Domingo, 30 de Novembro de 2008
Arte marítima.

Waiting for the Boats  -  Walter Langley

 
Esta obra de Langley, pintor Inglês nascido em 1852, retrata mulheres e familiares dos pescadores da Cornualha, aguardando o regresso dos barcos da faina. Em todo o conjunto verifica-se o tom de preocupação e incerteza, provavelmente de algum barco que já devia ter regressado e teima em não aparecer no horizonte. Tal como eu cresci a ouvir nas Caxinas, e em minha casa, a mulher do pescador está sempre “de coração nas mãos” e mesmo hoje em dia com mais meios de segurança, o sentimento ainda ronda ao mesmo, pois todos sabem que o mar tem vontade própria.


publicado por cachinare às 18:55
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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008
A preto e branco.

Foto que mostra a operação de salvamento do arrastão Francês “Jeanne Gougy”, naufragado a 3 de Novembro de 1962 na costa da Cornualha. O sargento Eric Smith decidira descer ao navio para a operação de resgate dos homens na casa do leme. Recebendo ordens para se manter sempre engatado ao cabo, entrou na casa do leme e descobriu 2 sobreviventes, os quais resgatou em separado. Relatos de um 3º homem a bordo fizeram com que Eric tivesse de voltar à casa do leme e fazer-se chegar até ao posto de rádio do navio, prendendo-se ao leme. Ninguém foi encontrado e para regressar ao helicóptero, no maior risco em tamanha força de mar, foi preciso voltara a engatar-se ao cabo de terra.
Após 7 horas de trabalho sob temporal intenso e mar constantemente a cobrir o navio, as equipas de salvamento Inglesas resgataram 6 sobreviventes da casa do leme. 12 homens incluindo o capitão perderam a vida neste naufrágio.


publicado por cachinare às 08:47
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
Fim à vista para o ex-bacalhoeiro “Argus”.

O mítico navio bacalhoeiro da frota portuguesa, “Argus”, imortalizado por Alan Villiers na viagem de pesca que fez nele no princípio dos anos 50, encontra-se desde há vários meses apresado num porto da ilha de Aruba, próximo da costa da Venezuela.

Utilizado para fins turísticos nas caraíbas desde há cerca de 30 anos, longos problemas financeiros do proprietário levaram em 2007 à paragem dos seus navios e o “Polynesia II”, registado em Grenada esteve a leilão em Aruba pela 3ª vez desde Setembro último. Ao que parece, ninguém tem interesse no navio devido ao seu avançado estado de degradação de inúmeros anos sem manutenção. Quando o navio deixou a pesca e começou a ser totalmente transformado para cruzeiros, todo o aparelho vélico foi alterado, interiores e o casco enchido com cimento, como forma de lastro. Como é sabido no meio náutico, a junção de cimento a um casco em aço mais a água do mar são extremamente corrosivos com o passar dos anos e daí o mau estado do navio. Para mais, a falta de manutenção fez hoje do ex-”Argus” um navio com o fim anunciado, com problemas e desgaste a vários níveis, incluindo infestações de insectos e ratos. Está assim há meses atracado no porto de Aruba à espera de uma decisão.
Sendo um navio bastante conhecido no meio turístico da região, o seu destino vai sendo seguido por um grupo de admiradores e de ex-trabalhadores que não recebem pagamento de vários meses. No primeiro leilão foi estimado um preço inicial entre 250.000 e 300.000 dólares e ninguém lhe pegou, pois o custo da recuperação necessária é enorme. Fala-se que será adquirido pelo governo de Aruba para ser afundado e servir de recife artificial, como turismo subaquático.
Este é o relato de uma passageira: “O meu marido e eu embarcamos no último cruzeiro do “Poly” no ano passado, em Setembro de 2007. Depois de o deixarmos, navegou na tarde seguinte para o seu último destino actual e por experiência própria posso afirmar que não se encontrava no melhor estado já naquela atura. Tínhamos embarcado nele em Agosto de 1998 e ficamos muito surpreendidos por ver como o seu estado se deteriorara comparado com aqueles anos. O convés estava numa condição terrível, mole e esponjoso em muitas partes e coberto com fita isolante a tapar buracos e pontos desgastados. Tudo apresentava um certo estado de envelhecimento, comparado com o que era 9 anos antes e lembro-me de comentar com o meu marido o facto de parecer que ninguém se importava em cuidar do navio desde há muito tempo. Não sendo conhecedora de navios, não poderei comentar o estado do seu casco ou detalhes técnicos, mas do ponto de vista das aparências, o navio necessitava de muito trabalho para o fazer voltar ao que era antes”.
 
