Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014
Português construiu veleiros que recuperam o traço dos antigos lugres bacalhoeiros portugueses.

sean paquito IV lisboa

 

«João Paquito esteve emigrado na África do Sul e construiu os seus barcos com as suas próprias mãos. O maior, e mais especial de todos, tem 38 metros.

O “Sean Paquito IV” até podia ser um veleiro igual a tantos outros, não fosse a história e a paixão de quem o construiu com as suas próprias mãos. De facto, este barco de 38 metros de comprimento distingue-se entre os muitos veleiros que as reconhecidas marcas de construção naval vão lançando para o mercado pela evocação, assumida, dos antigos lugres bacalhoeiros portugueses. E por ser um barco feito por um homem só. Um português que emigrou para a África do Sul e que acabou por se lançar no mundo da construção naval como autodidacta.

Tudo começou em 1971, por ocasião de uma travessia de veleiros entre Capetown e o Rio de Janeiro. "Vendo tantos barcos a fazer a travessia, qualquer coisa em mim me disse que eu também tinha de ter um. Mas como tinha de trabalhar para sustentar a família, entendi que a melhor maneira seria comprar livros de construção naval, observar outros, e construir eu o meu barco", relata João Paquito.

Nessa altura, este emigrante era "soldador e serralheiro de profissão", experiência que até lhe facilitou a tarefa de concretizar o seu sonho. "O problema maior eram os meus amigos a dizer que eu nunca acabaria o barco", recorda. O destino acabou por confirmar que os seus amigos não tinham razão, pois João Paquito construiu não apenas um, mas seis barcos "cada vez de maiores dimensões". "Apenas eu, com a ajuda de dois empregados que limpavam e me davam as ferramentas de que eu precisava", atesta. A intervenção dos técnicos qualificados só ocorria na fase final, com "o arquitecto e os engenheiros que faziam o teste de flutuação e inclinação", refere ainda João Paquito.

 

sapphire ex sean paquito IV

 

A sua opção recaiu sempre por construir réplicas dos antigos bacalhoeiros portugueses, acima de tudo pela "beleza e linha destes barcos" cujo imaginário nos conduz "àquela era em que os homens tinham uma enorme coragem. Estes barcos eram realmente a bóia de salvação para as suas vidas naqueles mares", evoca.

O mais especial de todos os barcos que construiu foi, de facto, o “Sean Paquito IV”, que concluiu em 2009, ainda na África do Sul. João Paquito confessa que este veleiro "é o culminar de todos os outros" ao nível das especificidades técnicas e também da acomodação.

Depois de regressar a Portugal, o destino trocou-lhe as voltas - além dos seus 70 anos já convidarem à reforma, João Paquito e a família tiveram também de enfrentar o acidente e a consequente necessidade de cuidados especiais do seu filho -, obrigando-o a passar o “Sean Paquito IV”

adaptado do artigo de Maria José Santana – PÚBLICO

Na segunda foto é possível ver o “Sean Paquito IV” já com novo dono e novo arranjo, bem como um novo nome, “Sapphire”.

foto 1 – Vitor Guerra.

foto 2 - CNI.



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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014
George Sluizer, 1932-2014. Morreu o realizador de “Os Solitários Homens-dos-Dóris”.

george sluizer solitarios homens dos doris portuga

«Para os portugueses, o realizador holandês George Sluizer, falecido no passado dia 20 de Setembro em Amesterdão aos 82 anos de idade, será mais recordado como realizador da adaptação ao cinema de Jangada de Pedra de José Saramago (2002).

Fora de Portugal, a memória de Sluizer está indelevelmente ligada àquele que foi o último filme protagonizado por River Phoenix, Dark Blood, inacabado durante 20 anos devido à trágica morte do actor em Los Angeles em 1993, e que o cineasta holandês finalmente completou em 2013, “enquanto ainda podia fazê-lo”, como disse ao apresentá-lo no Festival de Berlim nesse ano.

O ponto alto da carreira de George Sluizer, nascido em Paris em 1932, reside contudo num dos mais aclamados filmes europeus da década de 1980: O Homem que Queria Saber (1988), adaptação do romance policial de Tim Krabbé sobre um homem cuja noiva desaparece durante uma viagem e que, três anos depois, é contactado pelo responsável. Um conto macabro com uma notável interpretação do actor francês Bernard-Pierre Donnadieu no papel do vilão, O Homem que Queria Saber tornou-se num êxito crítico e público internacional que levou Sluizer a Hollywood, onde dirigiu em 1993 uma mal recebida remake com Jeff Bridges, Kiefer Sutherland e Sandra Bullock, A Desaparecida.

