar a farta carga de bacalhau que lhe preenche todo o dóri. Foto de Eduardo Lopes, 1951-53.



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Sábado, 20 de Abril de 2019
“Senhor Deus dos Desgraçados”.

«Marco Lourenço filmou a “grande história trágico-marítima” Todas as terras de pescadores têm as suas tristes histórias de naufrágios, de vidas a lamentar, levadas pelo mar cruel e ingrato que lhes põe o pão na mesa, francisco adrmas nenhuma provocou tantas lágrimas como a da madrugada de 2 de Dezembro de 1947.
Nessa noite, quatro traineiras e cento e cinquenta e dois homens desapareceram ao largo de Matosinhos, havendo apenas seis sobreviventes, que, quase por milagre, escaparam à fúria das ondas dessa madrugada de temporal.
Os gritos ouviam-se na praia, mas as pessoas sentiam-se impotentes para ajudar aqueles que gritavam por socorro. Para além disso, um dos aspectos mais trágicos do naufrágio prende-se com o facto de muitos pescadores terem dado à costa ainda com vida, mas há testemunhos que afirmam que a polícia Marítima, com medo do contrabando, disparou tiros para o ar, afastando, assim, quem na praia tentava socorrer os pescadores.
As vítimas eram oriundas não só de Matosinhos, como também de Espinho, Ovar, Póvoa de Varzim, Mira, Setúbal, o que fez com estas terras piscatórias ficassem unidas para sempre, marcadas pelo mesmo sentimento de dor e de perda.
Este foi o mote para Marcos Lourenço realizar um documentário intitulado “Senhor Deus dos Desgraçados”. Na verdade, este licenciado em Cinema, pela Escola Superior Artística do Porto, cresceu ouvindo esta história, quando a data do naufrágio se aproximava.
O avô de Marcos Lourenço, família de pescadores, esteve ligado a este drama e, talvez, as razões afectivas tenham levado à realização do documentário, que é também uma forma de não deixar cair no esquecimento a tragédia que destruiu as traineiras D. Manuel, Rosa Faustino, as únicas onde houve sobreviventes, Maria Miguel e S. Salvador.
No início, o trabalho, feito no âmbito da Faculdade, apenas iria abordar uma perspectiva mais restrita, mas à medida que a investigação aumentava e o estudo ia ganhando forma, o realizador percebeu que não seria ”só um trabalho para a Faculdade”, mas passou a ser “um trabalho para servir a cidade”, até porque “Matosinhos não deve esquecer os seus verdadeiros heróis”.
Por ter ficado impressionado com esta tragédia , que deixou centenas de casas sem pão e provocou dezenas de órfãos, o autor gostaria de divulgar o documentário para, deste modo, dar a conhecer Matosinhos, terra que vivia exclusivamente do mar. “Quem nasce pescador, morre pescador”, por isso, por mais arriscada que seja esta profissão, não é possível para um pescador abandoná-la.
Para poder recolher mais informação, Marcos Lourenço procurou “as pessoas certas”, tendo ficado a saber que, nessa noite, quatro traineiras, apesar dos avisos, se fizeram ao mar e regressavam carregadas de sardinhas, quando o temporal arruinou o sonho de mais de uma centena de homens. Parece até que o número de vítimas não será certo, pois a bordo poderiam estar também várias crianças.
Durante a pesquisa que efectuou, o realizador foi confrontado com versões por vezes contraditórias, o que torna o traba­lho, por vezes, mais difícil. Dos seis sobreviventes do naufrágio, José Pereira Dias “Canário”, José Ruela, António Dias “Cantora”, Manuel Maria “Acabou”, José Pinho Rebeca, José Pinheiro, dois ainda estão vivos.
José Pinheiro, que só tinha 19 anos na altura do acidente, é uma das testemunhas vivas, que se salvou depois de ter estado três horas dentro de água, agarrado ao colete, e que contou ao realizador vários pormenores importantes para a compreensão dos acontecimentos que antecederam o naufrágio: a viagem até à Figueira da Foz, a chegada a Aveiro, o aumento do vento, a entrada na barra de Matosinhos, o afundar dos barcos, a aflição dos homens e da população.
Maria Emília, 89 anos, viúva de um pescador, contou a Marcos Lourenço que o seu marido estava doente na altura, mas que mesmo assim teve de ir trabalhar, o que atesta bem das condições de vida dos pescadores. Manuel Cheta, pescador à época no barco Nossa Senhora das Neves, também prestou o seu depoimento ao realizador, contribuindo para que a visão dos factos seja mais completa e viva.
Este naufrágio teve um impacto mundial, tendo chegado a vir subsídios dos EUA, para além dos atribuídos pela Sociedade Mútua de Seguros do Grémio dos Armadores da Pesca da Sardinha, no valor de 221$85.
Para poder efectuar este documentário, Marcos Lourenço procurou dados durante um ano, mas como contou ao MH “ainda na semana passada descobri um sobrevivente, numa associação de pescadores. Desconhecia esse facto”.
Quanto aos apoios, o autor diz que a autarquia facultou imagens de arquivo e que no próximo dia 2 de Dezembro, o documentário será projectado na Casa dos Pescadores, tendo sido muito bem recebido por Delfim Nora, no entanto, o desejo de Marcos Lourenço é que o filme seja exibido no Salão Nobre da Câmara.
Marcos Lourenço considera que “os novos matosinhenses recusam o estatuto de terra de pescadores” e o seu desejo é lutar contra isso. “Se existem heróis estão em Matosinhos”, e este trabalho pode ser um contributo fundamental para dar a conhecer esses homens.
“Era uma vida muito dura, a vida do mar”, recorda este neto de pescadores que não quer que a memória do seu avó e dos outros homens do mar se apague dos matosinhenses.
Passados sessenta anos, Marcos Lourenço sente que “tinha obrigação de fazer isto por eles e não por mim. A história é deles. O documentário está muito humano” Na verdade, o autor não quer que as vítimas sejam esquecidas e quer que a vida dos pescadores seja sempre admirada e respeitada. O filme será uma maneira de “prolongar a memória da geração que viveu a tragédia”, acredita o cineasta.»