Este lugre bacalhoeiro construído em 1939 na Holanda é em tudo semelhante ao “Creoula” e “Santa Maria Manuela”, embora com mais capacidade de porão e outros detalhes técnicos mais refinados e evoluídos nas suas dimensões. É o “terceiro cisne branco”, como ficaram conhecidos estes navios e custa de certo modo ver que o seu fim se aproxima desta forma em nada respeitando o seu passado e dos homens que nele árduamente pescaram. Imortalizado mundialmente em livro, revistas, fotos e filme, é um pedaço da história de Portugal e do que representou a Pesca do Bacalhau que desaparece. É talvez o navio bacalhoeiro português mais famoso de sempre, juntamente com o “Gazela Primeiro”.
Custa ainda mais que seja um navio esquecido em Portugal e que tal como a Pascoal & Filhos fez ao adquirir o casco do “Santa Maria Manuela” para recuperação total, não surja nenhum mecenas em Portugal que o recupere para os mais variados fins. O “Creoula” e o “Santa Maria Manuela” são duas provas de que tal é possível e Portugal agradece muito.
Num país desde sempre ligado ao Mar, seus navios e barcos, não há ninguém ou instituição, grupo empresarial, Fundação ou demais que possa utilizar este pedaço de história em prol próprio e do seu país?
 
A 1ª imagem mostra o já “Polynesia II” numa edição postal comemorativa da ilha de Nevis, no Sul das caraíbas, em 08.10.1980, provavelmente a sua viagem inaugural em cruzeiros. Na imagem 2, o “Argus” fundeado em Belém, para a cerimónia de Bênção dos Bacalhoeiros em princípios dos anos 40.
 
Links de interesse:
Revista da Armada, Março de 2005 – A história do “Argus”.
O “Argus em Lisboa” - lmc-creoula.blogspot.com.


publicado por cachinare às 08:59
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
Arte marítima.