Foi nessa altura que o cineasta encetou Dark Blood, rodado nos EUA com um elenco que incluia igualmente Jonathan Pryce e Judy Davis, mas que ficaria por terminar devido à morte de River Phoenix a meio da rodagem. Com o material filmado bloqueado por questões de direitos durante as duas décadas que se seguiriam – e com Sluizer a entrar em posse das bobines de modo mais ou menos esquivo para impedir que fossem destruídas –, foi só em 2013 que o cineasta apresentou a montagem possível do filme, numa altura em que já se encontrava fisicamente muito frágil na sequência de um aneurisma sofrido em 2007. A interrupção do filme acabaria por efectivamente travar a carreira americana do cineasta.

Aluno de cinema em Paris, onde estudou com Jean Renoir e Alain Resnais, Sluizer alternou inicialmente documentários e encomendas para a televisão holandesa antes de se estrear na longa-metragem de ficção em 1972 com João e a Faca, rodado no Brasil. Deve-se-lhe igualmente a adaptação para cinema do romance de Bruce Chatwin Utz.

Durante a II Guerra Mundial a família saiu da Holanda, vivendo durante algum tempo em Portugal – país onde captou imagens para vários documentários para a televisão holandesa e rodaria dois filmes, a comédia Mortinho por Chegar a Casa (1996), co-dirigida com Carlos da Silva, e A Jangada de Pedra (2002). Envolvido desde sempre na defesa da causa palestiniana - o que o levou inclusive a ser acusado pelo governo israelita de “libelo de sangue” por ter acusado Ariel Sharon de matar palestinianos à queima-roupa em 1982 – Sluizer realizou igualmente uma série de documentários sobre famílias palestinianas impossibilitadas de regressar à sua terra natal, o último dos quais, Homeland, foi estreado em 2010.»

 

por Jorge Mourinha - PUBLICO

foto - MOVIESCENE

 

Foi de igual modo George Sluizer quem realizou o mais conhecido internacionalmente documentário sobre a pesca do bacalhau pelos Portugueses. Essa obra seria exibida pela conceituada National Geographic Society – CBS, em 1967, intitulando-se “The Lonely Dorymen” – “Os Solitários Homens-dos-Dóris”. Aqui fica, mais uma vez, esse documentário, legendado em português.

 



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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014
A preto e branco.

 

O navio-motor “Vila do Conde” foi construído na Gafanha da Nazaré em 1955, para a pesca do bacalhau à linha com dóris, e esta foto se não for desse mesmo ano andará muito perto, pois mostra-nos um cortejo na cidade de Vila do Conde. Um dos carros alegóricos leva uma réplica à escala do “Vila do Conde” e os miúdos dentro dele representam um dia de faina, com dóris já a bordo e outro mantido junto à amura a descarregar o bacalhau. Uma extraordinária alegoria aos bravos pescadores do bacalhau portugueses.



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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014
A preto e branco.

 

A Benção dos Bacalhoeiros em 1938 no rio Tejo, por alturas de Abril, antes da partida para o Atlântico Norte. Em primeiro plano, o lugre-motor “Cruz de Malta”, nome adquirido em 1928 aquando do seu registo na empresa Testa & Cunhas. Originalmente fora construído em 1921 na Gafanha da Nazaré e registado com o nome “Laura”.



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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014
“Pesca do Bacalhau – Diário de Bordo de João Carlos Caetano – De S. Miguel à Gronelândia – Ano de 1953”.

lagoa açores pesca bacalhau livro 2013

A Câmara Municipal de Lagoa, nos Açores, editou o livro “Pesca do Bacalhau – Diário de Bordo de João Carlos Caetano – De S. Miguel à Gronelândia – Ano de 1953”, co-financiado pelo Governo Regional dos Açores. Foi lançado no dia 21 de Junho de 2013 no Porto dos Carneiros, e inseriu-se nas Festas de São Pedro Gonçalves que decorreram naquele local.

