Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015
Rede da Cultura dos Mares e dos Rios quer salvar embarcações tradicionais.

«Esposende assume este domingo (16-11-2014) a presidência desta associação e organiza debate sobre a “libertação da via da água” para embarcações antigas.

Preservar uma embarcação tradicional pode ser uma dor de cabeça. Apesar de serem parte importante de uma cultura que exprime a relação das comunidades ribeirinhas com rios, estuários e mar, os entraves colocados à sua circulação deixam os proprietários quase de mãos atadas.

catraia santa maria anjos esposende flyer

A Assembleia da República aprovou, no ano passado, uma recomendação para que o Governo legisle na defesa da autencidade e funcionalidade deste património, mas, em vésperas de mais um Dia Nacional do Mar, que se celebra este domingo, os subscritores do Manifesto para a Libertação da Via da Água duvidam que, nesta legislatura, algo seja feito nesse sentido.

Esta questão foi colocada na agenda parlamentar muito por pressão de um conhecido cientista, o professor Fernando Carvalho Rodrigues, entusiasta, dono de uma canoa e presidente da Associação dos Proprietários e Arrais das Embarcações Típicas do Tejo.

O homem que ficou conhecido como o pai do primeiro satélite português, é um dos dinamizadores da Marinha do Tejo e estará este domingo, às 10h, em Esposende para acompanhar os trabalhos do quarto encontro da Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios, no qual fará, pelas 14h30, uma intervenção sobre os problemas que afectam quem vem, há anos, salvaguardando este património flutuante.

Para um dos fundadores da rede, o Almirante José Bastos Saldanha, da Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), se não for criado um regime específico para estas embarcações antigas, que olhe também para a escassez de pessoas com conhecimentos de carpintaria naval, a preservação de um vasto património espalhado por todo o território pode ser posta em causa. Por isso, é com alguma ansiedade que os membros desta organização esperam a intervenção do secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, na outra sessão comemorativa que, na segunda-feira, se realiza na SGL.

catraias esposende cavado antiga

Catraias, catraios, canoas, faluas e outros
Só no estuário do Tejo, graças aos esforços de particulares e associações, há 70 embarcações, entre catraias e catraios, canoas, faluas e outras tipologias nas quais se incluem o varino. Marca de um tempo em que a casca de carvalho era trazida da ria de Aveiro, para a cozedura (encascamento) das redes dos pescadores do Tejo, e esses barcos não faziam já a viagem de regresso.

Costa acima não faltam exemplares de outras tipologias, em quase todas as comunidades, e este domingo é lançado um selo com uma representação da catraia de Esposende, que continua a navegar graças aos esforços do Forum Esposendense. Esposende, que sucede à Póvoa de Varzim na liderança da rede nacional, quer dar visibilidade a esta organização que mantém um certo cunho informal desde a aprovação do manifesto que lhe deu origem, assinado em 2004, na Nazaré, por várias organizações impulsionadas pela SGL.

Nos últimos dois anos, a Póvoa de Varzim – que preserva uma réplica da antiga Lancha Poveira –, conseguiu dar algum fôlego a esta entidade, realizando ao longo de dois anos, um conjunto significativo de acções, mas, como nota o presidente da Câmara de Esposende, falta à rede um cunho verdadeiramente nacional, que a leve a atrair todos os municípios marginados por rios ou mar.

Benjamim Pereira, lembra que o seu concelho também tem provas dadas na valorização do património cultural ligado ao mar e aos rios - seja nas festas, como a de São Bartolomeu do Mar, nos encontros de embarcações, na arqueologia naval ou em tradições como a da apanha de sargaço – e espera poder trocar experiências com outros concelhos e organismos.

“Não pretendemos ensinar nada a ninguém, acreditamos é que há muita gente a trabalhar bem e que precisamos de juntar esforços para aprofundar conhecimento e, claro, aproveitar o potencial turístico que esta temática encerra”, explicou o arquitecto que, desde Outubro de 2013, lidera o município de Esposende. Já este ano, a cidade acolheu vários encontros importantes na área da arqueologia naval e da defesa da orla costeira.

moliceiro ria aveiro lindo
Rede deve aproveitar fundos comunitários
O presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira, acredita que a Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios pode ter um grande papel na defesa de um património imaterial importantíssimo, que precisa de ser estudado e “materializado” em estudos, documentários e outras acções que valorizem este activo. Para o autarca, os municípios e entidades envolvidas na rede devem definir três ou quatro áreas prioritárias de intervenção - e as embarcações tradicionais são uma delas - e procurar, desde logo no programa Portugal 2020, fundos para financiar os trabalhos a levar a cabo. Um dos projectos que já está a ser desenvolvido, e que brevemente estará disponível, é uma enorme base de dados da bibliografia ligada ao mar, na literatura e em diversas áreas de estudo, que foi idealizada e montada pelo sociólogo João Freire e que está agora a ser desenvolvida pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, sob a coordenação da historiadora Inês Amorim.»