Running by  -  Thomas Hoyne

 
Nesta obra de Hoyne, a nova escuna “Shepherd King” é mostrada a passar pela “Norumbega” no ano de 1905. “Norumbega”, na língua nativa dos Algonquin, significa “águas calmas” e estas escunas de pesca da Nova Inglaterra são consideradas por muitos como os mais belos veleiros jamais construídos. A sua eficiência e velocidade combinavam com uma graciosa beleza de formas. Nenhuma outra classe de navios ostentava uma relação tão próxima entre embarcação e tripulação.
Quanto à escuna “Shepherd King”, no New York Times de 14 de Julho de 1907 lia-se assim: «Sob um pesado manto de nevoeiro na passada sexta-feira de manhã, outra escuna de pesca foi afundada ao largo de Nantucket por um transatlântico que chegava. Desta vez calhou ao barco de pesca de 74 toneladas “Shepherd King”, o qual foi mandado para o fundo juntado a sua ossada às muitas outras embarcações que por lá se encontram.
O navio que fez naufragar os pescadores foi o vapor Russo “Saratov”, vindo de Roterdão e Libau. Chegou ontem, trazendo a tripulação do “Shepherd King”. Não se perderam vidas, pois o acidente ocorreu pelas 8h45 da manhã, quando todos já se encontravam no convés.
O “Shepherd King” foi atingido ao largo da zona Sul dos baixios do Georges Bank e afundou-se quase de imediato. Os resgatados incluem o Capitão J. Brigham, sete pescadores de Boston, quatro do Maine e um da Terra Nova. O Capt. Brigham, um velho pescador grisalho, narrou assim o sucedido: “Estávamos há 16 dias saídos de Boston e a arpoar espadarte. Andávamos com sorte e tínhamos 86 grandes peixes no nosso porão, 1.050 quilos de peixe. Na quinta-feira à noite começou a engrossar a névoa e na sexta de manhã mal se via. Havia uma leve brisa de su-sudoeste e navegávamos calmamente. Frank Watts, o homem da Terra Nova, encontrava-se adiante aguardando para ajudar a meter o peixe arpoado para dentro do navio. Cerca das 8h45, estava eu no púlpito com um arpão de cinco metros e meio pronto a lançar quando Watts gritou “Vapor adiante”. Corri então à ré, ao homem do leme e gritei-lhe para que se mantivesse ali. Não houve tempo para fazer mais nada, pois nesse momento a proa do vapor estava em cima de nós. Embateu-nos com força do lado de estibordo, perto do cordame principal e literalmente desfez-nos em pedaços, traçando-nos a ¾.
Havia quatro dóris no convés e conseguimos lançar um borda fora. Foi uma questão de o fazer rapidamente. Arrastámo-nos até ao pequeno bote à medida que a água entrava no convés e tivemos de nos afastar com os remos para evitar ser engolidos pelo turbilhão. Um ou dois segundos mais tarde a escuna estrebuchou e afundou-se.
Watt aproximara-se mal a escuna sofreu o embate e levou consigo 4 homens. O “Saratov” parou mal nos bateu mas já não havia necessidade de lançar um barco à água, uma vez que estávamos já junto dele. Subimos a bordo e ficámos muito contentes quando vimos que todos se haviam salvado.”
Segundo o Capitão do “Saratov”, este seguia lentamente à marcha de nove nós. Através do nevoeiro ouviu de repente uma ronca próxima da proa. Antes que algo pudesse ser feito para evitar a colisão, a proa do vapor Russo embatia no “Shepherd King”. O Capitão afirma que manteve o seu assobio de aviso a intervalos frequentes.»


publicado por cachinare às 08:58
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
A preto e branco.

 

Foto de 1955 da autoria de A. Aubrey Bodine, intitulada “Berço das Profundezas”, mostrando uma velha escuna de cabotagem semi submersa na Sonda de Tangier, parte da Baía de Chesapeake, Virgínia, E.U.A.. É uma zona de inúmeras ilhotas interligadas por pontes de madeira, cujos habitantes são na sua maioria pescadores que vivem da apanha de crustáceos e ostras.


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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008
Franco e o rapto dos barcos tradicionais Portugueses - destino: Madrid.

«O historiador espanhol Manuel Ros Agudo revelou recentemente um plano de invasão militar de Portugal pela Espanha de Franco, no início da Segunda Guerra Mundial. O plano foi elaborado no contexto de uma quase certa guerra com a Inglaterra.
Para tanto, Madrid tratou de preparar um ataque surpresa a Gibraltar, a que - segundo os estrategos espanhóis - Londres responderia pela ocupação das Canárias e por um desembarque em Portugal, visto como 'testa de ponte' da invasão da Península. O Estado-Maior militar de Franco preparou então uma vasta manobra de antecipação, que passaria pelo ataque a Gibraltar e por uma "invasão preventiva" de Portugal.