Esta é a segunda parte de um relato em livro da primeira viagem aos Bancos da Terra Nova e Gronelândia de João Carlos Caetano realizada no ano de 1952 a bordo do navio “Oliveirense” e que foi lançado em 2011. (Autarquia Lagoense apoia edição em livro sobre a Pesca do Bacalhau.) O segundo diário refere-se ao ano de 1953 e retrata os principais acontecimentos que marcaram esta sua viagem na aventura da pesca do bacalhau, num registo verídico de um pescador lagoense que exalta a superação do medo, em prol da valorização da ousadia e coragem humanas, personificadas na figura de um inexperiente pescador, que vai ganhando cada vez mais força, coragem e confiança a cada experiência que enfrenta.

Para o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, João Ponte, este livro assume-se como um testemunho real, escrito de forma tão simples e genuína por um jovem pescador lagoense de 19 anos que, corajosamente, rumou mar fora, para a difícil labuta da pesca do bacalhau, durante 5 longos meses, a bordo do “Oliveirense”, no ano de 1953.

Oliveirense Leixões

Através desta publicação, em seu entender, reconhece-se o valor destes homens que, voltam costas à terra firme, prontos a enfrentar os perigos do imenso oceano, movidos de ousadia e coragem, em busca do seu ganha-pão, acrescentando que “um diário é um registo, geralmente de carácter íntimo, que contém a narrativa diária de experiências contadas na primeira pessoa, na maior parte das vezes repleta de emoções experienciadas, reveladoras de segredos partilhados unicamente em folhas de papel, preenchidas em momentos vagos, sob a forma de desabafo ou de interiorização profunda”.

adaptado dos artigos via Câmara Municipal de Lagoa e Rádio Atlântida.



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Sábado, 18 de Outubro de 2014
“Viana e a Pesca do Bacalhau”.

viana pesca bacalhau livro 2013

«O Centro de Estudos Regionais apresentou no passado dia 16 de Agosto (de 2013) o livro “Viana e a pesca do bacalhau”, de Manuel de Oliveira Martins. A sessão de apresentação decorreu no Museu de Artes Decorativas e antecedeu a abertura da exposição “Viana, fiel amiga do Mar. Memórias da Empresa de Pesca de Viana”, promovida pelo Centro de Estudos Regionais, Junta de Freguesia de Monserrate, Câmara Municipal de Viana do Castelo e Comissão Social da Freguesia de Monserrate.

O livro, composto por 420 páginas e profusamente ilustrado, integra a coleção “Seiva” das edições do Centro de Estudos Regionais e reúne informação histórica e antropológica sobre a relação da região com a pesca do bacalhau. A publicação aborda os principais momentos da história daquela atividade, apresenta as empresas e os navios que estiveram ao seu serviço, reúne vários depoimentos e menciona as personalidades que se evidenciaram na cidade de Viana do Castelo na promoção do desenvolvimento desta atividade económica. O livro destaca a Empresa de Pesca de Viana e as figuras que foram responsáveis pela sua administração, entre as quais sobressai João Alves Cerqueira. A apresentação ocorre precisamente no dia em que se cumpre o centenário da fundação da firma que esteve na génese da Empresa de Pesca de Viana.

Manuel de Oliveira Martins, natural de Vale de Cambra, é um apaixonado pelo mar. Tendo seguido a carreira de Oficial da Marinha Mercante, fixou-se em Viana do Castelo onde exerceu, durante quase 20 anos, a função de Piloto da Barra. Durante vários anos, o autor do livro dedicou-se à pesca do bacalhau, experienciando as suas diversas modalidades – pesca à linha, pesca com redes de emalhar e pesca de arrasto clássico e de popa –, embarcado em diversos navios, alguns dos quais inscritos no porto de Viana do Castelo. É autor do livro “Pilotos da Barra de Viana do Castelo. 100 Anos de História (1858-1958)”, editado pelo Centro de Estudos Regionais.»

 

via CER – Centro de Estudos Regionais.



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Sábado, 13 de Setembro de 2014
A preto e branco.

 

A Benção dos Bacalhoeiros de 1938, no rio Tejo.



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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014
Um dóri novo para o “Gazela”.

 

«O veleiro “Gazela Primeiro” (antigo bacalhoeiro português), o veleiro oficial de Filadelfia, E.U.A., transportava 30 dóris quando pescava nos Grandes Bancos do oceano Atlântico.