Por Abel Coentrão in PÚBLICO

foto 2 – Forum Esposendense

foto 3 – Blogue ahcravo



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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015
A preto e branco.

 

Foto da autoria de Jean Dieuzaide, intitulada “Domingo do Pescador”, em Camara de Lobos, Madeira no ano de 1956. Este fotógrafo francês nascido em 1921 esteve por três vezes em Portugal durante a década de 50 do séc. XX. Por trás do pescador nota-se a forma tradicional dos pescadores locais de secar as redes, suspensas nos mastros e vergas das embarcações ainda veleiras na altura. Desconheço até hoje, qualquer publicação ou estudo sobre as antigas embarcações de pesca tradicional da Ilha da Madeira. Caso alguém conheça, agradeço a dica.



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Sábado, 13 de Dezembro de 2014
E na Praia dos Barcos, em Caxinas, voltou a ouvir-se “Bind’ó peixe”.

«Estava um céu carregado, uma manhã cinzenta de Agosto. O programa Bind’a Bordo, que durante todo este sábado animou as ruas da comunidade, dizia que a recriação histórica da actividade da pesca na Praia dos Barcos começava às 9h30 da manhã, e a essa hora já estava muita gente a abeirar-se do murete da extensa marginal das Caxinas.

“Antes havia aqui barcos e mais barcos. Agora vêem-se paus e mais paus”, dizia Laurindo Pereira, 67 anos, reformado há dois de uma vida feita no mar que começou quando tinha “sete ou oito anos”. “Sei que ia muitas vezes dormir para a escola, dar cabeçadas de sono na carteira”, acrescenta.

 

santa maria dos anjos caxinas 2014

 

A manhã cinzenta ajudava-lhe às memórias ainda vivas de quando a Praia dos Barcos não era, como agora, uma “praia de paus”, referência às estruturas das barracas de praia, concessionadas para veraneio. Mas Laurindo também diz que “naquele tempo”, há meio século, quando as "catraias" (o nome de uma das embarcações típicas das Caxinas) enchiam o areal, o que havia era “uma vida de miséria”, que não deseja a ninguém. Uma vida que, por exemplo, ele não permitiu aos quatro filhos — “Não anda nenhum no mar, fizeram-se todos à vida em terra. E ainda bem”. Não há, pois, saudades desses tempos difíceis. Mas o apelo para reviver esse passado, e os rituais com que se desenhava o dia-a-dia da população caxineira, continua bem presente. E, pelo número de presentes, irresistível.

Todos os que se abeiravam do murete da praia tinham algo a dizer, um episódio a recordar. Todos pareciam perceber do mar. “A‘tão não se vê que a maré está vaza? Os barcos não conseguem acostar aqui”, dizia um dos presentes. Aguarde-se, então, mais uns momentos, enquanto no horizonte, saído do Porto da Póvoa de Varzim, se começa a avistar a catraia Santa Maria dos Anjos, emprestada pelo Fórum Esposendense, para participar nesta viagem ao passado. Vinha a catraia lenta na sua aproximação, mais à força dos remos do que à força da vela (que o dia era cinzento, mas o vento não estava de feição), e as mulheres já se estavam a fazer ao areal.

Eva Marques, 79 anos, vem à frente, a gritar “Bind’o peixe!”. Descalça, lenço na cabeça, camisa aos quadrados, força nos braços e ainda mais fulgor no pregão. Seguem-na um grupo de mulheres, todas caxineiras, a carregar cabazes de pescado e cestos de redes para estender no areal. Margarida Marafona é uma delas. Filha de pescador, viúva de pescador, mãe de pescadores. O marido morreu há 17 anos. Os filhos são casados e, por isso, ela já não tem de fazer a “obrigação”. Mas estava ali a revivê-la com gosto. “Sempre gostei muito destas coisas, sabe? Fui muitos anos cantadeira no Rancho das Caxinas, estes que também aqui estão. Está a saber bem reviver estas tradições. Mas era uma vida muito difícil, sabe?”, insiste.