A invasão seria precedida de um ultimato, com um prazo praticamente impossível de cumprir e que o historiador calcula que seria de 24 a 48 horas. Os termos da invasão fazem parte do 'Plano de Campanha nº 1(34)', um estudo de 120 páginas, elaborado pela Primeira Secção, de Operações, do Alto Estado-Maior (AEM) durante a segunda metade de 1940.
O plano foi apresentado a Franco a 18 de Dezembro. O objectivo final da invasão, por terra, mar e ar, era "ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa". Em termos de efectivos do Exército, seriam mobilizadas dez divisões de infantaria e uma de cavalaria, quatro regimentos de carros de combate, oito grupos de reconhecimento e oito regimentos mistos de infantaria - num total de 250 mil homens. Ou seja: o dobro dos meios humanos de que Portugal poderia dispor.
O desequilíbrio era tal que, ao máximo de cinco divisões que Portugal poderia organizar, a Espanha responderia, logo à partida, com 25 divisões. A Força Aérea, por seu turno, participaria com cinco grupos de bombardeamento e dois de caça, duas esquadrilhas de reconhecimento, quatro esquadrilhas de caças Fiat CR-32 e dois grupos de assalto. Para tanto, as autoridades de Madrid contavam com o apoio quer da Alemanha quer da Itália. À Marinha estaria reservada uma missão de menor relevo, já que se temia uma forte reacção da poderosíssima armada britânica, que não deixaria de apoiar Lisboa.
As forças espanholas seriam organizadas em dois exércitos, que actuariam a norte e a sul do Tejo. O primeiro avançaria ao longo da linha Guarda, Celorico da Beira, Coimbra e Lisboa; o segundo, pela linha Elvas, Évora e Setúbal. O objectivo fixado pelo plano de operações era "ocupar rapidamente Lisboa e dividir o país em três partes, por forma a facilitar a conquista de todo o território". Sabe-se como a Segunda Guerra Mundial não confirmou os receios de Espanha, que, tal como Portugal, acabou por não entrar directamente no conflito.
Assim, o referido plano foi arquivado, permanecendo em segredo durante 68 anos, até que o historiador Manuel Ros Agudo o revelou no livro 'La Gran Tentación' (ed. Styria). O autor explicou ao Expresso que "o plano da invasão é uma novidade absoluta, já que ficou guardado em segredo até hoje". Ros Agudo adiantou que há um exemplar do plano no arquivo do Estado-Maior da Defesa e outro no arquivo pessoal de Franco. O autor diz não possuir dados que lhe permitam saber quais os planos políticos posteriores à invasão. Um episódio temporário ou uma absorção? Agudo transcreve uma conversa de Setembro de 1940, em Berlim, na qual o ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, Serrano Súñer, disse ao homólogo alemão, Ribbentrop, que, "ao olhar para o mapa da Europa, geograficamente falando Portugal não tinha direito a existir". Agudo admite que "Madrid não via com maus olhos uma integração ibérica de Portugal em Espanha".»
 
José Pedro Castanheira – Expresso.

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Domingo, 23 de Novembro de 2008
Arte marítima.

Accostage Difficile”  -  Georges Philibert Maroniez

 
Gravura de uma pequena comunidade piscatória algures na Bretanha, França por inícios do séc. XX, mostrando a dificuldade de um pequeno barco em fazer-se à praia e o desespero de quem presencia e pouco pode fazer. A aparente serenidade dos dois homens sentados à direita denota o quão frequentes eram estas situações de quem vai ao mar para não passar fome, mesmo em dias que ameaçavam temporal.


publicado por cachinare às 11:33
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Sábado, 22 de Novembro de 2008
A preto e branco.

Outra foto de MacAskill que mostra a escuna de pesca nos Grandes Bancos “Independence”, no porto de Halifax, Nova Escócia. A embarcação é do tipo “knockabout”, sem gurupés na proa. Os grandes lugres bacalhoeiros à vela (e motor) da frota Portuguesa sofreram as mesmas alterações nos anos 30 e 40, abandonando o uso do gurupés. No entanto a sua beleza manteve-se, tal como nesta escuna norte-americana.


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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
Arte marítima.

Arsenal  -  Steve Farrow

 
O “Arsenal” foi um de quatro grandes navios arrastões de pesca no profundo construídos nos anos 50 para a Consolidated Fisheries. A companhia tinha por hábito dar nomes de clubes de futebol aos seus navios.
Esta unidade foi construída em 1957 por Cook, Welton & Gemmel em Beverly, Yorks, Inglaterra. Após uma carreira de pesca nas águas da Islândia e do Mar Branco, foi desmantelado em 1975.


publicado por cachinare às 08:10
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
“A Grande Aventura”, em Bruxelas.

 

 “A Grande Aventura - a pesca do bacalhau, memória da Terra Nova”

Co-Produção:Francisco Manso e RTP2 (52 m)
 
Realização de Francisco Manso e guião de Álvaro Garrido.
 