 

 

Um dóri, é um pequeno bote de madeira usado por um único pescador, que estendia uma longa linha com inúmeros anzóis em busca do bacalhau. Quando o “Gazela” veio para Filadelfia no final dos seus quase 70 anos de vida na pesca, existiam ainda 6 dóris a bordo. Nestes últimos 43 anos, esses dóris deterioraram-se ao ponto de só restar um único dóri original e em péssimo estado.

De modo a evidenciar o papel do “Gazela” como um museu vivo de 113 anos que ensina ecologia e a preservação dos recursos naturais, é importante mostrar como se fazia a pesca à moda das longas linhas, onde somente o peixe grande era apanhado, um de cada vez, método esse que preservava as espécies.

 

 

Assim, em 2011, Tony Souza (na 1.ª foto), de Ottsville, Pensilvânia, E.U.A., um membro voluntário da tripulação do “Gazela”, deciciu construir um novo dóri na oficina de sua casa. O dóri ´37´ juntou-se ao navio em Maio de 2011 e acompanha-o nas suas visitas a portos da costa leste desde Norfolk, Virgínia até à Nova Escócia.

No final de cada dia de pesca, os 30 dóris eram retirados da água e empilhados uns dentro dos outros no deque do “Gazela”. Com o agora novo dóri da oficina de Tony, passam a existir dois dóris que permitem exibir o exemplo do empilhar, e dois dóris para a tripulação do navio usar na prática de os largar e içar a bordo, bem como de neles remar. Como é óbvio, quando existe um par seja do que for, haverá competição!

 

 

 

O “Gazela” largava todos os anos do seu porto em Lisboa, Portugal, para os Grandes Bancos da Terranova. Nos seus últimos anos de faina, o “Gazela” aventurava-se até ao Círculo Polar Ártico em busca do bacalhau. Em 1970 o “Gazela” foi comprado e adicionado ao Museu Marítimo de Filadelfia. Desde então, este grande e antigo lugre-patacho de madeira, tem sido manobrado e mantido pelo Fundo para a Preservação dos Navios de Filadelfia (Philadelphia Ship Preservation Guild), uma organização totalmente voluntária.

 

 

O novo dóri é feito em cipreste da Nova Escócia e carvalho branco da Pensilvânia. Está pintado no tradicional ´sangue de boi´, cor da antiga empresa de pesca do “Gazela”. Grandes números brancos pintados junto à proa identificavam cada dóri. O novo dóri ostenta o número ´29´, escolhido pela pessoa que mais contribuiu para a compra dos materiais de construção. Este dóri ficou pronto a tempo de participar na regata ´Walnut 2 Walnut´, patrocinada pelo Museu Portuário de Filadelfia, a 31 de Maio de 2014.

O dóri ´29´ une-se pois ao dóri ´37´, também construído por mim, no deque do “Gazela”, como parte do museu vivo que é este navio de pesca Português com 113 anos.»

 

traduzido-adaptado do texto original de Tony Souza.

fotos – Tony Souza.

 

O “Gazela” está de momento à procura de uma doca-seca para a há muito necessária tarefa de o tirar da água. Não tem sido fácil encontrar as instalações com o tempo necessário e um preço aceitável. O “Gazela” não tem dinheiro para uma grande recuperação e assim a doca-seca seria somente para inspecção e reparações. O Tony Souza continua a sua campanha em prol de uma extensa reconstrução das obras vivas do casco do navio, mas sem dinheiro não é possível. Só o custo da doca-seca é de 50.000 dólares.

Fica lançado o apelo a algum filantropo ou organização filantrópica que possa ajudar.

 

O Tony Souza pode ser contactado em tjsouz@frontiernet.net ou no 610-847-5017.



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Quarta-feira, 23 de Outubro de 2013
A memória de Manuel Cascão.

 

No início de 2009, publiquei um artigo intitulado “FRV ´Anton Dohrn´ e os bacalhoeiros de Portugal”, sobre fotografias da frota bacalhoeira portuguesa tiradas desde aquele navio de pesquisa das pescas alemão, na década de 50 do séc. XX. Essas fotos registaram em grande detalhe o trabalho a bordo do lugre-motor “Adélia Maria” em Agosto de 1957, e há dias recebi o seguinte email do autor da página, o Sr. Manfred Stein, onde essas fotos foram publicadas:

«No mês passado fui contactado por Sara Pereira, neta de Manuel Cascão, um pescador que trabalhou a bordo do “Adélia Maria” - um navio-mãe de dóris – entre 1949-1958. O seu avô tem agora 83 anos, mas ainda está cheio de belas memórias do passado, e lembra-se vividamente daquele dia 17 de Agosto de 1957, o dia em que o FRV “Anton Dohrn” se cruzou com eles ao largo da costa Oeste da Gronelândia.