Que “obrigação” era essa? Manuela Sá Vieira, agora reformada, cumpriu-a muitas vezes. Primeiro, ao pai. Depois, ao marido — que chegou a andar embarcado a pescar bacalhau à linha pela Terra Nova. “Primeiro, vínhamos trazer os homens ao mar, empurrar o barco. Depois, quando chegavam, tínhamos de varar o barco, tirar a sardinha ou outro peixe que eles trouxessem e ir vendê-lo à lota, à Póvoa. Ou então, logo aqui, na rampinha. O leilão era muito bonito de se fazer.”

Manuela conta esta história enquanto as companheiras simulam estar a consertar redes, ainda à espera do barco. Da “obrigação” aos filhos, saberão as noras. Ela agora vive com a “reforma pequenina” que o governo da Alemanha lhe manda pela morte, por doença, do marido. “Trabalhei muito a vida toda, sabe? Mas nunca descontei, por isso não tenho direito a reforma. Vale-me a do meu marido”, diz muito rápido, para logo acariciar a medalha que traz ao peito com uma fotografia do homem.

 

caxinas barcos pescadores 2014

 

Entretanto, a catraia acosta, e começa a azáfama. Uns a empurrar, outros a puxar, num ritmo sincopado com os gritos que todos soltam. José Vila Cova, 88 anos de vida, sempre com vista privilegiada para aquele mar e aquela praia (“Morei sempre aqui em frente”, explica), faz questão de sublinhar: “Isto não era bem assim. Isto é só uma fantasia, um teatro, uma recriação”, diz, com a autoridade de quem já escreveu livros sobre a faina piscatória da terra. “As mulheres entravam pelo mar adentro, ficavam com água acima do peito. E puxavam o barco para terra, e tiravam o peixe, e faziam tudo. Tudo. Elas é que mandavam. Os pescadores chegavam ao areal e enfiavam-se no tasco. Não faziam mais nada. Elas é que mandavam”, relata.

E, de olhos marejados, José continua: “Estes gritinhos não são nada. Lembro-me tão bem quando havia mar bravo, ali nos baixios (aponta para um local da praia onde há redemoinhos), e se via os homens a remar sem sair do sítio. E as mulheres, ali tão perto, na praia, com água pela cintura… Eles a remar, a remar, e elas aos gritos. Mas gritos mesmo. Gritos de medo. Assisti, algumas vezes. E ainda hoje me custa lembrar”.

Ali ouviam-se gritos de alegria. Pregões. Abel Coentrão (jornalista do PÚBLICO), presidente da Associação Cultural Bind’ó Peixe, que organizou esta recriação, explica que não houve ensaios, e que tudo aquilo a que se assistia no areal era fruto do improviso. Nessa altura, já as mulheres multiplicavam os pregões, uma tentando falar mais alto do que a vizinha do lado, outra ainda tentando “dar a volta” ao guarda fiscal que ali vinha pedir autorizações e reclamar o “dízimo”.

“Estes homens e mulheres não precisavam de ensaiar. Precisavam de reviver. Foi isso que lhes pedimos, que trouxessem as suas memórias, mesmo que elas, por vezes, atraiçoem”, explica Abel Coentrão. A Associação Cultural Bind’ó peixe tem dez meses apenas, mas há dois anos o jornalista começou a “acender”, numa página na Internet e no Facebook, o Farol da Memória de Caxinas e Poça da Barca, com o intuito de recolher e divulgar as memórias. “Para nós, caxineiros, estas memórias são património. E acreditamos que esse património pode ser transformado em cultura”, sintetiza.

Habituados a ver movimentação mediática pelas Caxinas apenas quando há náufragos — já não há porto de pesca por ali, mas os seus habitantes continuam muito ligados ao mar, com barcos matriculados em quase todos os portos do país —, este domingo as razões eram boas. José Vila Cova admitiu, no final da encenação: “Já chorei de alegria”.

Elisa Ferraz, presidente da Câmara de Vila do Conde, era outra das presentes, perdidas no meio da assistência. No final, confessou ao PÚBLICO que trazia muitas expectativas para este evento. “Estas actividades estão muito presentes na minha memória. Não sou de Caxinas, sou de Vila do Conde. E Caxinas é Vila do Conde. É um lugar. Mas é, e continua a ser, uma das maiores comunidades piscatórias do país. Ver a forma como as pessoas se entregaram para participar, viver este momento, foi extraordinário.” As expectativas não saíram defraudadas.