Em presença do realizador e do guionista (director do Museu de Ílhavo) e ainda de Xavier Queipo (biólogo, inspector de pescas e escritor), Fernando Cardoso (jurista CE Pescas) e Lucinda Afreixo (intérprete CE)
 
Os depoimentos que preenchem este filme revelam-nos homens de afoito e sabedoria, que se fizeram no confronto com os mares frios da Terra Nova e da Gronelândia… Pescadores e capitães contam as venturas e desventuras das suas viagens ao “cabo do mundo”, relatam-nos o que sentiram e viveram durante longos anos de mar. São depoimentos que impressionam, que evocam e esclarecem o modo de pescar português entre os anos quarenta e setenta do século XX…O problema da escassez de recursos biológicos, a resposta do Direito do Mar e as transformações mais recentes da indústria de pesca e transformação de bacalhau completam o documentário.
(da Nota de Imprensa)
 
No Thêatre Marni
25, rue Vergnies, 1050 Bruxelles, 02/6390980
(a 50m da Pl. Flagey)
  
Sábado, 22 de Novembro de 2008, às 19 horas
 
Organização:
  
Orfeu, livraria portuguesa e galega
Willem de Zwijgerstraat, 43, Rue du Taciturne
B- 1000 BRUSSEL / BRUXELLES
België / Belgique
Tel/Fax: +32 (0)2 735 00 77
orfeu@skynet.be        
http://www.orfeu. net

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
A preto e branco.

Construção de uma escuna de pesca em Lunenburg, Nova Escócia, Canadá nos anos 30. Para além da sempre interessante visão e posição das múltiplas cavernas, repare-se nos finos troncos que as mantêm em posição, as chamadas “armadouras”, que seguram a simetria do navio até começar a “vestir” o casco com as pranchas exteriores. As “cintas” superiores também ajudam nessa função. Alguns dos trabalhadores estão a furar as cavernas, onde depois entrarão as cavilhas que “pregam” o tabuado à caverna. Os furos ajudam a que as madeiras não sejam forçadas e rachem.


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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
“Regresso ao Litoral – Embarcações Tradicionais Portuguesas”.

 

No próximo dia 24 de Novembro, pelas 17:30, terá lugar no Museu de Marinha, em Lisboa, a apresentação do novo trabalho levado a cabo pela Drª Ana Maria Lopes, relacionado com as embarcações tradicionais de Portugal e o seu actual estado. O evento estará a cargo do Professor Dr. Álvaro Garrido, actual Director do Museu Marítimo de Ílhavo.
Percorrendo vários pontos da costa, esta obra apresenta uma análise “ao estado dos barcos e artes”, comparando os resultados com as décadas passadas desde os anos 60, o que se perdeu e o que se terá mantido e alterado. É sem dúvida uma obra necessária para a visão actual desta importante faceta de vida e trabalho em Portugal (a pesca e transporte fluvial), sendo ao mesmo tempo um aspecto cultural de enorme importância para o país, pois vários guias turísticos de Portugal editados no estrangeiro apresentam na capa precisamente uma das suas belezas mais características: os barcos, de formas únicas e coloridos.
Há uma grande necessidade de despertar cada vez mais consciências para a importância dos barcos tradicionais e tudo o que os rodeia. A Galiza e o seu trabalho desenvolvido nos últimos 15 anos são um óptimo exemplo de sucesso, existindo hoje cerca de 42 associações centradas nos barcos tradicionais locais e barcos (recuperados e novos) são às dezenas. Três dessas associações são de Vila do Conde, Esposende e Viana do Castelo, o que denota a falta de um organismo em Portugal onde se centre este sector potenciador de trabalho, turismo e manutenção de artes tradicionais de construção naval em madeira. Se Portugal sempre foi e é um “país de mar”, comprovado hoje em dia ainda pelo grande número de pescadores e pelo grande turismo “litoral”, será estranho que não se mantenha e recupere a base da vida no mar e no rio, que é o Barco.
A obra terá uma 2ª apresentação em Ílhavo, no dia 29 pelas 17:00, a cargo do Comandante Rodrigues Pereira.