A Sara imprimiu as fotografias e mostrou-as ao seu avô. Ele reconheceu vários dos seus antigos companheiros, nomeando-os. O dóri número 34 de Manuel Cascão é visível na foto com a pilha de dóris. Os nomes e descrições encontram-se agora na página web.»

 

Este é um caso onde a internet permitiu a descoberta e contacto entre dois países, dois navios e homens que se cruzaram há décadas atrás nos mares ao largo da Gronelândia. Só há que agradecer mais uma vez ao Sr. Stein a publicação daquelas fotos e à iniciativa da neta de um antigo pescador em mostrá-las ao seu avô, certamente uma neta orgulhosa do passado e das histórias narradas por ele.

Cascão é um apelido comum nos lugares da Poça da Barca e Caxinas, em Vila do Conde, locais de onde saíram centenas de pescadores para a Faina Maior. Como tal presumo que a Sara, o seu avô e família sejam de lá.



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Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013
O Navio Branco... com legendas.

 

São já vários os locais na internet onde se pode encontrar este filme, sobre os heróicos pescadores bacalhoeiros portugueses, mas julgo que ainda nenhum legendado em português. Pois aqui está ele finalmente legendado, para quem não percebe inglês.



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Sábado, 12 de Outubro de 2013
Os Solitários Homens-dos-Dóris... com legendas.

 

"The Lonely Dorymen", documentário da conceituada National Geographic, realizado em 1967 por George Sluizer, a bordo do imponente lugre-motor de 4 mastros "José Alberto", da praça da Figueira da Foz, um navio originalmente construído na Dinamarca com casco de aço décadas antes.

 

Um documentário no verdadeiro sentido da palavra, de cerca de 50 minutos, que nos revela sabiamente toda uma campanha bacalhoeira portuguesa, desde os preparativos em Portugal, ao drama da despedida, a viagem de ida para os Bancos e azáfama a bordo, passagem por São João da Terranova, as agruras da Groenlândia (assim a denominam dos pescadores) e a ânsia do regresso a Portugal. Mostra-nos também que o pescador bacalhoeiro passava os restantes seis meses na pesca costeira, normalmente na sua terra natal.

 

 

Momentos marcantes, são exemplo o de um homem desaparecido no nevoeiro e os altifalantes do navio a soar bem alto... fado, na esperança de que o náufrago o escute e recupere a sua rota, ou uma doença súbita que leva um tripulante a terra... na Groenlândia, onde se vê sozinho num meio totalmente desconhecido e não consegue perceber o seu futuro próximo.

 

Portugal e os Portugueses, têm por sua maior bandeira histórica, os Descobrimentos. No entanto, ao presenciarem estes filmes sobre a nossa pesca e frota de navios do Atlântico Norte, de imediato a conotam de bárbara e triste vida de homens, num “século vinte de navios à vela”, quando outras nações se “modernizavam”. Foi graças ao facto de termos mantido navios à vela até aos anos 70 do séc. XX, que hoje em dia podemos orgulhar-nos de ter ainda 4 navios daquele tempo, o mais especial deles bem guardado nos E.U.A., o “Gazela Primeiro”, veleiro mais antigo do mundoem actividade. Nenhuma outra nação bacalhoeira se nos equipara nesta riqueza histórica e de memória.

Esquecem-se muitos, que a epopeia dos Descobrimentos, essa sim, era verdadeiramente bárbara, pois iam 50 na caravela e com sorte, voltavam muitas vezes 15, caso não naufragassem todos.

Graças à persistência do aparelho das pescas do Estado Novo em manter a pesca à linha com dóris, Portugal continuou no séc. XX a ser considerado uma nação de grandes homens do mar, mestres da vela e orientação à antiga.