 
In Matosinhos Hoje – 26-09-2007.
 
Foi através do jornal mensal MARÉ que descobri a existência deste filme e tenho tentado obtê-lo faz já algum tempo. No entanto a partir do estrangeiro onde me encontro não tem sido fácil obter o filme.
Tal como o Marcos Lourenço, fazemos parte da 1ª geração que deixou a vida do mar profissionalmente, na sua maioria, mas a obrigação de registar e dar mérito às nossas gerações passadas é fulcral. Só há que agradecer ao realizador por ter levado parte da sua obrigação a bom porto. Cabe-nos a muitos de nós continuar a desenvolver esta mesma obrigação.
 
Trailer do documentário "Senhor Deus dos Desgraçados".


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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019
Aquele Portugal.

 

A Nazaré.



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Sábado, 9 de Fevereiro de 2019
Arte marítima.

Edward William Cooke - Seascape 2

Entrada num porto holandês com ventos fortes e a necessidade de conduzir o barco à sirga.

“Seascape 2” - Edward William Cooke



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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2019
A preto e branco.

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A Póvoa de Varzim em 1953 pela objectiva de Artur Pastor, com uma velha mulher do mar poveiro sentada nas traseiras da igreja de Nossa Senhora da Lapa, de frente para o mar.


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publicado por cachinare às 19:58
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
O navio medieval de Newport, c.1450.

O navio medieval de Newport é uma embarcação mercante do século XV, descoberto no centro de Newport, País de Gales, em 2002. Os trabalhos na zona ribeirinha para um novo centro de artes nas margens do rio Usk pararam na altura para que as excavações pudessem decorrer e desde então que todas as madeiras têem sofrido um processo de conservação, de modo a que o navio possa ser exposto ao público.

 

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O navio era uma formidável embarcação de 3 mastros, medindo cerca de 30 metros de comprimento e capaz de carregar cerca de 170 toneladas de carga. O exame aos artefactos e restos encontrados a bordo sugerem que o navio provavelmente fazia a rota comercial Bristol-Lisboa.

 

Através da dendrocronologia (estudo dos anéis do tronco das árvores), concluíu-se que as árvores usadas na construção do navio foram cortadas cerca de 1449 no País Basco, hoje em dia dividido entre Espanha e França, onde muito provavelmente foi construído. Chegou a Newport para reparações ou reaparelhamento cerca de 1469, mas os trabalhos indicam que estava a ser desconstruído, significando que teve uma vida útil de 20 anos.

Através disso, ainda em Newport, o berço que suportava o navio cedeu. O casco ficou inundado e a maioria do navio foi desmantelado, deixando apenas as obras vivas que nos chegaram ao dia de hoje.

 

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Este navio foi construído segundo o método de tabuado trincado, (casco de tábuas sobrepostas), método favorito no Norte da Europa e País Basco até ao periodo do Renascimento.

Os navios que partiam do mar de Severn (nome da altura para o canal de Bristol) passavam apenas 3 ou 4 meses no mar por ano; a maioria do seu tempo era passado em portos estrangeiros, onde as suas cargas iam sendo vendidas e se procedia à compra de outros produtos para a viagem de regresso a casa. Os marinheiros galeses e ingleses na rota de Lisboa passavam mais tempo em Portugal do que nas suas casas ou no mar.

 

Os historiadores, tentando perceber como o navio acabou em Newport, afirmam ser provável que a Guerra dos Cem Anos (1453) e o começo da Guerra das Rosas em Inglaterra (1455-85) tenham tido um papel fundamental.

A perda de Bordéus forçou os mercadores ingleses a concentrarem-se fortemente em Portugal durante a década de 1460-70, de onde compravam o vinho. Mas Castela, Espanha, mantinha-se como inimiga e os bascos estavam proibidos de vender navios aos ingleses. Por isso, é provável que o navio medieval de Newport tenha passado de mãos bascas para inglesas por arrestamento.

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Entre os objectos encontrados no navio, é de realçar algumas moedas. Uma delas é um “petit blanc” (“pequena branca”), moeda de pouco valor descoberta debaixo do pé do mastro principal. Na altura a superstição para boa sorte dizia que um navio mercante que não tivesse dinheiro, condenava o seu armador ao fracasso. A moeda é uma das 65.000 ordenadas pelo Delfim de França, mais tarde Luís XI, cunhadas entre Maio e Julho de 1447 na cidade de Cremieu.

Além do petit blanc, foram encontradas mais 4 moedas, todas portuguesas. São 3 ceitis e 1 real preto. O ceitil associa-se a D. Afonso V, que reinou a partir de 1438. Era uma moeda de cobre introduzida por D. João I, que foi cunhada em grande quantidade por D. Afonso V. O real preto, também de cobre, é da altura de D. Duarte I, pai de D. Afonso V.

 

 

fontes/imagens:

http://www.newportship.org/

http://www.medievalists.net/2018/06/what-we-are-learning-about-the-newport-medieval-ship/

https://www.peoplescollection.wales/items/19195



publicado por cachinare às 23:09
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