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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Arte marítima.

 

Closehauled for the Finish”  -  John Mecray
 
Obra representativa de uma regata de yachts em 1932, na qual a escuna de construção americana “Westward” competiu contra o “Britannia” do Rei Jorge V durante um percurso de 45 milhas, passando por um forte temporal e terminando com névoa.


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Domingo, 16 de Novembro de 2008
A preto e branco.

Cena de convés e temporal numa escuna de pesca nos Grandes Bancos da autoria de W.R. MacAskill, afamado fotógrafo dos anos 20 e 30. Força de navegação só para alguns.


publicado por cachinare às 11:49
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008
FGCMF - Federación Galega pola Cultura Marítima e Fluvial.

«Com a celebração de um encontro de embarcações tradicionais no Verão de 1993 nas águas de Ribeira, na costa noroeste da Ria de Arousa, começou de facto a travessia da Federação Galega pela Cultura Marítima, ainda que a sua existência legal seja de finais de 1994. Desde a criação, a sua sede encontra-se na costa leste da mesma ria, em Cambados, vila pioneira no associativismo do mar e onde se fundou em 1917 o primeiro Centro de Marinheiros e Mariscadoras de todo o Estado espanhol.

Dionísio Pereira, primeiro presidente da Federação, tem escrito sobre os sonhos e o entusiasmo da gente das três associações da altura da fundação que ininterruptamente formaram parte deste organismo (“Dorna Meca”, do Grove, “Etnográfico Mascato”, de Cambados e “Cofradía da Dorna”, de Ribeira) e das associações que participaram no processo constitutivo, mas que desapareceram ou não se integraram.
Com o constante apoio de pessoas alheias à Federação – particularmente a de Staffan Mörling, o sueco de Beluso que dignificou os barcos dos pobres e a de Lino Lema, que desde a Consellería de Pesca da Xunta de Galicia sempre apoiou o movimento associativo de recuperação das embarcações e da cultura marítima tradicional – com muito voluntariado e com muito amor à navegação e a um património muito pouco valorizado, a tripulação das associações pioneiras foi quem foi contagiando o seu entusiasmo a muita outra gente do litoral galego (e do norte de Portugal), embarcando na travessia de revitalizar e dar valor a um património marítimo numa situação tão crítica em inícios dos anos 90, que tal como disse Xavier Trepat “até os mais optimistas eram pessimistas”.
Depois de um encontro de embarcações nas águas do Grove em Julho de 1997, a Federação, em palavras de Dionísio “ficou em terra, sem directivas nem actividade nenhuma”, enquanto as associações mantinham acesa a chama de dar valor a este património. No Verão de 1999, Xavier Trepat ocupou a presidência ao reorganizar-se a Federação com a integração de novas associações, salientando-se a “Cultural Dorna”, da Ilha de Arousa, organizadora da veterana regata de dornas em volta da ilha e que já participara na fase prévia de constituição nos começos dos anos 90. Nos últimos anos, passando pela presidência de Xaquín Cuíñas e na actual de Fernando Piñeiro, icorporaram-se muitos e diversos colectivos que defendem a cultura dos mares e dos rios.
Actualmente são 38 as associações que compõem a FGCMF. Delas, 36 são da beira-mar, desde Burela nas costas da província de Lugo a Viana do Castelo, já na costa minhota portuguesa, pois a Federação é Galega da Gallaecia; a estas juntam-se duas associações de barcas dos rios Minho e Sil, que se integraram em finais de Novembro de 2003, nos mesmos dias em que a gente da costa, desolada e impotente, via o negro petróleo do “Prestige” a invadir o meio que sempre lhes permitira viver.
A cada dois anos, no Verão, a FGCMF celebra o Encontro de Embarcações Tradicionais da Galiza, tornando-se na “Grande Festa da Cultura e do Património Marítimo e Fluvial”. O primeiro, como já dito, realizou-se em Ribeira (1993) e os seguintes em Coruxo (1995), O Grove (1997), Rianxo (1999) – este organizado pela Escola-Obradoiro de carpintaria de ribeira “A Xeiteira”, quando a Federação estava suspensa - , Poio (2001), Ilha de Arousa (2003), Cambados (2005), [[Ferrol (2007) e futuramente Muros (2009)]].
No pioneiro Encontro de Ribeira navegaram apenas duas dúzias de barcos tradicionais, enquanto que no de Cambados se inscreveram 122 barcos (cerca de 170 com os não inscritos), que vieram de todo o litoral da Galiza e também de Portugal, Euskadi (País Basco), Irlanda e litoral mediterrâneo espanhol. Nunca tantos tipos diferentes de embarcações e de velas tradicionais se viram a navegar num encontro da FGCMF e nunca tantos tripulantes velejaram juntos – inscreveram-se 755 – o que demonstra a vitalidade do património marítimo, particularmente do galego e a força de um movimento associativo socialmente ainda bem pouco visível para a maioria da população. Esteve mesmo presente uma rudimentar lancha da vindima de Chantada, das que navegavam pelo rio Minho.
Em 2007 celebrou-se no Ferrol o VIII Encontro, onde de novo se mostrou a riqueza do património marítimo e fluvial da Galiza (e de países banhados pelo Atlântico e Mediterrâneo) e a necessidade de o conservar, servindo para demonstrar as possibilidades económicas do desenvolvimento das acções sobre a cultura e o património marítimo e as vias que se podem abrir para actividades que gerem emprego, sem desgaste do meio marinho e fluvial. No Encontro da Ilha (2001), institucionalizou-se a presença de um convidado de honra, que nesse ano foi Portugal, enquanto que no de Cambados foi o Mar Mediterrâneo e no de Ferrol a Bretanha.
 
