Terça-feira, 19 de Abril de 2016
Trio “Terre Neuvas”.

«A história narra uma campanha nos Bancos da Terra Nova de Jean-Baptiste Lamy, marinheiro natural de Cancale (Bretanha-França), embarcado em Saint-Malo num dia de Março de 1907. À partida atrasada em dois dias, os marinheiros aproveitaram para formalizar os seus pedidos a Deus por tempo clemente durante o seu rumo. No momento dessa partida, surgem os adeus dífíceis às mulheres, às crianças e aos seus que ficarão no cais. Precisarão de várias semanas para alcançar os Bancos da Terra Nova, viagem antes da qual começaram a preparar as linhas, a apanhar molusco para o isco e assim evitarem o uso da carne de cavalo e o seu cheiro terrível. Chegados aos Bancos, começa a pesca nos dóris, as condições difíceis de trabalho, o frio, a bruma, as poucas horas de sono, mas também o café, o benvindo que melhora o ordinário, o copo de aguardente que reaviva a coragem, os camaradas com os quais se pode competir, as “marés do paraíso”, quando se canta em alegria e se contam histórias.

Campanha terminada sete meses após a partida, está o porão cheio de bacalhaus bem conservados no sal, sem se perder nenhum dóri ou homem e a escuna parte, deixa os Bancos e toma rumo para Saint-Malo. Dois dias mais tarde, são surpreendidos por um temporal que destrói completamente o navio. Cinco sobreviventes são resgatados vários dias mais tarde num dóri, por um navio Português que os desembarca em Lisboa. Depois de alguns dias no hospital, regressam à Bretanha, a pé até Bordéus onde embarcam num navio de transporte de vinho com destino a La Rochelle e a Nantes. De Nantes a Rennes, Dinan, Vallée des Singes... .
Jean-Baptiste não voltaria a ver a sua mulher, falecida no leito que lhe deixa um pequeno rapaz que um dia crescerá e se tornará marinheiro... mas que viria a morrer com a idade de seis anos. Voltará então a casar-se e terá duas filhas... uma delas a minha avó.»
Por Bernard Subert.
 
Este pequeno texto pertence a um dos elementos do trio “Terre Neuvas”, designação antiga em França para os pescadores que debandaram para a pesca na Terra Nova durante séculos. O motivo da música deste trio é precisamente todo o universo em redor destes pescadores e famílias, tragédias e alegrias.
No que respeita a Portugal, até hoje não tenho encontrado grande menção a música ou cantares relativos a estes pescadores, a não ser em St. John´s, Terra Nova, onde os pescadores Portugueses eram afamados a cantar o fado e não só, com viola ou concertina. Hoje em dia existem bandas locais de St. John´s que reproduzem estas músicas dos pescadores, pela beleza que tinham e um dos expoentes máximos ainda hoje é Art Stoyles, com as suas famosas “Valsas Portuguesas”.

 



publicado por cachinare às 18:19
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1 comentário:
De jaime pião a 19 de Abril de 2016 às 20:15
Mais uma bela História que nos diz muito,quem andou na pesca do bacalhau sabe bem disso .
Mas depois da viagem praticamente feita e de viagem para o destino ,eis que um forte temporal derruba tudo e vai o Lugre para o fundo e morrem a maioria dos pescadores e tripulantes do Navio,dá que pensar ,mas eu vivi isso mesmo ,naufraguei em dois navios bacalhoeiros no AvÍs em 1965 e em 1966 no Inácio Cunha ,,mas felizmente não tivemos que lamentar mortes ,também porque Naufragamos com tempo bom ,e, como tal foi tudo maravilhosamente bem com Deus ,enfim sempre ficam historias para contar !!!


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