Eva Marques é das que continuam a entregar o seu dia-a-dia ao mar e aos seus caprichos, apesar dos seus quase 80 anos. “A minha vida foi muito esquisita. Passei muita fome e muita miséria. Os homens vinham do mar e nós, as mulheres, atávamos as redes, descarregávamos, apartávamos, íamos vender o peixe. Primeiro, para o meu marido. Agora, para os meus filhos.” Já não há tanta miséria, mas a luta é a mesma. “É verdade. Ainda ando nesta vida. Que remédio. O barco é meu. Tenho de andar.” Até que a morte a leve. Sempre ligada ao mar. “Não sei fazer mais nada”, termina.

O luto mostra-se nas varandas, as saudades levam-se ao peito
Uma semana depois de se terem engalanado para assistir à passagem da procissão do Senhor dos Navegantes, as varandas da principal avenida das Caxinas, a Av. Dr. Carlos Pinto Ferreira, estiveram enfeitadas com lençóis brancos a revelar rostos (e “esmaltes”) de mulheres vestidas da preto. O preto não é só uma “coincidência”, é uma linguagem reconhecida e aceite como sinal de luto ou viuvez. Mas foi a perseguir as histórias que estão por detrás de cada “esmalte” — o nome que em Caxinas se dá ao medalhão ou alfinete com o retrato emoldurado de familiares que já partiram — que Helena Flores, autora da exposição de fotografia contemporânea que permanecerá exposta nas varandas, até final do mês de Agosto, encontrou o conceito para o seu trabalho: “Saudade levada ao peito”.

 

caxinas posters mulheres 2014 luto

 

Numa terra onde as mortes no mar são uma notícia recorrente — o padre de Caxinas já enterrou quase uma centena de pescadores nos menos de 20 anos que leva à frente daquela paróquia —, Helena Flores faz questão de frisar que os seus retratos não revelam apenas viúvas de pescadores, nem “esmaltes” a evocar náufragos. São também retratos de avós que perderam netos, ainda crianças, ou filhas que perderam a mãe. “Interessava-me retratar esta tradição das Caxinas, onde os retratos dos que já morreram continuam a ser mostrados na rua. Como se fosse uma forma de manter a pessoa viva”, explica a autora.

É também uma forma de dizer, “eu amo”, lê-se na sinopse desta exposição produzida pela Bind’ó Peixe. Porque, como escreveu o caxineiro Valter Hugo Mãe, “na morte há sempre uma celebração a fazer: a de nos constituirmos como memória daqueles que morrem, e sermos ainda uma manifestação das suas vidas”.

Ao todo, foram 17 retratos, pendurados em varandas escolhidas de forma mais ou menos aleatória. Maria dos Anjos António abriu as portas da sua casa para expor o retrato de Maria Adelaide de Santos Maio. Não é da família, nem a conhece muito bem. “Sei que mora frente ao meu irmão”, explica, acrescentando que deixava a sua varanda tornar-se montra de qualquer pessoa daquela comunidade. “Se é para mostrar as nossas tradições, não havia nenhuma razão para não participar”, conclui.»

adaptado do artigo de Luísa Pinto – PÚBLICO

foto 1 – Renato Cruz Santos

foto 2 – Paulo Pimenta

foto 3 - Farol da Memória de Caxinas e Poça da Barca



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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014
A preto e branco.

 

Um belo reflexo de um barco mercantel na Ria de Aveiro, possivelmente aqui na função de “saleiro”, mediante os montes de sal que se vislumbram em segundo plano.



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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014
A preto e branco.

 

Leo Jahn-Dietrichstein, fotógrafo austríaco nascido em 1911, lançava em 1957 através da Argentic, esta obra sobre Portugal, nomeadamente sobre os seus pescadores, camponeses e feiras, os seus sonhos fossilizados e o milagre de Fátima. Uma capa introdutória belíssima, com os redondos meias-luas da Costa da Caparica.



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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014
“A Kid´s Book on Boatbuilding”.

Esta pequena obra de 32 páginas editada em 2001 com o título “Um Livro para Crianças sobre Construção Naval”, explica de uma forma fácil como se constrói um barco em madeira e o que uma criança experimentaria ao construír um, desde as ferramentas básicas, as diferentes partes do barco e seus desenhos, sons e mesmo cheiros inerentes a esta arte em madeira.