A FGCMF funciona em assembleia com três reuniões anuais ordinárias. Desde 2001 que conta com um boletim interno, “O Apupo”, onde se dá conta da vida associativa da Federação e que se distribúi em papel e pela internet e para substituir a publicação bi-anual que se editava desde o Encontro de Coruxo, lançou-se a “Ardentía”, revista de cultura marítima e fluvial dirigida por Luís Rei, da qual saíu o primeiro número em Junho de 2004 com o património imaterial marítimo-fluvial como tema para assim apoiar a Candidatura de “Ponte nas Ondas” das Tradições Orais Galaico-Portuguesas como Património da Humanidade. Em Março de 2007 saíu o nr. 4, dedicado à mulher marinheira, porque nos mares também trabalham mulheres.
(...) A FGCMF realizou recentemente uma exposição sobre o património marítimo e fluvial centrada nas embarcações. O objectivo foi mostrar de forma didática a rica tipologia dos barcos tradicionais, a sua evolução e uso actual bem como a diversidade de contornos socio-culturais e ambientais nos quais nascem e se desenvolvem. Esta exposição esteve no Encontro do Ferrol e em Julho de 2008 em Brest, França, na Festa das Tradições Marítimas, onde a Galiza foi convidada de honra juntando-se à Noruega, Suécia e Vietnam.
À parte de potenciar a recuperação e reabilitação de muitos e diversos barcos tradicionais por parte das associações federadas, de elaborar informação e exposições do património e de difundir o seu valor e o seu deficiente estado de conservação, a FGCMF participa nas manifestações culturais marítimo-fluviais da Península Ibérica (Portugal, Euskadi, Catalunha e Andaluzia) e de outras zonas, particularmente na Bretanha, como na festa bi-anual do mar de Douarnenez onde foi convidada de honra em 2000, ou a de Brest de 4 em 4 anos.
Hoje a Galiza está na vanguarda da recuperação do património marítimo-fluvial e é uma clara referência para as várias federações ibéricas que estão a surgir. Tal como referiu Staffan Mörling em inícios de 2006, esse trabalho “surgiu aquando o da Bretanha francesa ou Noruega, mas não por imitação e sim sempre com mais gente nova que todos os dias mostrava interesse em construír e deitar à água mais dornas” (um dos barcos mais apreciados da Galiza).
A FGCMF nunca teve uma visão nem saudosista nem folclórica do mundo dos mares e dos rios, querendo-os apenas sempre vivos e produtivos. Nunca se pretendeu cantar uns mares e rios fecundos que já passaram à história mas sim nos seus encontros bi-anuais e nos particulares de cada associação, nas diversas campanhas como a de 1996 em prol da carpintaria de ribeira, nas publicações e exposições, a FGCMF trata de valorizar a herança recebida para a fazer crescer em novas e frutíferas vertentes, sempre em contacto com as gentes do mar.
Apelamos para que não diminúa a constante e desinteressada entrega das pessoas que participam nas diversas associações, porque tal é fundamental para o actual movimento de recuperação, revitalização e socialização do património imaterial marítimo e fluvial da Gallaecia. Se na sua defesa o vento surgir pela proa, teremos de bolinar (ou “voltear”, num termo dos velhos pescadores); e se tivermos de perder muito tempo a bolinar, “então baixa-se a vela e põe-se mãos aos remos”.
Com vento de feição ou sem ele, à vela ou sem ela, seguiremos a travessia iniciada pelos pioneiros da diginificação das embarcações tradicionais e sua cultura, tendo sempre presente que o importante não é tanto chegar à sonhada Ítaca, mas sim para a gente da FGCMF a plena socialização e valor de um imenso património que forma a singularidade cultural da Galiza e o realmente mais importante é a viagem e as experiências vividas em cada largada.»
 
