Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008
Bacalhoeiros de guerra.
Durante a Guerra Civil Espanhola, a situação naval no mar Cantábrico era claramente favorável aos Nacionalistas. O êxito de operações na Galiza permitira-lhes apoderar-se do couraçado “España” e do destruidor “Velasco”, o cruzador “Almirante Cervera” e os cruzadores “Canarias” e “Baleares” ainda que em construção mas já bastante avançados. Esta superioridade naval permitiu-lhes actuar com impunidade até à chegada da Frota Republicana em Outubro de 1936, formada pelo destruidor “José Luiz Diez” e os submarinos C-2 e C-5. Não obstante, a sua limitada eficácia provocou a decisão do Governo Basco em construír uma força naval própria que garantisse as comunicações marítimas, a segurança da costa, o funcionamento da pesca e eliminasse as minas nos acessos aos portos Bascos.
Assim, em 15 de Outubro de 1936, José António de Agirre, presidente do Governo Basco e conselheiro da Defesa, nomeou Joaquín de Egia y Untzueta como chefe da Secção de Marinha, com a missão de criar uma força naval auxiliar à Republicana: a Marinha de Guerra Auxiliar de Euzkadi.
Nesta organização, Egia seleccionou os navios mais adequados a cada uma das missões encomendadas. Para a protecção do tráfico mercante y dos pesqueiros de águas territoriais onde decorria a faina foram escolhidos 4 bacalhoeiros da empresa P.Y.S.B.E. de Pasajes, chegados a Bilbao durante a evacuação de Guipúzcoa. Em 30 de Outubro de 1936, Agirre assinava os decretos que comissionavam os navios “Hispania”, “Euzkal-Erria”, “Mistral” e “Vendaval”, ocupando a Armada Republicana de os artilhar. No princípio foi-lhes instalado um canhão de 101´6 mm à proa e 2 metralhadoras na ponte (o “Mistral” levava também um canhão de 76´2mm à popa). A 9 de Dezembro seriam os 4 rebaptizados como “Araba”, “Bizkaya” (foto 2), “Gipuzcoa” e “Nabarra” (foto 1) e entre Janeiro e Fevereiro foi-lhes instalado à popa um 2º canhão de 101´6mm em cada, excepto no “Araba”.
A tripulação nestes navios era uma combinação de membros da antiga tripulação e de militares designados pela República. Seria pouco depois criado o Voluntariado de Mar, como corpo militar nutrido por voluntários civis. A inscrição estava aberta a todos os que estavam dedicados à navegação mercante ou às fainas profissionais de pesca durante um mínimo de 6 meses. Apresentaram-se mais de 3.000 voluntários com idades entre os 18 e os 60 anos e de todas as categorias profissionais, na sua maioria de comunidades costeiras Bascas.
Texto baseado num artigo em rojoazul.


publicado por cachinare às 08:06
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