A ilustração da capa só por si representa muito bem o conceito básico da construção naval, com os devidos “suportes” e equilíbrio. É um bom exemplo para mostrar a uma criança o que o mar significa, como os homens se movimentam nele e como a partir de árvores se produz tão “diferente objecto”. Além disso, independentemente da idade, a construção naval em madeira (a “carpintaria de ribeira”) é uma arte de grande mestria e ensinamentos para muita gente.
Deveria ser recuperada, mantida e fomentada, pois perdeu-se muito dela por “evolução” dos tempos, das vilas e das cidades. Tudo em redor da construção dum barco cria um universo de etapas que mantinham as populações locais sempre atentas aos movimentos dos trabalhadores, ao levantamento das cavernas, ao serrar, furar, içar, calafetar e ao auge da obra que era o dia do bota-abaixo, uma autêntica romaria.
Tendo nascido e crescido entre Vila do Conde e a Póvoa de Varzim, a construção naval nas duas comunidades sempre esteve muito presente, grande número e variedade de barcos Poveiros num lado, caravelas, naus, lugres e traineiras do outro. Por isso este pequeno livro e sua arte é-me muito familiar.


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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014
A Gamela de Coruxo - Galiza.

 A Gamela da comunidade de Coruxo, região de Vigo, é considerada uma evolução da gamela de La Guardia. Sendo um barco barato e de fácil construção, a maioria das gamelas da Galiza são do tipo de Coruxo, de estrutura também simples mas mais reforçada com os corredores a toda a volta. Tal permitiu que se pudesse utilizar madeiras de menor espessura e com isso dar mais ligeireza à embarcação. As suas dimensões variam, mas nunca chegam aos cerca de 5 metros das de La Guardia.

São também construídas na sua totalidade em madeira de pinho e o seu pouco calado facilita bastante a navegação nas zonas rochosas junto à costa, sendo utilizada maioritáriamente dentro das Rias Baixas.
Para ancorar, muitas continuam a utilizar a tradicional poita (poutada em Galego) visível na foto, uma grande pedra presa numa armação de madeira, um dos elementos marítimos mais emblemáticos na faina antiga também por exemplo na Póvoa de Varzim, entre outras comunidades e seus barcos. Os antigos toletes em madeira para a chamada dos remos são hoje em aço inoxidável.
O uso nos últimos anos destes barcos (entre outros) para a vertente de vela lúdica, ajudou também a que se mantivessem no activo, pois a pesca moderna serve-se de diferentes e mais produtivos meios no dia-a-dia. Com isso mantém-se a sua construção tradicional ainda levada a cabo por experientes mestres de carpintaria de ribeira.
Hoje em dia já se começam a ver algumas revestidas a poliester, mas nunca na sua totalidade, como já ocorre com outras embarcações do Cantábrico e Mediterrâneo e os motores fora-de-borda farão com que continuem a ser usadas em pleno século XXI.
Existe também uma gamela com proa e popa quadradas de pequenas dimensões que se usa como auxiliar dos barcos maiores.
 
Texto baseado em: modelismo naval – plano de Staffan Morling.
Fotos de Perez Lorenzo – blog com inúmeras gamelas nas praias.
Construção do modelo de uma gamela de Coruxo.


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Terça-feira, 22 de Julho de 2014
A preto e branco.

 

A Ria de Aveiro em 1910. A magnífica e impagável silhueta da tradição lagunar.



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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014
“E vós, ó cousas navais, meus velhos brinquedos de sonho!”.

 

O título deste artigo, uma expressão de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), define muito bem o que representam as coisas navais para mim e certamente para tantos mais no nosso país. Nos últimos 6 anos, meti mãos-à-obra e iniciei o trabalho em modelos de barcos tradicionais portugueses, iniciando-me com um relativo à pesca do bacalhau e outro da família do conhecido barco poveiro, do noroeste português, uma catraia.

 

No entanto, quando as condições se reuniram, antes de tudo estava primeiro a memória e nessa memória estava o meu primeiro "modelo", teria eu uns 10 anos. Por isso, a primeira coisa que fiz foi arranjar uma simples lata usada e transformá-la num barco, tal como o meu pai me ensinou há mais de 30 anos atrás. Naquele dias, foi feito com uma faca de mesa velha e um martelo, nada mais. Agora, já recorri ao alicate e tesoura, para uma proa e ré mais elaboradas.