Francisco Fernández Rei – Vice-presidente da FGCMF
Imagens - FGCMF

Este é o texto de apresentação da Federação no seu site oficial e que transcrevi quase na sua totalidade, “aportuguesando-o” numa ou outra parte, sendo que practicamente não há necessidade em tal, mas é necessário que o seu trabalho seja entendido até pelos mais “duros de ouvido” ou de idioma.
Julgo que o texto é muito claro a evidenciar a importância dos patrimónios marítimos e fluviais, tornando-os “vivos” o mais possível. Resumindo, esta fase acima mencionada diz tudo: “A FGCMF nunca teve uma visão nem saudosista nem folclórica do mundo dos mares e dos rios, querendo-os apenas sempre vivos e produtivos”.
Viajando ao tempo em que não havia fronteiras nem mapas a dividir a Península, a antiga Gallaecia incluía o hoje Norte de Portugal e apesar de “dividida” entre dois países actualmente em termos políticos, as gentes e a cultura continuam a ser as mesmas, extremamente ricas à sua maneira. Esta Federação é mais um exemplo de cooperação que me diz um pouco mais que os outros por estar ligado à minha tradição familiar: a pesca e tudo em volta dela.
Neste caso específico, o Norte de Portugal (e todo o país) tem ainda que criar “muitas associações”, pois está(va) também apinhado de barcos como a Galiza. O trabalho de cerca de 15 anos na Galiza já deu muitos frutos e dará mais por certo, e o envolvimento de Portugal no mesmo só ajuda ambos.

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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Arte marítima.

 

´Gloriana´ leads the Fleet, August 1891”  -  A.D. Blake
 
O yacht “Gloriana” lidera a frota a partir do início junto do navio-farol de Brenton Reef, em Agosto de 1891. No Verão desse ano em Newport, todos os olhos estavam postos na classe de 14 metros (comprimento à linha de água).
“Gloriana”, o novo e revolucionário design de Nathaniel Herreshoff, é representado nesta obra a liderar desde a partida, posição essa que não perdeu durante toda a regata. Bem junto a si e a lutra por um espaço, estão o casco branco do “Sayonara” e o casco negro do “Oweene”. Escondido por detrás do navio-farol está o “Harpoon” seguido pelo casco negro do “Barbara”.
O “Gloriana” nunca foi derrotado nas oito regatas em que tomou parte, establecendo Herreshoff como o designer de topo do seu tempo no que respeita a yachts. Tinha por dimensões 21,6m de convés, 4m de largo e 3,5m de pontal.


publicado por cachinare às 08:15
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