Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
O navio medieval de Newport, c.1450.

O navio medieval de Newport é uma embarcação mercante do século XV, descoberto no centro de Newport, País de Gales, em 2002. Os trabalhos na zona ribeirinha para um novo centro de artes nas margens do rio Usk pararam na altura para que as excavações pudessem decorrer e desde então que todas as madeiras têem sofrido um processo de conservação, de modo a que o navio possa ser exposto ao público.

 

Newport_ship.jpg

O navio era uma formidável embarcação de 3 mastros, medindo cerca de 30 metros de comprimento e capaz de carregar cerca de 170 toneladas de carga. O exame aos artefactos e restos encontrados a bordo sugerem que o navio provavelmente fazia a rota comercial Bristol-Lisboa.

 

Através da dendrocronologia (estudo dos anéis do tronco das árvores), concluíu-se que as árvores usadas na construção do navio foram cortadas cerca de 1449 no País Basco, hoje em dia dividido entre Espanha e França, onde muito provavelmente foi construído. Chegou a Newport para reparações ou reaparelhamento cerca de 1469, mas os trabalhos indicam que estava a ser desconstruído, significando que teve uma vida útil de 20 anos.

Através disso, ainda em Newport, o berço que suportava o navio cedeu. O casco ficou inundado e a maioria do navio foi desmantelado, deixando apenas as obras vivas que nos chegaram ao dia de hoje.

 

Newport-ship-drawing-01_jpg_gallery.jpgNewport-ship-drawing-02_jpg_gallery.jpg

Este navio foi construído segundo o método de tabuado trincado, (casco de tábuas sobrepostas), método favorito no Norte da Europa e País Basco até ao periodo do Renascimento.

Os navios que partiam do mar de Severn (nome da altura para o canal de Bristol) passavam apenas 3 ou 4 meses no mar por ano; a maioria do seu tempo era passado em portos estrangeiros, onde as suas cargas iam sendo vendidas e se procedia à compra de outros produtos para a viagem de regresso a casa. Os marinheiros galeses e ingleses na rota de Lisboa passavam mais tempo em Portugal do que nas suas casas ou no mar.

 

Os historiadores, tentando perceber como o navio acabou em Newport, afirmam ser provável que a Guerra dos Cem Anos (1453) e o começo da Guerra das Rosas em Inglaterra (1455-85) tenham tido um papel fundamental.

A perda de Bordéus forçou os mercadores ingleses a concentrarem-se fortemente em Portugal durante a década de 1460-70, de onde compravam o vinho. Mas Castela, Espanha, mantinha-se como inimiga e os bascos estavam proibidos de vender navios aos ingleses. Por isso, é provável que o navio medieval de Newport tenha passado de mãos bascas para inglesas por arrestamento.

petit blanc.jpg

Entre os objectos encontrados no navio, é de realçar algumas moedas. Uma delas é um “petit blanc” (“pequena branca”), moeda de pouco valor descoberta debaixo do pé do mastro principal. Na altura a superstição para boa sorte dizia que um navio mercante que não tivesse dinheiro, condenava o seu armador ao fracasso. A moeda é uma das 65.000 ordenadas pelo Delfim de França, mais tarde Luís XI, cunhadas entre Maio e Julho de 1447 na cidade de Cremieu.

Além do petit blanc, foram encontradas mais 4 moedas, todas portuguesas. São 3 ceitis e 1 real preto. O ceitil associa-se a D. Afonso V, que reinou a partir de 1438. Era uma moeda de cobre introduzida por D. João I, que foi cunhada em grande quantidade por D. Afonso V. O real preto, também de cobre, é da altura de D. Duarte I, pai de D. Afonso V.

 

 

fontes/imagens:

http://www.newportship.org/

http://www.medievalists.net/2018/06/what-we-are-learning-about-the-newport-medieval-ship/

https://www.peoplescollection.wales/items/19195



publicado por cachinare às 23:09
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1 comentário:
De Albino Gomes a 3 de Janeiro de 2019 às 17:26
Um Bom e mais assíduo Ano Novo, para o amigo Fangueiro, do qual não temos tido novas desde o ano passado . . .


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