Era com brinquedos destes e outros que os chamados "ratos-de-água" brincavam na pequena ondulação dos fieiros abrigados e se imaginava o dia em que iriamos andar dentro dos barcos grandes ancorados. O destino não o quis assim e hoje, noutro país sentado em trabalho frente a um computador, continuo com a mente nos barcos e no mar, certo que é junto deles o meu lugar.
O barco de lata, para o qual sempre vou desviando o olhar, foi sem dúvida um "brinquedo de sonho".


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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
3º Encontro da Rede Nacional da Cultura dos Mares e dos Rios.


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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
A preto e branco.

 

Uma bateira em Peniche.



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Sábado, 22 de Fevereiro de 2014
A Aiola – Sesimbra.

Desde há bastante tempo que ao perscutando pelos barcos tradicionais de Portugal e Europa, as aiolas de Sesimbra são uma das minhas embarcações favoritas. Este pequeno barco (não mais de 4 metros de comprido) é hoje ainda muito visto em Sesimbra e para um barco destas dimensões, as linhas de curvatura são excepcionais, demonstrando óptima navegabilidade. De seguida apresento uma breve descrição da aiola, do excelente site de j.aldeia (cujo link se encontra no fim deste texto) sobre barcos tradicionais (e não só). Vale a pena explorar.

 
«A aiola é um dos barcos mais característicos de Sesimbra, e actualmente o mais numeroso naquela praia. É de sólida construção, mas as suas linhas proporcionam uma excelente navegação. Antigamente era movida a remos ou à vela, hoje quase todas as aiolas estão equipadas com um pequeno motor fora-de-borda.
Um curioso método de propulsão das aiolas, designado como “zingar” consiste em colocar um remo na água pela popa, apoiando-o numa reentrância do painel; de pé e virado para a ré, o pescador movimenta o remo com uma mão, segurando-o com o punho, de tal forma que a pá do remo desenha na água um complexo movimento helicoidal, com efeito eventualmente semelhante ao que faria uma hélice accionada por motor. Este método, além de difícil de aprender, exige um grande esforço muscular na zona do punho, e era utilizado apenas para pequenas deslocações no interior do porto de abrigo, ou em situações em que os remos se tornam menos eficientes, como em passagens estreitas. Em águas calmas permite dar um forte impulso à aiola. Usava-se em Sesimbra uma expressão popular em que se perguntava a outra pessoa: "Éh pá, vais à zinga?", querendo significar, com alguma ironia: "onde é que vais com essa pressa toda?"».
 
Lembro-me de ver em miúdo o mesmo acto de zingar quando as denominadas “chatas” vinham do barco acabado de chegar da faina e ancorado na baía, até ao areal carregadas com o peixe que seria levado para cima pelas mulheres até à lota: isto na antiga lota da Póvoa de Varzim.
A folha de plano da aiola aqui apresentada é uma de três que completam todos os detalhes de construção deste barco e são originárias do Museu de Marinha. Foram desenhados em 1928 por Francisco Dias, tendo a aiola original 3,9 m de comprimento e 1,52 m de boca. Trata-se da aiola auxiliar da Canoa da Picada, outro barco típico de Sesimbra. Este plano completo em maior dimensão, pode ser encontrado também no site de J.ALDEIA, uma mais-valia para qualquer modelista naval.
As duas fotos acima apresentadas podem ser encontradas no informativo site “SESIMBRA”, o qual contém outras fotos de aiolas e vários barcos típicos da bonita Sesimbra. A 1ª foto embora pareça uma aiola real, é apenas um belo modelo em construção, da autoria de Manuel André.


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Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013
A preto e branco.

 

A barca “Maria Eulália” da Nazaré, aqui vista em toda a sua pujança nos seus tempos de actividade até ter tido a sorte de após o abandono, via “evolução” dos tempos, ter sido recuperada para assentar permanentemente no exterior do Museu de Marinha em Belém.. Ei-la que parte carregada de homens e rede da arte xávega. É uma foto de Artur Pastor por alturas dos anos 50 do séc. XX.



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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013
Barca de Sesimbra, “Nossa Senhora da Aparecida”.