 

  

Este filme, está com legendas em português, para que os muitos que não o entendem, possam desfrutá-lo no seu todo e tirar as suas ilações da nossa história recente, do ser português, e dos valores que orientavam aqueles homens.



publicado por cachinare às 19:45
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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2013
1966 - Pescadores Portugueses nos Grandes Bancos da Terranova... com legendas.

 

Documentário emitido pelo Canal 3 da Terranova, e elaborado pela CBC de St. John´s. Curiosamente narrado em inglês por um pescador oriundo da Póvoa de Varzim, este filme tem por "base" o navio-motor "Vila do Conde", e descreve em pormenor a relação dos pescadores portugueses com a cidade de St. John´s. É filmado no ano de 1966, data essa de fácil conclusão, visto o narrador mencionar que o seu navio "Vila do Conde" tem 11 anos, ou mesmo pelas dramáticas cenas do "Dom Denis" incendiado para afundar.

No ínicio, é abordada a partida de Lisboa e essas imagens parecem ser do mesmo grupo das que fariam o mítico "The Lonely Dorymen" ("Os Solitários Homens-dos-Dóris), da National Geographic, possivelmente um aproveitamento de imagens que não entraram naquele documentário.

 

Mais um documento de enorme valia, com legendas em português.



publicado por cachinare às 20:00
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013
1963-65 - Mar do Bacalhau, Mar da Terranova.

 

Documentário de origem desconhecida, aborda a pesca do bacalhau pelos Portugueses com base numa perspectiva religiosa e sua importância para o homem do mar e neste caso, toda a difícil Epopeia do Bacalhau.

Pela narração se depreende que seja um trabalho solicitado pelo aparelho do Estado Novo, e é possível ver a imponência do mar da Groenlândia, os perigosos "growlers" (pequenos pedaços de gelo à deriva) e gigantes icebergues, ou a inevitável descrição das idas a St. John´s.

Outra preciosidade de filme sobre a Faina Maior.



publicado por cachinare às 15:40
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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013
1967 - A Frota Branca em St. John´s, Terranova.

 

Este é um curto filme narrado em francês, possivelmente realizado por naturais do Quebec, Canadá, onde ficou registada a frota bacalhoeira Portuguesa em 1967, atracada no porto de St. John´s da Terranova. Mais uma vez o encanto dos nossos bacalhoeiros e a pesca com dóris chamava à atenção.

Acompanhado por uma excelente peça musical, este registo a cores num dia cinzento de chuva, mostra os pescadores Portugueses em grande número pelo cais e nas suas tarefas rotineiras a bordo dos navios atracados lado a lado, navios como o “Luiza Ribau”, o “Pádua” o “São Jorge” ou mesmo o “Gil Eannes”.

Parece ser apenas um excerto de uma peça maior, no entanto foi tudo o que descobri.

 

via NFB – National Film Board of Canada.



publicado por cachinare às 01:35
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2013
A preto e branco.

 

O navio-motor “Vila do Conde” foi construído na Gafanha da Nazaré em 1955, para a pesca do bacalhau à linha com dóris, e esta foto se não for desse mesmo ano andará muito perto, pois mostra-nos os preparativos para um cortejo na cidade de Vila do Conde. Um dos carros alegóricos levou uma réplica à escala do “Vila do Conde”, pela placa à sua frente provavelmente construída nos estaleiros locais Samuel & Filhos e patrocinado por “Artur de Paiva, a cuja indústria está ligado no navio “Vila do Conde” e que aos mares longínquos da Terra Nova e Groenlândia e aos maiores Portos de Pesca do mundo leva o nome desta Vila”.



publicado por cachinare às 08:27
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013
1988 - O Fantasma da Frota Branca... com legendas.

 

Ao contrário do que muita gente imaginava, a entrada de Portugal na Comunidade Europeia em 1986 trouxe vários custos consigo e os tempos actuais comprovam-no mais do que nunca.

Um desses custos foi o enorme impacto na estrutura das pescas no nosso país, provocando um verdadeiro “holocausto” na pesca tradicional e de pequenas embarcações. Mas também a pesca longínqua, a pesca do bacalhau, sofreu com isso e é precisamente esse aspecto que este trabalho de uma tv Canadiana explora em 1988.

O fantasma de um passado cordial de muitas décadas entre dois países, que deixou marcas em várias gerações.

Um obrigado ao amigo Saraiva pelo envio deste filme, ao qual juntei as legendas em Português.



publicado por cachinare às 13:25
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