Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026
Granville, 17 de Dezembro de 1740.

 

Memória sobre a navegação e comércio do porto e comunidade de Granville, Nova França, pela mão do inspector Sicard, 17 de Dezembro de 1740:
«O comércio mais considerável de Granville consiste na pesca do bacalhau. Todos os navios nela estão empregados e as suas equipagens pagas um quinto do peixe e do frete, recebendo em avanço potes de vinho que lhes são descontados no quinto.
Partem 40 navios com 32 homens e depois, mais pequenos, 11 só com 19 homens, levando 1, 2 ou 3 moços. Vão à pesca do bacalhau verde sobre o Grande Banco da Terra Nova. Partindo de Granville, seguem a buscar o seu sal à ilha de Ré, para depois salgar o peixe no Banco e pesca terminada, vêm descarregar o bacalhau e óleos ao Havre, Honfleur e Dieppe (França), fazendo depois o regresso a Granville para desarmar com o seu pago e alguma mercadoria.
Outros navios estão empregados na pesca do bacalhau para secar na Terra Nova, a saber, 11 navios com entre 30 a 91 homens de equipagem, levando 3 a 9 moços na Grande Baía (Labrador), 11 navios com 23 a 48 pessoas e 3 a 10 moços nas Costas de Gaspé, 6 outros navios com uma equipagem de 17 a 63 pessoas e 2 a 6 moços no Pequeno Norte e de 1 a 12 homens e 2 moços empregados por mês na Ilha Real.
Vão buscar o seu sal a St. Malo (França), uma vez que não o têm em Granville. Em chalupas pescam junto à costa, sem ponta de habitantes. Em Gaspé estableceram-se alguns habitantes. Os que vão ao Pequeno Norte (costa nordeste da Terra Nova) seguem na mesma em chalupas para a pesca e os que vão à Ilha Real levam consigo sal, víveres, utensílios e outras mercadorias que trocam pelo bacalhau e óleos do peixe.
Os maiores destes navios e mesmo os que possuem canhões, seguem depois da pesca em transporte a descarregar o bacalhau seco uma porção em Marselha, Génova e outros portos da Itália. Mantêm dois terços das suas equipagens, necessárias para se defenderem contra os Saltins, piratas mouriscos e seguem depois para os portos de Le Havre, Dunquerque, Saint-Malo, La Rochelle e Nantes, vindo desarmar a Granville.»
 
Numa altura em que a pesca ao bacalhau não existia em Portugal, pois só iria “renascer” por volta de 1830-1840, note-se neste texto em excerptos a movimentação comercial que esta pesca originara. Prova o quão valioso o bacalhau era para os Europeus e como foi uma das bases de desenvolvimento da América do Norte. Na imagem é possível verificar o método de pesca, directamente dos navios e não em dóris.


publicado por cachinare às 08:07
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