 

Neste blogue, anteriormente escrevi um artigo sobre o o Caíque de Olhão “Bom Sucesso”, réplica do original de há 200 anos que à queda das tropas de Napoleão em Portugal, rumou ao Brasil tripulado pelos seus pescadores para dar a boa-nova à realeza lá em exílio. O heróico feito elevaria a comunidade de Olhão a vila, passando a denominar-se “Vila de Olhão da Restauração”. Pois a referida réplica era suposta efectuar o mesmo périplo em Julho de 2008, interesse já demonstrado pela APOS às entidades políticas em inícios de 2007 para comemorar os 200 anos da Restauração. Tal pelos vistos não veio a acontecer por conflitos entre a APOS e o presidente da Câmara de Olhão, ao que parece com jogos de protagonismo político ou desinteresse cultural envolvidos. Quem ficou a perder foram as gentes de Olhão e Portugal e o desenvolvimento da cultura marítima, que precisa sempre de novos eventos navais.
Viagem semelhante e que realmente aconteceu foi a da Barca de Sesimbra “Nossa Senhora da Aparecida” em 2005. Este é um resumo do site oficial que chegou a existir sobre a viagem:
«A Barca “Nossa Senhora da Aparecida” foi construída em 1961 no antigo estaleiro de Sesimbra de Joaquim Silvestre Farinha. Tendo sido originalmente baptizada de “Cupido”, foi-lhe sendo sucessivamente alterado o nome para “Poder de Deus”, “Família Samagaios”, “Skipper” até ao nome actual. Representando várias épocas da nossa história, e tendo andado na faina ao longo dos últimos 40 anos, tornava-se urgente o seu restauro. Deste modo, era também recuperado um pedaço da nossa memória colectiva. Acácio Vidal Farinha, herdeiro do saber fazer dos constructores navais de Sesimbra, era o único capaz de o conseguir.
O Mestre Acácio, ajudado pelo seu filho, Rui Manuel Ferreira Farinha, restaurou a “Nª Srª da Aparecida”, tendo ao longo de um ano e meio chamado a atenção das gentes que passavam na doca. O seu trabalho de recuperação foi de tal modo genuíno, que houve logo quem quisesse apoiar a aventura de atravessar o Atlântico, cruzando a rota dos nossos antepassados. Entre elas: Junta de Freguesia do Castelo, Junta de Freguesia de Santiago, Câmara Municipal de Sesimbra, Clube Naval de Sesimbra, Governo Civil de Setúbal, Região de turismo da Costa Azul, Embaixada do Brasil, CPLP e Instituto Camões.
Em nome de Portugal, queremos lembrar aos mais velhos, aqueles que já se esqueceram e aos mais novos, a quem nunca foram ensinadas as suas origens, a temperança e a audácia de um povo que descobriu mundo. Prolongar para o futuro a memória colectiva das gentes do mar e das artes a eles ligadas, desde a construção naval e tudo o que a rodeia ( mestres de vela, calafates, mecânicos, electricistas, pescadores, etc.), bem como capitalizar o facto da melhor costa para navegar ser exactamente entre Sesimbra e Sines. Divulgar a imagem de Portugal como um povo com História e fiel detentor das suas raízes.
A barca chama-se “Nª Srª da Aparecida”, a Virgem e padroeira do Brasil, procurando mais um ponto de união entre Portugal e o Brasil, países já entre si irmãos, quer no plano histórico e cultural com a língua portuguesa enquanto instrumento comum, quer na devoção mariana a Nossa Senhora da Conceição, a mesma padroeira dos 2 países: a de Vila Viçosa em Portugal, e a da Aparecida no Brasil.
Durante a travessia da Atlântico pela rota de Cabral, a “Nª Srª da Aparecida” utilizará apenas as suas velas. O motor será excepcionalmente utilizado para entrar e sair de portos.
O tempo estimado para a viagem é de cerca de 50 dias. A partida está prevista para dia 18 de Dezembro. Partindo de Sesimbra, em vez de Lisboa, fazendo a primeira paragem em Tenerife, a segunda em S. Vicente de Cabo Verde, e zarpando desta ilha rumo a Fernando de Noronha, segue-se Porto Seguro, onde Pedro Alvares Cabral aportou pela primeira vez.
Somos quatro homens numa pequena embarcação e, tal como noutros tempos, o nosso gesto quer significar muito. Uma homenagem a quem outrora conquistou os mares, levando um pouco mais do nosso Portugal ao País nosso irmão.»
 
Como em tudo na vida, num país existem homens grandes e homens pequenos e considero triste que por vezes homens pequenos tenham o poder de tomar decisões, saber conceder ou não conceder vontades. Este exemplo de Sesimbra, outra terra marítima por excelência, orgulha locais e Portugueses pelo seu propósito e mesma audácia dos nossos antepassados, a quem devemos hoje e para sempre reconhecimento mundial. São iniciativas muito raras hoje em dia, pois já não se vai ao Brasil de barco, só avião, mas relembram que antigamente ir ao brasil em barcos de pesca era frequente e a Póvoa de Varzim não fugiu à regra. Porque não uma iniciativa igual à da Barca de Sesimbra com a Lancha de 12 metros “Fé em Deus”? A emigração de poveiros para o Brasil em inícios do séc. XX foi enorme, como atesta hoje em dia a Casa dos Poveiros no Rio de Janeiro e o regresso de muitos, décadas mais tarde, marcaram para sempre a cidade da Póvoa. Haverá condições para a Lancha fazer tal viagem? Interesse sócio-cultural há de certeza e políticamente vive-se cada vez mais numa época de união entre os dois países a vários níveis.
 
Site sobre a viagem Rumo ao Brasil.


publicado por cachinare às 11:08
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Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013
A preto e branco.

 

Alturas dos anos 50 do séc. XX e um excelente exemplo dos tempos de transição da vela para o motor. O seu dono, certamente benfiquista não deixava a superstição de lado e pode-se notar o detalhe dos dois chifres no topo do mastro. Era assim a Ericeira da altura, com a sua inconfundível rampa.

 

imagem Fundação Calouste Gulbenkian



publicado por cachinare às 23:38
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Sexta-feira, 9 de Agosto de 2013
"Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo".
 

«O texto Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo, com o subtítulo contributos para a compreensão da sua evolução funcional, foi recentemente publicado, no âmbito das comemorações do XXV aniversário da ANS–Associação Naval Sarilhense, de Sarilhos Pequenos, concelho da Moita. Este texto sintetiza parte do trabalho de investigação realizado ao abrigo do protocolo de parceria existente entre a ANS e o Instituto de Dinâmica do Espaço da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Esta obra foi apresentada no dia 14 de Julho, no auditório da Biblioteca Municipal da Moita, pela museóloga Graça Filipe, na presença de Rui Garcia, Vice- Presidente da Camara Municipal, de João Figueira de Sousa, Presidente do Instituto de Dinâmica do Espaço, e dos dois co-autores, André Fernandes e Mário Pinto.

O livro em apreço, cerca de cem páginas, muito ilustrado, abre com um prefácio assinado pelo Prof. Dr. Figueira de Sousa, a que se segue a dedicatória ....aos arrais, camaradas e moços do Tejo, também eles homens que nunca tiveram oportunidade de serem meninos ...., uma introdução, seis capítulos, um agradecimento e a bibliografia. Os capítulos abordam, sucessivamente, “A Região do Estuário do Tejo: o contexto territorial das embarcações tradicionais”, “As embarcações tradicionais de carga do estuário do Tejo: tipos e especificidades”, “O transporte fluvial e a organização económico-funcional da região do estuário do Tejo”, “A evolução do sistema de transportes e o declínio das embarcações tradicionais”, “Obsolescência funcional e valorização cultural das embarcações tradicionais” e “As Associações Náuticas e a Preservação das Embarcações Tradicionais; a Associação Naval Sarilhense”.

Neste livro analisa-se a importância económica destas embarcações - fragatas, varinos, botes, botes-de-fragata, botes do pinho, faluas, cangueiros, canoas e catraios - cuja diversidade deriva do material transportado, da área de operação e dos estilos próprios dos estaleiros das diversas povoações. Esboça-se ainda uma intrepretação do processo de formulação destas embarcações como “construtos culturais”, na sequência da sua obsolescência funcional, nos anos 60 do século passado, consequência da construção de pontes no baixo Tejo e do adensar da rede rodoviária na região de Lisboa.

A Revista de Marinha felicita vivamente os autores, André Fernandes e Mário Pinto, e a Editora Sinapis, por um trabalho muito interessante, que nos recorda um passado próximo, ainda com muitos reflexos no presente. Uma palavra de encómio às entidades que viabilizaram esta publicação, designadamente, à Mutúa dos Pescadores e aos Estaleiros Navais Jaime Ferreira da Costa.

Este livro não se encontra à venda no circuito comercial das livrarias; poderá contudo ser obtido por contato direto com a ANS, tel 21 289 5699, e-mail

ansarilhense@gmail.com .»

via Revista de Marinha online.



publicado por cachinare às 10:01
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